Com a ajuda de funcionários, paciente se casa dentro de hospital

Ribamar Souza Garcez, 43 anos, pediu em casamento a então namorada, Suellem Garcez, 34 anos, antes de ser internado devido a um tumor no fígado

Ribamar e Suellem celebraram a união. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação

POR: ALINE CUSTÓDIO

Quando ingressou no corredor de 50 metros que o levaria ao altar, na tarde desta sexta-feira (26), o marítimo Ribamar Souza Garcez, 43 anos, ouviu os convidados quase sussurrando em uníssono É Preciso Saber Viver, de Roberto e Erasmo Carlos. Amparado pela mãe, a babá aposentada Claudete Garcez, 62 anos, Ribamar foi engolindo o choro enquanto lia os cartazes empunhados pelos convidados, e que acabavam se conectando: “Dia de provar que com amor… …tudo se torna capaz!”, “O impossível se torna possível… …e o sonho, realidade”.

Mas as lágrimas surgiram em seguida, ao ver a noiva, a corretora de imóveis Suellem Garcez, 34 anos, chegar à cerimônia ao som da marcha nupcial tocada num piano. Entre enfermeiras, médicos, técnicos de enfermagem e outros funcionários, Ribamar e Suellem casaram-se dentro do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Antes de ser internado, em 9 de outubro, para o tratamento de um tumor no fígado, ele havia pedido a namorada em casamento. Na quinta-feira (25), sem avisar familiares e amigos, os dois oficializaram a união civil na presença de um representante do 7º tabelionato, que foi ao quarto onde estava Ribamar, horas depois da terceira sessão de quimioterapia do paciente.

Ao saberem da decisão do casal, por volta das 10h desta sexta-feira, os funcionários do Moinhos reuniram-se para produzirem uma celebração em tempo recorde. Suellem quase desistiu do casamento devido ao estado de saúde do marido, que ainda se recuperava da quimioterapia.

— A gente só pretendia comemorar depois da alta do hospital, mas fomos surpreendidos por essa homenagem que foi muito além do que eu poderia imaginar — contou emocionada.

Lucas Dalfrancis / Divulgação
Ribamar, na chegada para o casamento. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação
— Superou todas as minhas expectativas. Ver estas pessoas nos esperando, emocionadas, foi algo inexplicável. Preciso agradecer a toda a equipe pelo empenho e pelo carinho deles com o paciente — disse Ribamar. 

Responsável pelo paciente, a enfermeira Luciane Finatto sensibilizou-se tanto com a história que se ofereceu para buscar em casa camisa, gravata e um vestido de noiva. Os demais funcionários assumiram os postos de recepcionistas matrimoniais, madrinhas, intérprete vocal e musicista. Em quatro horas, tudo foi organizado.

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— Eu estava chegando no hospital, como faço todos os dias, e minha nora ligou dizendo: “Venha rápido ou perderá o casamento!” Saí gritando: “Sou a mãe do noivo, me deixem passar!” — conta Claudete.

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Trocas de carinho durante a celebração. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação

Na celebração, conduzida pela diaconisa e coordenadora pastoral Marciana Ittner, uma mensagem de William Shakespeare sobre o amor superando todas as barreiras e o próprio tempo emocionou o casal e os presentes:

“Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou…”

Juntos desde novembro de 2016, depois de se conheceram num site de relacionamentos, Ribamar, que é de Canoas, e Suellem, de Manaus (AM), iniciaram o namoro em janeiro de 2017, quando ele foi trabalhar no Amazonas. No início deste ano, ao retornar para o Rio Grande do Sul, Ribamar já pensava em dar um passo a mais no relacionamento, mas Suellem pretendia antes finalizar a faculdade de Enfermagem _ ela está no último ano. O namoro seguia na ponte aérea.

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A celebração foi conduzida pela diaconisa e coordenadora pastoral Marciana Ittner. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação
No final de julho, Ribamar passou a sentir dores fortes nas costas e no estômago. Foi a namorada quem insistiu para ele consultar e fazer exames. Em 31 de agosto, no mesmo dia em que Suellem desembarcou em Porto Alegre, o marítimo recebeu o diagnóstico e iniciou o tratamento. A namorada trancou a faculdade e não retornou mais a Manaus.

A data da oficialização também marcou o aniversário de um ano e 10 meses desde o primeiro encontro. No retorno para o quarto, os dois tiveram outra surpresa: fisioterapeutas e enfermeiras enfeitaram com mensagens de amor eterno e velas o dormitório cor-de-rosa.

— O casamento veio para certificar o nosso amor. Vamos enfrentar juntos toda essa situação. Embora esse não seja o evento que projetamos, Deus é perfeito no que faz — finaliza Suellem, que tem passado os dias e as noites no hospital ao lado do agora marido.

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Beijos e carinhos. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação

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Com a equipe de enfermagem. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação

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Quarto foi enfeitado. Foto: Lucas Dalfrancis / Divulgação