Gastronomia e poesia: suas interpretações e sensações subjetivas

Foto: Renata Diem/Arquivo Pessoal

Onde há emoção, há poesia. A gastronomia é uma arte cheia de emoções, assim como a poesia. Ambas são repletas de interpretações e sensações subjetivas – nossas viagens particulares influenciadas por diversas direções. Selecionei algumas inspirações em que a união entre a comida e a poesia possa nos deleitar de alguma maneira.

Livros

A Poesia é para Comer: Iguarias para o Corpo e o Espírito – Ana Vidal
Em uma gostosa mistura de versos e iguarias que se complementam, o livro reúne poemas de autores lusófonos e suas reinterpretações em receitas produzidas pelas mãos de diversos cozinheiros. As ilustrações criadas por artistas plásticos agregam ainda mais à experiência sensorial. Um dos poemas selecionados é o Limoeiro Verde, de Antero de Quintal. Nele, Alex Atala se inspirou para criar um ravióli de limão. A autora descreve a gastronomia e a poesia como artes de personalidades fortes e muita sensibilidade. “Nasci numa família em que a gastronomia foi sempre – ao longo de gerações – um culto e um prazer (…) E o que pode haver de mais poético do que as memórias de um tempo em que tudo era assim, brando e promissor, sem pressas nem atropelos, apesar da sede imensa de uma vida inteira pela frente, por beber ainda?”

 

Todas as Sextas – Paola Carosella
Há muita sutileza nas memórias entre temperos, panelas e pessoas na história de vida de Paola Carosella, descrita por ela mesma em seu livro. É muito mais que uma cozinheira, mas ela gosta de se autodenominar assim: “Eu não sou o que se imagina de uma chef de cozinha. Sou uma cozinheira, sempre fui uma cozinheira e sempre serei uma cozinheira. E parece que sopra um ar fresco, abundante dentro de mim e minha alma sente um alívio enorme quando escrevo e leio essas palavras”. Paola é chef e proprietária do restaurante Arturito, café La Guapa e também jurada do Masterchef Brasil. No livro, ela compartilha sua história e suas receitas com honestidade e respeito. Na receita do Pão Arturito, por exemplo, o ingrediente principal é “paciência” e um dos itens do seu Aioli é “um ovo de galinha de vida digna”.

Sentidos

O olfato é uma sensação particular que está sempre associada aos nossos momentos e memórias. Cheiros costumam ser nostálgicos e capazes de nos transportar para determinadas passagens de nossas vidas. Uma ideia bonita e acolhedora é decorar as mesas com arranjos de ervas e temperos como manjericão, alecrim ou hortelã. Além de exalarem um gostoso aroma no ambiente, instigam o paladar.

Lugares

capella
Foto: Renata Diem/Arquivo Pessoal

Como um sonho pitoresco, o Empório Capella, localizado na subida do Morro da Lagoa da Conceição, em Floripa, encanta em todos os detalhes. Logo na entrada, somos conduzidos por uma pérgula decorada com jasmins e maracujazeiros até o salão principal. O café funciona onde antigamente era uma capela. Comidinhas diferentes, ingredientes selecionados e opções saudáveis completam a experiência.

 

 

 

Cultura

Uma das curiosidades em relação à gastronomia chinesa é a forma como eles intitulam alguns dos seus pratos, nomeando-os de acordo com a aparência, ingredientes, vibrações e superstições, além da maneira metafórica como, por exemplo, o macarrão de celofane ou vidro. Ma Yi Shang Shu significa “formigas subindo em árvores”, e denomina prato com carne de porco moída e macarrão de arroz bem fininho e frito. O macarrão absorve o molho de soja, adquirindo uma coloração marrom, assim os fios acabam lembrando galhos de árvores. A carne moída de porco salpicada por cima seriam as “formigas”.

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