Geometrias urbanas: linhas e curvas riscam o território em que vivemos

Eu convido você, a partir de hoje, a observar, durante seus percursos urbanos a força dos traços, as repetições de formas, os ruídos visuais que nos interpelam a todo momento

Quadrículo contemporâneo: a fachada Sul do AC por Marriot, o hotel que ocupa a esquina das avenidas Beira-Mar Norte e Gama d' Eça, em Florianópolis, mescla metal, madeira e vidro em linguagem de perfume modernista e essencial (Foto: Sandro Clemes)

Você já percebeu que a paisagem urbana é constituída basicamente por formas geométricas? Sejam os sólidos prismáticos das edificações, as fachadas que repetem linhas envidraçadas, o pavimento das calçadas, o desenho viário que alterna linhas e curvas riscando o território em que vivemos. Então, eu convido você, a partir de hoje, a observar, durante seus percursos urbanos a força dos traços, as repetições de formas, os ruídos visuais que nos interpelam a todo momento. Atente para estes desenhos que constroem o mundo material com o qual interagimos, desde nossa chegada até nossa partida deste mundo, e perceberá quanta inspiração estética pode emanar da cidade para dentro de sua casa, seu jeito de vestir, seu modo de olhar. A geometria está lá fora.

GEOMETRIA ANALÍTICA

Poesia da cidade: as imagens racionais de Marco de Groot para a vida urbana (Fotos: Marco de Groot/Divulgação)

O fotógrafo holandês Marco de Groot explora com rara acuidade de composição as formas da arquitetura contemporânea em suas viagens pelo mundo. Simetria e minimalismo são seus principais critérios na captura de imagens de edificações, elementos construtivos e espaços públicos. “Procuro sempre por ângulos interessantes e por registros que mostrem o que a maioria das pessoas não percebe em seus trajetos”, explica ele, que utiliza tanto equipamentos profissionais quanto o celular para fotografar. Um mosaico do olhar atento de Groot pode – e deve – ser conferido em seu perfil no Instagram: @marcorama.

ABSTRATO CONCRETO

Fractais: as repetições de elementos compositivos de prédios, estruturas e equipamentos urbanos mostradas como abstrações no trabalho de Bruno Ropelato (Foto: Bruno Ropelato)

Natural de Rio do Sul e radicado em Florianópolis, Bruno Ropelato é artista visual e fotógrafo que tem na cidade seu principal objeto de investigação. Ele não registra paisagens de larga escala, mas detalhes delas que trazem valores formais rigorosos e revelam o abstrato do mundo concreto. Ao conjugar semelhanças e proximidades, continuidades e rupturas, unidades e dissonâncias, o artista convida o observador a perceber a complexidade e a riqueza visual da vida cotidiana. Qualidades assim estão presentes em projetos, como a série “Por Aí” e o ainda inédito “Micropaisagens”.

DÉCO TOUJOURS

Moderno-eterno: a marquise paulistana em estilo art déco usa o geometrismo dos ornamentos para criar um eixo visual alongado de estática purista (Foto: Sandro Clemes)

O Art Déco foi estilo decorativo-industrial que surgiu em 1919 na França e interpretou, numa linguagem moderna, referências múltiplas que incluem artes egípcia e asteca, o Cubismo e o desenvolvimento tecnológico da época. Formas geométricas, ângulos, cores vivas e materiais que iam da pele de tubarão ao plástico Baquelite recém-inventado, estavam presentes em prédios, automóveis, objetos luxuosos como jóias e adornos, assim como nos mais cotidianos, como pentes e copos. Esses valores influenciam até hoje o design mundial porque sinalizaram um estilo de vida inovador , para muito além da decoração. Um viva à modernidade!

Leia também:

Conheça projetos que conectam arquitetura, design e arte de modo original e sensível

Leia mais colunas de Sandro Clemes