Comercial gera repercussão ao abordar igualdade de gênero, assédio e bullying

Marca discute mudança de comportamento dos homens em nova campanha

Foto: Reprodução/Youtube

Na era do movimento #MeToo, iniciado no ano passado contra o assédio e abuso sexual, a Gillette lançou uma campanha com um novo posicionamento sobre masculinidade ao abordar temas como assédio sexualigualdade de gênero no ambiente corporativo e  bullying infantil, entre outros. O vídeo, lançado no último domingo, dia 13, vem gerando polêmica e provocando discussões.

O clipe é chamado de “We Believe: The Best Man Can Be” (“Nós Acreditamos: O Melhor Que Um Homem Pode Ser”), uma clara referência ao slogan criado há 30 anos pela marca que pregava “The Best A Man Can Get” (“O Melhor Que Um Homem Consegue Ter”).

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O clipe mostra cenas como as de mulheres sendo silenciadas durante uma reunião de trabalho e propagandas de TV em que são tratadas como objetos sexuais. Em seguida, aparecem homens tentando deter outros homens que brigam e homens que repreendem outros que assediam mulheres.

Veja a campanha:

Segundo a marca, a mensagem procura mostrar que os meninos de hoje serão os homens de amanhã e que ações precisam ser tomadas desde já para mudar certos tipos de comportamento no futuro.

“A campanha não é sobre masculinidade tóxica. É sobre homens tomando atitudes todos os dias para dar o melhor exemplo para a próxima geração” disse Pankaj Bhalla, diretor de marca da Gillette América do Norte, para o CNN Business.

O vídeo soma quase 20 milhões de visualizações no Youtube.  A maioria das reações é negativa.  São 528 mil avaliações favoráveis e 980 mil contrárias.

 Nas redes sociais, alguns homens criticaram veementemente a ação, inclusive com ameaças de boicote à marca, como relatou a CNN.

“Esperávamos esse debate. Na verdade, uma discussão é necessária. Se não falarmos sobre esses assuntos, acredito que as mudanças reais não irão acontecer”, considerou Bhalla.

 A Gillete anunciou que destinará US$ 1 milhão por ano por três anos para entidades e organizações sem fins lucrativos que tenham ações que visem ajudar os homens a se abrirem mais para questões como empoderamento feminino e igualdade de direitos. A primeira entidade a receber apoio financeiro é a Boys and Girls Clubs of America.