O gostoso da vida é relacionar-se e estar uns com os outros

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Na primeira vez que fui entrevistada, eu tinha 15 anos. Na época sonhava em ser jornalista e em ter meu próprio programa de televisão. A NSC, antiga RBS, promovia um concurso para o Planeta Atlântida chamado Caras do Planeta, que procurava jovens para fazerem as chamadas comerciais do evento. Eu queria estar lá e aprender tudo. Nunca tive muita pressa com minhas relações. O gostoso da vida é relacionar-se e estar uns com os outros. Com sorte torna-se um privilégio poder transitar por caminhos por onde pessoas acompanham nossas jornadas e as transformações de nossos sonhos, e vice-versa. Então fiz perguntas, conheci pessoas. Perdi o concurso, mas ganhei realmente bastante experiência e conheci gente muito especial que está até hoje na mesma empresa. Em 1999 fui aluna do projeto da Junior Achievement, anos depois fui voluntária, e há menos de dois anos estive com o mesmo Evandro Badin – o diretor da instituição e pessoa bastante consistente, que admiro – palestrando para os voluntários sobre o mesmo projeto.
Lembro de um aluno me dizendo que nossa empresa tinha “dado certo, assim do nada”. Mas não existe do nada. Há construção diária, às vezes mais medalhas de prata do que de ouro, mas com muita humildade a gente segue firme e em frente. Dei aula na faculdade em que me formei, fui madrinha da empresa junior da universidade onde fiz mestrado, e tive em nossa equipe a filha de uma das minhas alunas da época. Em meu negócio estou há oito anos e, em dezembro, estaremos na turma de número 70 de meu primeiro curso criado. Hoje sou madrinha do Prêmio Mulheres que fazem a Diferença, da Acif – que venci lá em 2011 – e que vale a pena pesquisar e conhecer. É muita coisa e são muitos relacionamentos.

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Quero dizer que nem sempre acertei nas minhas relações, porque certamente houve expectativas que não pude superar – mas fui percebendo o quanto o tempo e a vida são bem aproveitados quando se pode cruzar com os mesmos olhares pela passagem dos anos, e o quanto pode ser saudável não se ter pressa ou se fazer uso do que o outro pode nos dar ou fazer. As relações e a mensagem que vamos construindo é o que sustenta as nossas escolhas – e as escolhas dos outros. Não somos um recorte, portanto – somos a soma do que fazemos com a passagem do tempo.

Quando dou aula, peço aos alunos que escrevam uma carta no primeiro dia, dizendo como gostariam que eu falasse deles no final do semestre. É muito impactante, porque acaba trazendo para a consciência a mensagem e a memória que cada um vai deixando na medida em que a convivência acontece. Afinal, temos sido exemplo do quê? Temos deixado qual memória? O que diriam da gente as pessoas que conviveram conosco?

Essa é uma ficha que me caiu, já que bodas estão sendo comemoradas por aqui. Estou certamente em uma fase especial, de colheita de frutos que foram plantados há bastante tempo, e pensando: os sonhos podem mudar de forma, os rumos podem mudar de norte, mas nunca são transformados os frutos dos comportamentos que cultivamos.