Guilherme Siqueira fala da rotina em Floripa após encerrar carreira de jogador na Europa

Na Europa Guilherme construiu uma carreira sólida e vitoriosa, que encerrou há cerca de um mês numa decisão tranquila e bem pensada

guilherme siqueira
Foto Diórgenes Pandini/Diário Catarinense

Não era bem o que ele havia planejado, mas Guilherme Siqueira não tem se queixado do tempo livre para encontrar os amigos ou curtir o filho Arthur de quase 3 anos. Dá até para dizer que ele está aproveitando agora o que, por vontade própria, resolveu abrir mão quando era um jovem de apenas 16 anos. O sonho de ser jogador de futebol profissional levou o manezinho de Floripa a se mudar sozinho para a Itália. Na Europa Guilherme construiu uma carreira sólida e vitoriosa, que encerrou há cerca de um mês numa decisão tranquila e bem pensada. Uma lesão no tornozelo o vinha impedindo de jogar em alto nível e ele optou por priorizar a qualidade de vida.

Filho de uma família tradicional do bairro Costeira, Guilherme começou nas categorias de base do Figueirense, seu time de coração. Foi na seleção brasileira sub-17 que ele chamou a atenção de um grande agente internacional, que acabou o levando para o Inter de Milão. Logo no primeiro amistoso, sem ter sequer assinado contrato, o jogador sofreu uma fratura no tornozelo, passou por cirurgia eprecisou de muita paciência e força de vontade para não desistir do sonho e voltar para o Brasil. Com passagens por grandes clubes como Benfica, Valência e Atlético de Madrid, Guilherme hoje vê que tudo valeu à pena e sente orgulho de sua trajetória. Nesta entrevista especial à Versar ele falou sobre os planos para o futuro e como tem curtido a família e a cidade onde nasceu.

guilherme siqueira
Foto Diórgenes Pandini/Divulgação

Foi difícil a decisão de se aposentar? 
Na verdade está sendo mais difícil me adaptar à palavra “aposentado” do que à propria situação (risos).Eu venho me recuperando de uma lesão no tornozelo há quase 3 anos e acho que a decisão está tomada há alguns meses porque ganhei muita qualidade de vida no tratamento, mas não consigo voltar a jogar em alto nível. Eu chego aos 32 anos muito realizado do que conquistei, fiz metade da minha vida na Europa, 16 anos de carreira, lógico que assusta um pouco falar que estou me aposentando com 32 anos, mas foi uma decisão tomada com muita tranquilidade e com apoio da minha família.

O que pretende fazer agora?
Ainda é tudo muito recente, eu tenho alguns projetos na minha cabeça, algumas coisas engatilhadas também, mas quero ficar um tempo curtindo meu filhão, a minha família, a minha cidade. Depois tenho projetos dentro do futebol, onde fiz muitos contatos, joguei em vários clubes, morei em muitos países, pretendo sim continuar dentro do futebol, só não escolhi ainda qual área, se na área de representação, de gestão…

Tinha vontade de voltar para Floripa? 
Eu não tinha intenção de morar em Floripa agora, a tendência era ficar mais na Europa até porque foram 16 anos morando lá, minha mentalidade é europeia, meus amigos estão lá, mas decidi ficar por um tempo aqui. Eu sempre vim pra Floripa nas minhas férias, era tudo muito intenso, eu tinha um mês para aproveitar meus amigos, familiares e às vezes não conseguia. Agora estou aproveitando realmente como cidadão florianopolitano, mas sem descartar a possibilidade de voltar para a Europa porque estou sentindo falta.  A qualidade de vida que temos lá não sei se consigo aqui.

E tem jogado uma “pelada” com os amigos?
É até engraçado porque meus amigos estão convidando para bater uma bolinha e eu não estou querendo ultimamente, é até estranho, um cara que jogou 16 anos profissionalmente e agora está sempre inventando uma desculpa, mas não me deu aquela vontade ainda, estou dando um tempo.

Quais as boas e más lembranças do futebol?
Tenho tanto boas como ruins. Começando pelas piores foi minha lesão assim que cheguei na Itália. Para um menino de 18 anos que não sabia nem falar o idioma uma fratura que o afasta por um ano do futebol impactou muito. Meus pais queriam que eu voltasse para o Brasil, mas eu criei uma força na hora, era meu sonho, tive uma força que nem eu sabia de onde vinha e hoje não me arrependo. E momentos bons tive muitos quando cheguei na Espanha, minha época no Granada, no Benfica em Portugal onde ganhamos todas as competições do país e depois minha ida para o Atlético de Madrid foi com certeza a cereja do bolo porque ali eu cheguei no mais alto nível da minha carreira profissional.Disputar uma competição como a Liga dos Campeões é hoje o sonho de qualquer atleta.

Seleção brasileira era um sonho?
Sempre foi um sonho mas nunca me incomodou o fato de não ter representado a seleção brasileira. Sempre soube do meu momento e do momento atual da seleção. Na minha posição a seleção sempre esteve bem servida, então isso nunca me tirou o sono.

guilherme siqueira
Foto Diórgenes Pandini

Como foi morar longe dos seus pais tão jovem?
Foi difícil principalmente porque no quesito tecnologia não estávamos tão avançados. Hoje é muito fácil falar com alguém do outro lado do mundo, naquela época tinha só aquelas cabines telefônicas. Lembro que eu morava no alojamento e tinha até 23h pra ficar fora, mas no Brasil eram 5h a menos e meu pai chegava do serviço 18h, então eu pulava o muro pra conseguir ligar e fingia que estava no meu quarto porque se eu contasse para a minha mãe que estava no centro de Milão às 23h30 da noite ela não ia gostar nada.

Hoje você incentivaria seu filho a ser jogador?
Eu vou apoiar ele em qualquer decisão profissional, não vou puxar para o lado do futebol porque sei que é desgastante, complicado, mas quero que ele esteja bem, e se ele se interessar pelo futebol vai ter total apoio. Quero que ele escolha o melhor para ele e naquilo que ele escolher eu vou apoiar.

O que gosta de fazer agora que está de folga?
Adoro receber gente em casa, fazer churrasco com os amigos, receber meus pais, coisas de um jovem que não curtiu aos 16 anos e está colocando em prática agora (risos).

Assista ao vídeo com a entrevista completa:

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