“Homens me desafiaram, mas provei que sou capaz”, diz empresária de sucesso

Conheça a história da empresária de Brusque que começou com seis funcionários e hoje emprega 600 pessoas

Rosa Maria é uma “empresa de médio porte com ideia de empresa grande”. Essa definição é oferecida pela sócia-proprietária, Onesia Adriana Liotto, que desde 2004 está à frente do negócio têxtil com foco em moda fitness e esportiva.

Do início amador até a profissionalização, saiba como o empreendimento familiar conseguiu firmar-se no mercado e tornar-se responsável pela geração de centenas de empregos em Brusque, Santa Catarina.

Os primeiros anos

Onesia tem formação contábil e, até então, só havia trabalhado em instituições financeiras. A convite da irmã e do cunhado, que abriram a Rosa Maria em 2001, ela virou sócia da empresa familiar ainda jovem.

Mesmo tendo certa bagagem profissional, empreender exigiu dela um aprendizado muito maior.

— Quando resolvi entrar na sociedade, foi um desafio muito grande porque tive de aprender muitas coisas, desde gerir pessoas a trabalhar com planejamento — relata Onesia.

Nessa época, a Rosa Maria trabalhava com coleções e tinha um foco diferente do atual. Os três sócios empregavam seis funcionários e desenvolviam a coleção, levavam as peças na costureira, embalavam e entregavam por conta própria.

— Foi um momento bem amador. Apanhamos muito, mas nunca tivemos preguiça de trabalhar. Corríamos atrás, procurávamos negócios e atendíamos pessoas a qualquer hora. Éramos sempre os primeiros a chegar e os últimos a sair — confessa a empreendedora.

Com o passar do tempo, os sócios empreenderam na moda fitness, nicho em que a Rosa Maria especializou-se. Dezoito anos depois, hoje a empresa funciona em um parque fabril de 1.800 metros quadrados com capacidade produtiva de até 300 mil peças por mês. O segredo para o sucesso, garante Onesia, está na profissionalização do negócio.

A busca pelo amadurecimento

Reconhecendo o amadorismo inicial, a sócia conta que a principal mudança na forma de gerir o negócio foi profissionalizar as pessoas, as áreas e os próprios diretores. Assim, a Rosa Maria evoluiu e não tem mais cara de empresa familiar, Onesia afirma.

— Aqui dentro os sócios são o diretor comercial, a diretora financeira e a diretora de produção. É assim como nos tratamos e é assim como os funcionários nos veem.

Foram necessários muitos cursos, palestras e até voltar para a faculdade para alcançar essa profissionalização. Um desses cursos fundamentais para o desenvolvimento da empresa foi o de Gestão de Indicadores e Resultados (GIR), do Sebrae/SC.

Sem esperar a transformação que logo teriam, os sócios receberam a visita do Sebrae/SC para verem a proposta do GIR. Então, conhecendo os setores que seriam trabalhados e a metodologia do projeto, tiveram certeza de que a participação seria boa para a empresa.

— No mesmo dia já decidimos participar e foi muito bom termos decidido isso, porque deu um norte para a nossa vida — diz Onesia.

O GIR é composto de workshops, intensa consultoria e encontros empresariais que propiciam a implantação de um modelo de gestão baseado em indicadores e metas. Com isso, é possível ter controle sobre os dados do negócio e decidir o futuro das atividades com foco no crescimento.

— O programa é muito fácil de aplicar, então para o dia a dia isso é ótimo. Não queremos números complexos, tabelas complexas para ficar alimentando… Queremos números simples, fáceis de identificar e de analisar para tomar decisões rápidas. É muito importante ter números — e números corretos — para poder decidir o rumo da empresa. Sem planejamento, não vamos a lugar algum.

Apoio a quem gera empregos

Além dos indicadores de resultados, muitas coisas que estavam por definir na Rosa Maria, desde missão, visão e valores até algumas funções na empresa, foram desenvolvidas graças ao programa do Sebrae.

Para quem já precisa lidar com tantas dificuldades ao empreender, toda ajuda é bem-vinda. Como empreendedora e mulher, Onesia ainda encontrou outros desafios pelo caminho.

— Ser uma mulher empreendedora não é fácil, mas não sou uma pessoa que baixa a cabeça. Discuto de igual para igual com qualquer homem e, se eu não tiver conhecimento para aquilo, eu me preparo. Sei que alguns homens me desafiaram, mas fui lá e provei que sou capaz — conta.

Segundo a própria sócia, ela sabe o que tem de fazer, vai lá e faz para o bem do negócio, mas sem esquecer o aspecto humano. Ela se esforça para que as pessoas gostem de trabalhar na empresa e que se sintam felizes lá.

— Diretamente e indiretamente, empregamos 600 pessoas. Em um País com tantas pessoas desempregadas, nos dá orgulho poder proporcionar que elas tenham uma qualidade de vida melhor. Isso me move mais que qualquer coisa.

Onesia reflete assim um dos maiores potenciais do empreendedorismo: ao evoluir a si mesmo e ao seu negócio, o indivíduo desenvolve a sociedade.