Homens na dança? Claro que sim!

Bailarino Guilherme Gatti. Foto Guigo Fernandes

Muito se fala hoje sobre masculinidade tóxica, aquela que julga quando um homem “foge” dos padrões lastimáveis de uma sociedade antiga. Frases como “homens não choram” ou “isso não é coisa de homem” estão perdendo força graças ao discernimento, bom senso e queda de alguns preconceitos.

Pude testemunhar algumas histórias que me fizeram acreditar no respeito entre as pessoas, independente das escolhas de vida a serem tomadas. Eu fui prestigiar o 37º Festival de Dança de Joinville, o maior festival de dança do mundo, com mais de nove mil participantes. Um verdadeiro espetáculo. Lá eu conheci muitas pessoas e histórias incríveis que me deixaram surpreendidos. Vários garotos e homens empenhados na dança. Cada um com um objetivo diferente, mas todos numa mesma busca: conectar-se consigo mesmo através do movimento e ritmo. E sim, dançar é para homem sim!

– A dança envolve sentimentos, emoções e liberdade. Quando estou no palco e escuto, de olhos fechados, o som dos aplausos, essa é melhor sensação e prêmio do mundo – disse o bailarino argentino Christian Lopez, 34 anos, participante pela primeira vez do festival.

Bailarino Christian Lopez. Foto Guigo Fernandes

Ele começou a dançar por hobbie quando pequeno, e após receber o convite de uma amiga para ingressar num grupo de danças folclóricas argentinas e logo após na dança contemporânea, fez do passatempo profissão.

– Alguns amigos torceram o nariz, dizendo que dançar era coisa de gay, mas eu nunca dei muito valor a esse tipo de comentário. A orientação sexual independe da escolha de uma profissão e ser bailarino e professor é algo tão simples como ser médico ou advogado – disse o bailarino que é heterossexual convicto.

Com passos precisos e uma expressão facial marcante. Christian arrancou elogios de todos os que o assistiam.

O preconceito de que a dança não é para homens ainda é tão marcante, tão presente, que isso acaba atrapalhando e pode influenciar negativamente o desenvolvimento de pessoas com talentos inquestionáveis. Mesmo sendo homessexual, o bailarino Guilherme Gatti, de Guarulhos, tinha esse preconceito consigo. Após passar pelas suas próprias barreiras, Guilherme começou a dançar aos 14 anos na Igreja e foi evoluindo, até se formar em ballet clássico. Hoje dá aula desta modalidade e de street dance. Seus pais sempre o apoiaram na sua escolha e isso acabou o incentivando a buscar mais e mais. Sua apresentação no festival foi fantástica e lá recebeu muitos elogios.

O gosto pela arte e musicais fez com que o ator mato-grossense Guilherme Bogo, se interessasse pela dança. Com apenas 22 anos, Guilherme fez aulas de ballet, jazz e até dança com tecidos acrobáticos. Com passos dinâmicos, leveza, mas com uma força e dedicação incríveis, o bailarino arrancou palmas de todos presentes. Na minha opinião, a melhor apresentação que assisti!

Bailarino Guilherme Bogo. Foto Guigo Fernandes

– Mas não é tão simples quanto parece. Eu tenho apoio dos meus amigos, mas minha mãe não me apoia 100%, porque acha que não conseguirei sobreviver da dança, do ponto do vista financeiro. Nunca sofri preconceito por escolher dançar, mas ainda há uma falta de incentivo que impede que muitos alavanquem na carreira.

Muitas histórias e ainda muitos preconceitos. É preciso parar com velhos costumes e rótulos que só diminuem sonhos e o respeito entre as pessoas. Homens podem cari na dança sim, porque dança é vida. A masculinidade de cada um não pode ser posta a prova desta maneira. Aliás, de maneira alguma! A busca pela felicidade e pelo autoconhecimento deve prevalecer.

Ano que vem tem mais festival, e convido você a prestigiar e permitir que o ritmo te envolva. Analise os movimentos, divirta-se, deixe-se levar e perceba que isso tudo envolve paixão e sonhos e isso é muito grande para ser sufocado por um mero machismo.

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