Tá na Hora do Café: Paula Varejão fala sobre as tendências de consumo da bebida no Brasil

Paula Varejão, foto divulgação

Jornalista e apresentadora do programa “Tá na Hora do Café”, exibido pelo canal Mais Globosat, Paula Varejão é filha de produtor cafeeiro e sempre esteve inserida no mundo do café. Para seu programa, visitou os principais produtores no Brasil e viajou por 8 países, mostrando um pouco das tendências e cultura do café em diferentes regiões.

Paula estará neste dia 24 de maio, Dia Nacional do Café, em um bate-papo gratuito às 19h30min no Café Cultura da Lagoa com o tema: “Terceira Onda do Café e as Tendências de Consumo da Bebida no Brasil”.

As ondas do café são etapas ou evoluções da bebida ao longo dos anos. A primeira delas aconteceu quando as pessoas começaram a beber café fora de casa; a segunda veio com grandes marcas que surgiram para popularizar e criar um padrão de qualidade personalizado. A terceira onda surgiu com foco no alto padrão e na busca cada vez maior do consumidor por cafés de qualidade.

Em entrevista exclusiva, Paula conta um pouco sobre a terceira onda, as preferências de café do brasileiro, inclusive a própria, e costumes interessantes no consumo da bebida em diferentes países.

Estamos na terceira onda do café, onde o consumidor está mais exigente em relação à qualidade e forma de apreciação da bebida. Na sua opinião, qual a preferência atual do brasileiro em relação ao café que consome?

Sim, estamos na terceira onda. Esse movimento está muito forte em alguns lugares do mundo como Londres, Sydney e Japão, mas aqui no Brasil estamos no início. O consumo de cafés especiais cresce 20% ao ano, mas esse consumo representa apenas 3% do todo. As coisas estão mudando e rápido, até porque o paladar não regride. Uma vez que o consumidor experimenta um produto de melhor qualidade não quer voltar atrás. Entretanto no Brasil como um todo o maior consumo ainda é o café tradicional extraforte.

Na nova temporada do seu programa “Tá na Hora do Café”, do canal Mais Globosat, você viaja por vários lugares do Brasil e do mundo. Qual lugar mais te intrigou e surpreendeu na forma que lida com a cultura e o consumo do café?

A Indonésia. Lá, eles têm o costume de tomar café no pires! Numa cidade chamada Yogyocarta, na Ilha de Java, a moda entre os jovens é passar a noite tomando uma bebida que mistura café, leite condensado e uma pedra de carvão fervendo dentro, o chamado Kopi Joss. Eles não coam o café, apenas misturam o pó na água. Ainda em Java, eu tive a oportunidade de subir em um vulcão que tem o maior lago ácido do mundo na sua cratera, lindo. A produção de café ficava na encosta do vulcão. Neste mesmo dia, à noite, fui recebida por um ritual do café com pessoas dançando fantasiadas de pássaros e senhoras que faziam um som impressionante ao bater com toras de madeira no chão. Uma delas fazia a torra do café artesanalmente, numa bandeja grande de madeira. Ainda na Indonésia, mas na Ilha de Flores, as plantações de café mais parecem florestas. Eles nunca podaram os pés e não usam nenhum tipo de insumo. Os pés de café são centenários e para a produção, eles contam apenas com a vontade de Deus. No país é comum ver pés de café também ao lado das casas. Eles secam o café na própria varanda, muito diferente.

Qual o seu café preferido e como gosta de apreciá-lo? Como tem contato com o mundo do café desde pequena, notou alguma evolução no próprio paladar e gosto pessoal? Alguma memória afetiva gostosa?

Responder qual o meu café preferido é muito complicado. O Brasil tem muitos bons cafés. Gosto muito de cafés mais frutados, como os do Caparaó e da Chapada Diamantina.

Me lembro de tomar café conilon puro com meu pai na varanda da fazenda em canequinhas coloridas de acrílico. Até hoje fazemos isso. O conilon é a espécie de café que produzimos. Depois de conhecer tantas fazendas produtoras de cafés especiais, recentemente implantei a melhoria da qualidade do nosso conilon lá na fazenda. Ficamos em segundo lugar no concurso de qualidade da região lancei um blend especial, que contém conilon especial com um arábica especial do Caparaó. Acho interessante levantar a bandeira que café especial não precisa ser 100% arábica, mas isso é um pouco polêmico.

Arriscaria algum palpite sobre o que poderíamos esperar de uma “quarta onda”, ou seja, quais as tendências do setor para o futuro?

Uma mudança que represente uma nova onda pode ser quando o consumidor começar a torrar o próprio café em casa. Em Bali, entrevistei um cara que me apresentou um torrador portátil muito bacana. Entretanto a maioria das pessoas ainda nem moe o café em casa. Acho que uma quarta onda ainda vai demorar um pouco. Precisamos antes consolidar a terceira, com o consumo de cafés especiais e valorização da origem.

Serviço:

  • Bate papo: “Terceira Onda do Café e as Tendências de Consumo da Bebida no Brasil”.
  • Quando: Dia 24 de maio
  • Onde: Flasgship Café Cultura: Rua Manoel Severino de Oliveira, 635 – Lagoa da Conceição – Florianópolis
  • Horário: A partir das 19h30min
  • Evento gratuito e aberto ao público com vagas limitadas por ordem de chegada

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