Horário em que comemos pode interferir na saúde e no peso, sugere estudo

Além de cuidar o que ingerimos, é preciso avaliar quando ingerimos

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Pesquisador sugere que a alimentação seja feita em um prazo de até 12 horas. Foto: Andréa Graiz / Agencia RB

Comer a cada três horas, fazer jejum ou apenas se alimentar quando sentir fome: quando o assunto é alimentação, não faltam orientações sobre como proceder para perder peso ou até evitar doenças. A novidade, agora, é uma pesquisa que relaciona o que ingerimos com o ritmo circadiano do corpo (o chamado relógio biológico).

Conduzido pelo pesquisador Satchidananda Panda, autor do livro The Circadian Code (“O Código Circadiano”, em tradução livre), o estudo explorou o funcionamento do fígado de ratos. O que foi evidenciado é que os animais que comiam ao longo de 12 horas eram mais magros e saudáveis na comparação com aqueles que se alimentaram das mesmas calorias, porém por períodos mais prolongados.

Dessa forma, defende o professor do Salk Institute, nos Estados Unidos, tão importante quanto prestar atenção no que se come é abrir os olhos para quando se come. Conforme a teoria de Panda, pessoas que acordam às 8h, poderiam ter a saúde beneficiada caso comessem até, no máximo, 20h.

De acordo com Panda, se isso for comprovado em seres humanos, a descoberta pode ser uma chave importante no tratamento para doenças como diabetes e obesidade.

— Quer dizer que, assim como há um momento ideal para dormir, há um momento ideal para comer, estudar, fazer atividade física. O que estamos descobrindo é que nosso corpo é voltado para digerir alimentos e absorver nutrientes apenas de oito a 10 horas por dia — no máximo, 12 horas talvez. Fora deste período, o nosso relógio circadiano vira a chave, e o nosso corpo entra num modo diferente para recuperar, restaurar e rejuvenescer — disse o pesquisador à BBC.

Outro achado de Panda foi que o ritmo circadiano também media o sistema imunológico. Em ratos, a falta de uma molécula circadiana crucial fez com que os animais apresentassem altos níveis de inflamação, o que indica que moléculas e genes relacionados ao relógio biológico podem ser alvo de drogas para tratamento de doenças ligadas a inflamações, como infecções e até câncer.

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