Camille Reis: Quem é Rafa Dias, o cara por trás dos youtubers catarinenses que bombam na internet

Rafa Dias – Foto Felipe Carneiro

Foi observando o sucesso que muita gente estava fazendo na internet que o catarinense Rafa Dias resolveu criar um programa na web. Formado em cinema e televisão no Canadá, ele trabalhava como diretor na então famosa MTV quando se deu conta que já não assistia mais TV em casa. Passou então a entrevistar os novos ídolos revelados pela rede e a articular contatos dentro do Google.

Com um faro aguçado para negócios, conseguiu autorização do YouTube para montar uma rede de canais, a única certificada no Sul do Brasil. Três anos depois, a Dia Estúdio reúne cerca de 30 canais que juntos somam mais de 70 milhões de visualizações por mês. Rafa não revela nomes, mas garante que tem youtuber faturando R$ 1 milhão por ano.

Grande parte do sucesso se deve à capacidade dele de profissionalizar e “vender” esses talentos. Nesta entrevista, Rafa Dias fala sobre sua trajetória, o fato de ele mesmo não ter se tornado uma celebridade da internet e sobre o que espera do futuro.

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Quando você resolveu investir no YouTube?
Eu trabalhava na MTV e me dei conta que só assistia os programas que dirigia pela internet porque nunca estava em casa nos horários em que passavam na TV. Também comecei a ver marcas cancelando contratos e fazendo ações com influenciadores digitais. Daí, resolvi criar o Programa de 1 Cara Só, onde comecei a entrevistar e conhecer a história dos youtubers que faziam sucesso e vi o quanto aquele mercado dava dinheiro. Também fiquei fascinado com o fato de poder fazer um programa do meu quarto que podia ser visto por 100 mil pessoas.

E de onde veio a ideia de ter uma rede de canais?
Eu fui visitar a minha sócia atual, a Andressa (Mafra), que estava morando na Califórnia e consegui uma agenda no Google. Naquela época, o YouTube não tinha escritório no Brasil e não existia nenhuma network aqui. Lá, eu entendi quais eram os requisitos de audiência e investimento e vi que não atendia a nenhum. De volta ao Brasil, decidimos montar uma produtora de vídeos e acabamos criando cinco canais de conteúdo. Logo em seguida fui mediar um evento do Google, em São Paulo, e eles disseram que iriam me credenciar como rede, sem custo nenhum, porque enxergavam o potencial. A partir daí, começamos a trazer canais, o Depois das Onze foi o primeiro deles, porque com o credenciamento toda a monetização que passa pelo canal é dividida entre a gente e o criador.

Como hoje grande parte do nosso faturamento não está na internet, ela é só a vitrine. Então, amanhã a gente pode ter outra vitrine e o negócio continua de pé”

Dos 30 canais que fazem parte da rede hoje quantos são fortes?
Metade deles trabalha de fato, fecham campanhas com valores interessantes, dão retorno financeiro. São canais como Luba, Depois das Onze, Rizzih e Louie Ponto.

Muita gente procura vocês querendo entrar para a rede?
A gente recebe uns 200 e-mails por dia de pessoas querendo colocar o canal aqui, mas no ano passado a gente até tirou uns 10 canais que faziam parte da rede, mas não estavam crescendo por vários motivos e também não respondiam ao nosso feedback. Agora voltamos a colocar outros. A nossa produção seleciona e o departamento comercial avalia se eles de fato podem gerar negócio.

Que tipo de assessoria vocês dão aos youtubers?
A gente faz o cara ganhar dinheiro com aquilo. Quando uma agência nos procura precisando de um youtuber ou um influenciador digital para uma campanha, a gente leva esses nomes. Também acompanhamos os trabalhos para ver se o contrato está sendo cumprido, para que o artista não se exponha, é um acompanhamento artístico de gerenciar carreira, para a pessoa não errar.

E como ganham dinheiro?
De várias maneiras. Com aquele anúncio que passa antes dos vídeos, por número de visualizações dos vídeos e também fora da internet. Grande parte do faturamento dos youtubers hoje é em função da fama deles, são pessoas que vendem camiseta, fazem presença em eventos.

Eu sou muito estrategista, gosto de pensar em como fazer, planejar, ter ideias, então, eu prefiro criar”

Você não tem receio que essa onda passe?
Como hoje grande parte do nosso faturamento não está na internet, ela é só a vitrine. Então, amanhã a gente pode ter outra vitrine e o negócio continua de pé. A gente não depende nem 10% dos anúncios que passam antes dos vídeos, então, se isso deixar de existir não vai ter grande impacto.

Recentemente você retomou o seu programa. De alguma maneira se sente frustrado por ele não ser um fenômeno de audiência?
De jeito nenhum, eu faço um programa de entrevista que não tem perfil de massa. Além disso, sempre quis ser diferente e ter uma network é muito diferente. Eu sou muito estrategista, gosto de pensar em como fazer, planejar, ter ideias, então, eu prefiro criar e depois “toma que o filho é teu”. Há dois anos eu fui o personagem apresentado pelo Google num encontro anual de CEOs, mostrando como a Dia ajudava os talentos. Isso pra mim é o mais fascinante, ver que a gente muda a vida das pessoas.

Camille Reis

Jornalista e colunista da Versar e Diário Catarinense, entrevista personalidades catarinenses e nacionais para falar sobre carreira, moda, comportamento, estilo.

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