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Com alguns cuidados, o convívio com animais melhora a sociabilidade e o desenvolvimento das crianças

Com alguns cuidados, o convívio com animais melhora a sociabilidade e o desenvolvimento das crianças

O mito de que bebês e animais de estimação não podem conviver já caiu por terra há algum tempo. Especialistas, inclusive, indicam que as crianças tenham contato com bichinhos de uma forma segura. É uma maneira de criar laços afetivos e, até mesmo, melhorar a sociabilidade. A Sociedade Brasileira de Pediatria considera que a posse responsável dos animais pode ser muito positiva para a criança, inclusive ajudando em processos terapêuticos.

A terapeuta Babi Einsfeld, 40 anos, é mãe de Otto, de três, e tutora de três gatos e um cachorro. O menino convive com os pets desde o nascimento. E, no condomínio onde moram, em Florianópolis, tem até um cavalo, com o qual ele também está acostumado.

Para a mãe, dividir o espaço com bichinhos de estimação só tem ajudado. Otto é especial e tem um problema degenerativo, cujo sintoma é a ataxia cerebelar, ou seja, dificuldade em coordenar os movimentos do corpo. Ela conta que os animais “entendem” que muitas vezes os carinhos são mais intensos e acabam pedindo ajuda dela. Babi garante que nenhum deles nunca o machucou, ainda assim, sempre está atenta. Tanto que os cuidados são mais para evitar que o menino, na empolgação, acabe machucando os pets.

– Percebi que os animais ajudam o Otto a ser mais amável e a se sociabilizar. Se eu brigo com algum deles, o Otto chora, ele sente muito carinho pelos bichinhos – conta.

Antes e pouco depois de Otto nascer, um dos gatos, Yago, percebeu a mudança e passou por algumas crises de estresse, nas quais, ele arrancava os próprios pelos. Em busca de diagnóstico, pensou que se tratava de um problema de pele. Meses depois, após uma série de tratamentos, com ajuda de uma veterinária, Babi procurou um especialista em comportamento animal que a orientou sobre algumas mudanças que poderiam ser feitas na casa.

– Depois da visita do veterinário, instalamos prateleiras e observamos o que acalmava o Yago. Após iniciarmos tratamento, recebemos a indicação de procurar um veterinário comportamental – explica Babi.

Hoje, Otto e Yago convivem bem e dormem juntos, assim como o restante da família. Babi conta que continua cortando regularmente as unhas dos gatos e dá banhos semanalmente no cachorro. A paixão da família por animais é tanta que o gatinho Nando foi adotado para fazer companhia a Otto, pois Yago já está velhinho e quase não aguenta o pique do pequeno.

Gabriela Althoff, que trabalha com mídias digitais e planejamento de eventos na capital catarinense, está no terceiro mês de gravidez. Aos 29 anos, espera o primeiro filho e já está preparando os dois gatos para a chegada do bebê. A família planeja mudar de apartamento e Gabriela acredita que a adaptação será mais fácil, pois os animais estarão em um ambiente novo.
– Quando posso, deixo eles dormirem fora do quarto para que não associem essa mudança à chegada do bebê, que deve dormir comigo no quarto no início – considera Gabriela.

Otto ainda bebê com Yago – Foto Arquivo Pessoal

Cuidados

A médica pediatra Rosamaria Medeiros e Silva, vice-presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria, recomenda a interação entre bebês e animais domésticos de uma forma saudável e segura. Para ela, pode ser um vínculo afetivo importante para o desenvolvimento da criança, desde que sejam tomados alguns cuidados.

– Evite contato direto dos bebês com os animais. É importante manter uma distância segura, sempre com vigilância de um adulto, para evitar riscos de lambeduras, mordeduras, arranhaduras e infecções – explica a médica.

É importante tomar cuidado no contato dos pets com objetos do bebê, que devem ser higienizados. A limpeza da casa também é necessária para evitar contaminação da criança com pelos e fezes, por exemplo.

Como é a adaptação

Para a veterinária Gisele Alabora, especialista em felinos, adaptar os animais à chegada dos bebês é importante. Um dos cuidados é deixar os animais cheirarem os pertences da criança, inclusive talcos e shampoos.

– Os pais ficarão mais tempo no quarto com o bebê e, para que os bichanos não se sintam excluídos dessa convivência, deve-se também criar esta rotina. É indicado que os pais tentem passar alguns períodos no quarto onde ficará a criança e, nesse tempo, o pet fique do lado de fora, afinal, ninguém quer o gato participando da troca de fraldas subindo no trocador ou o cão fuçando na lixeira – completa a veterinária.

Outra dica fundamental é manter as vacinas e as visitas periódicas do bichinho ao veterinário. Controle de parasitas, como vermes e pulgas, além da vacina antirrábica são indispensáveis.
Para a aproximação, a veterinária recomenda que os pais coloquem um paninho com o bebê, já na maternidade, e depois o coloquem em contato com o pet. Assim, o animalzinho já vai se acostumando com o cheiro da criança.

– Quando estiver com o bebê e com o pet, agrados e recompensas são bem-vindas. Mantenha uma rotina de brincadeiras e passeios com o bichinho de estimação, para que ele não se sinta abandonado ou excluído. Conforme a criança for crescendo, é importante também mostrar os limites do pet, puxar rabo e orelha pode ser perigoso, a defesa é instintiva no animal. Ensinar a criança a dar carinho vai fazer deles grandes amigos – completa.

Otto Schlottfeldt  e mãe Babi Einsfeld – Foto Marco Favero, Diário Catarinense

Tire suas dúvidas

Como preparar o pet para receber o bebê?
Mesmo antes da chegada do bebê os pets já perceberão as mudanças na rotina e na própria casa. É importante ir adaptando o cão e/o gato para estas novidades colocando-os em contato com os novos objetos e também “perfumes”. Eles devem cheirar berço, carrinho de passeio, brinquedos e até mesmo os talcos e shampoos.

E após o nascimento?
Animais podem assustar-se facilmente com o choro de bebês, mas os pais podem acostumá-los aos poucos a esse novo ruído, colocando gravações do chorinho de bebês para eles ouvirem de vez em quando desde o início da gestação. Outro ponto importante são as visitas. Alguns gatos podem ter medo até mesmo da campainha. As caixinhas de areia, pratinhos de comida e água também devem ser colocados em local mais reservado. Preparar esconderijos e “rotas de fuga” para o gato mesmo antes da chegada do bebê fará ele se sentir mais seguro. Há também no mercado pet importantes aliados para dar essa sensação de segurança e bem-estar para nossos amigos peludos, que são os produtos com feromônios felinos e caninos.

Grávidas podem conviver com gatos?
Gatos são carinhosos, sociáveis e extremamente limpos. Existe muito preconceito relacionado aos gatos por causa da tão temida toxoplasmose, mas isso ocorre por falta de informação. Na verdade, as chances de infecção diretamente do gato são quase nulas e a doença é facilmente evitada.

Bebês podem brincar ou dormir com os pets?
O ideal é sempre seguir a orientação do pediatra. Mas sabe-se que nos primeiros meses não é aconselhável, conforme a criança for crescendo o contato pode ir aumentando. A interação com os animais é extremamente benéfica para as crianças, aprendem noções de respeito, cuidado, amor e ainda há alguns estudos que dizem que o convívio favorece o sistema imunológico.

Fonte: Veterinária Gisele Alabora, especialista em felinos

Medidas de segurança

Antes de adotar um animalzinho, leve em consideração alguns fatores.

Raça
Informe-se com um veterinário sobre as raças mais adequadas e mais mansas. Deve-se ter atenção aos cruzamentos feitos em canis, porque podem gerar animais perigosos.

Comportamento
Observe o comportamento do animal antes de levá-lo para casa. Cães agressivos, independentemente da raça, não devem ficar em casa que tenha criança. Animais castrados geralmente são menos agressivos.

Adestramento
O cão necessita de treinamento, socialização e educação, orientados por pessoa habilitada. Nunca se deve estimular a agressividade do animal e, sim, comportamento submisso. As brincadeiras com as crianças devem ser supervisionadas por adultos.

Orientações
Ensine as crianças que não se deve importunar os bichinhos, principalmente durante a alimentação, o sono, se tiver filhote novo ou se estiver com aparência de doente. Não se deve puxar as orelhas, as patas e o rabo; nunca colocar o dedo nos olhos do animal; não tomar brinquedo do pet. Se houver provocação ou agressão, mesmo o animal de raça dócil poderá morder.

Saúde
Não é recomendado beijar ou ficar com o rosto perto do animal. É importante manter as vacinas em dia, cuidar da higiene e da saúde dos pets. Não é recomendado que cães durmam com crianças nem façam as refeições com
a família.

Fonte: Ricardo Jukemura e Vera Lucia Venancio Gaspar, Sociedade Brasileira de Pediatria

Carol Passos
Editora assistente da Versar, borda, escreve e edita

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