Cinema: “Thelma” retrata o despertar de uma adolescente pelo viés sobrenatural

Por Andrey Lehnemann

Adolescentes passando por repressão sexual em famílias cristãs conservadoras foram tema de muitos filmes impactantes nos últimos anos. Casos como Alena, A Bruxa e, agora, Thelma podem até passear pela abordagem sobrenatural em alguns momentos, mas o seu terror está na proposta verossímil.

Thelma, afinal, é uma garota norueguesa comum. Filha única de um casal de religiosos, cresceu em um lugar pouco expressivo e acaba de se mudar sozinha para Oslo (capital da Noruega), onde começa a cursar a universidade. Introvertida, ela tem dificuldades para se aproximar dos colegas e criar amizades. Uma jovem (Kaya Wilkins), transpassa essa barreira e, inconscientemente, ajuda a desencadear eventos que vão clarear o passado misterioso de Thelma, desmontando uma personalidade bem peculiar. É aí que a válvula cinematográfica se desenvolve.

Para todos os efeitos, no cinema, é compreensível que uma adolescente se descobrindo, escondendo sua verdadeira natureza dos pais, acabe explodindo em alguma hora. A forma como a explosão se sucede é que difere. Thelma pode não ser diretamente um filme de gênero. Mas a atmosfera de repressão em tempos atuais assusta, pois está ligada ao contexto.

Em uma das cenas mais lindas do filme, a personagem principal experimenta o prazer em uma alucinação despertada não pelas drogas, mas através de uma manifestação involuntária de tesão. A serpente que adentra seu corpo, como se o pecado estivesse se estabelecendo ali, a afasta do que sempre a reprimiu – a religiosidade.

Já do ponto de vista paterno, alguma coisa está errada com a personagem. Não se sabe bem o que é até certo ponto da narrativa. A cena inicial já demonstra o pai apontando com temor a arma para sua própria filha, como se soubesse de algo que o espectador ainda não sabia. Quando descobrimos o que Thelma realmente é, o filme cresce. Porque talvez ela seja mais humana do que qualquer daquelas pessoas que se assustavam com ela um dia poderiam ser.
Ela quer se amar. Thelma quer ser livre. E agora já sabe como. Seu “dom”, que jamais é explicado friamente nas cenas, apenas mostra o caminho que ela precisa seguir para ser ela mesma, custe o que custar.

A descoberta da verdadeira identidade de Thelma proposta pelo longa, o quarto dirigido pelo dinamarquês Joachim Trier, vincula o sobrenatural, mas os elementos de horror da obra são cúmplices da natureza humana. Jamais ilógicos. Se Carrie (1976), de Brian De Palma, fosse feito nos dias atuais, suspeito que ele seria algo similar a Thelma.

Onde assistir

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Rodovia José Carlos Daux, 8.600, Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis – (48) 3239-7777.

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