Arte em tempos de intolerância: cantora Juliana D Passos prepara a nova temporada do projeto Macumbaria

Criada em uma família umbandista, a cantora Juliana D Passos até tentou negar suas raízes, mas não teve jeito: a temporada 2018 de seu espetáculo Macumbaria, que exalta a religiosidade e a musicalidade da cultura negra, estreia neste domingo, no Teatro Álvaro de Carvalho, na Capital. Confira o nosso papo:

O que é o Macumbaria e como ele nasceu?

É um projeto de inclusão social das religiões de matriz africana e também da cultura negra, do folclore e tudo que a envolva. Estreou em 2015, em Florianópolis, e nasceu da minha vontade de fazer um show em homenagem aos orixás. Depois de mais de 15 anos cantando na noite, queria algo que me representasse mais. A parte musical dele é baseada na minha vivência musical, tem disco, soul, blues, hip hop, samba, toda essa parte da música negra. A gente oferece um ritmo musical para cada orixá ou entidade. Hip hop para Ogum, forró pra Oxum. É um motivo de orgulho esse projeto.

E como você se interessou pela umbanda?

Desde pequena, eu tinha essa vivência das religiões. Mas fui evangélica antes e me tornei umbandista depois. Trago isso também no show. Eu era evangélica porque eu fugia da umbanda. Pensava: “Deus me livre de ser macumbeira”. Mas eu sabia que tinha essa missão. Eu canto gospel no espetáculo para mostrar essa transição. A forma de você levar a espiritualidade é a mesma, só a afinidade que muda. Fiquei um bom tempo sendo evangélica, mas minha afinidade é mesmo com a umbanda. Me pegou mais o coração.

Assista à entrevista completa: 

Em tempos de intolerância religiosa, qual a importância de trazer esse tema?

Justamente pela repressão. Nesse momentos, é bom entender que a gente não deve ser tolerado, e sim respeitado. O show traz esse orgulho de você dizer que veste essa camisa, pratica essa religião, que não está fazendo barulho e sim louvação aos orixás, dentro de um horário permitido por lei. O macumbaria é a representatividade desse orgulho. Orgulho de mostrar a beleza que tem a religião, e toda a cultura e folclore que tem nela.

Como o projeto é recebido por quem não é da umbanda?

É interessante porque quem não é diz: “não entendi nada, mas achei lindo”. Em algum momento as pessoas se emocionam. Os ritmos são populares aos ouvidos. São músicas que se cantam em terreiros, louvações, mas que quando são ouvidas com a banda são mais bem aceitas.

Macumbaria

Domingo (14), às 20h
TAC – Rua Marechal Guilherme, 26, Centro, Florianópolis
R$ 80 /R$ 40 (meia) – 2º lote, via Sympla. Quem doar 1 litro de leite ou uma lata de leite em pós tem 50% de desconto

 

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Yasmine Holanda
Jornalista, vegetariana, feminista. Já foi a tia do rolê mas hoje é baladeira. Já escreveu sobre moda, cultura e entretenimento. Ama a França, doces, vinhos, drinks e o verão.

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