Sandro Clemes: como a ciência e a cultura constroem nossa percepção de cor

Trem das cores: pesquisa apurada na composição cromática do projeto de Juliana Pippi. Foto: Marco Antônio

Historiador da cor, o francês Michel Pastoureau ensina que a relação que os ocidentais têm com as cores foi muito influenciada por categorizações teóricas criadas a partir dos estudos do espectro da luz conduzidos por Isaac Newton, em 1666. Cores primárias, secundárias, análogas, complementares …

Construtos que guardam método e rigor científicos,  mas que são eminentemente artificiais. Várias regras de composição cromática, porém, advém desses conceitos. Não foi sempre assim. No Renascimento, por exemplo, o azul não era classificado como a cor fria dos tempos atuais, mas usado como um tom caloroso sempre associado a cenas de júbilo, iluminação espiritual e prazer – azul, uma cor quente.

Olhos coloridos

Quem disse que vermelho, azul e amarelo pesam ao olhar? Que é preciso sempre misturar alguma cor primária a uma secundária para se obter equilíbrio cromático? Verde e amarelo é um duo “brasileiro demais”? A ciência e a cultura constroem nossa percepção de cor, para muito além do que captam nossos olhos.

Onde não há pecado, nem perdão

Espectros de cor: a natureza decomposta nos matizes do site designseeds.com. Foto: Design seeds

Na natureza, as combinações de cores são infinitas e isentas de artificialidade. Elas têm, entretanto, razão de ser: cumprem uma função, seja ela de proteção ou sedução,  e resultam de combinações físico-químicas. Em www.designseeds.com, a designer  Jessica Colaluca decompõe imagens do mundo natural em paletas libertárias e inspiradoras, e atesta o valor elevado do olhar sensível sobre a vida. Vale a visita.

Cor em casa

As “cores do ano” são apresentadas por institutos de pesquisa de tendências comportamentais e de consumo. Interessante, mas  é preciso perceber o viés comercial dessas eleições, tão rotineiras e efêmeras. Novas  nuances até então indisponíveis em tintas, tecidos, papéis de parede e outros materiais são muito bem vindas. Contudo,são apenas opções a mais num vasto universo colorido. Adote-as se você se identifica com essas novidades, se elas falam sobre sua personalidade e se conectam de verdade com seus valores estéticos.  Senão, não.

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Sandro Clemes

Designer de formação, Sandro será o radar na área de decoração, arquitetura e design trazendo os principais acontecimentos – com destaque para dicas de décor – que estão ocorrendo em SC, no Brasil e no mundo.

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