Prestes a gravar Especial em SC, Piangers esclarece polêmica sobre palestra no Dia da Mulher

Piangers
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Jornalista, colunista da Revista Versar e pai mais famoso do Brasil, o catarinense Marcos Piangers se prepara para gravação do Especial sobre paternidade em Blumenau, neste sábado e domingo. Serão realizadas três sessões durante o final de semana, duas já estão quase esgotadas.

A filmagem é parte de um documentário baseado em histórias do best-seller O Papai É Pop. No projeto, Piangers pretende gravar depoimentos de pais por todo o Brasil sobre os desafios e as delícias da paternidade atualmente. A previsão do lançamento do longa é agosto deste ano.

Marcos Piangers conversou com a equipe Versar sobre o projeto, a vida de pai, o câncer da irmã e a polêmica sobre sua palestra no Dia da Mulher. Confira:

Da onde surgiu a ideia de gravar um Especial?

Desde 2016 temos viajado o mundo contando histórias de pais e filhos, de mães valentes e pais que perceberam a importância de participar. No final do ano passado percebi que precisava registrar isso em vídeo. Juntamos dezenas dos melhores profissionais catarinenses para realizar não só a gravação do especial, como um documentário que vai captar depoimentos de pais anônimos e famosos de todo o Brasil.

Seus textos e vídeos são conhecidos nacionalmente. Quem mais você espera alcançar com esse Especial?

Eu recebo tantos depoimentos de tantas pessoas que se dizem transformadas. São pais que voltaram para casa depois de abandonar a família, homens que passaram a ser mais participativos, pacientes e atentos, mães solteiras que se sentem consoladas e incentivadas pela história da minha mãe, crianças que se emocionam com as histórias e passam a valorizar mais os pais. Com esse especial nossa ideia é registrar histórias minhas e de outros pais, pra continuar espalhando essa mensagem e, quem sabe, mudar um pouquinho o mundo.

Desde que começou a dar palestras e viajar pelo Brasil, você sentiu uma mudança de atitude por parte dos pais nos últimos anos?

Cada geração tem seus desafios. Muitos dos nossos avós ainda lutavam para que os filhos apenas sobrevivessem; nossos pais queriam conseguir um bom emprego e que nós nos formássemos, tivéssemos estabilidade; nossa geração tem nos ombros a responsabilidade de estar rodeada de muita informação, de ter que acertar em tudo, alimentação, saúde, educação, tecnologia. Percebo sim que pais tem se interessado mais, lido mais, se esforçado mais para acertar. Sou otimista. Todo pai é um otimista.

Se sim, você se vê como um agente que contribui para estas mudanças?

Todos os dias recebo dezenas de depoimentos nesse sentido. Pais que, agora, brincam de boneca com as filhas; mães que passaram a ser mais pacientes; homens que respeitam mais as mulheres e conseguem ver a beleza de criar um filho de perto. Mas acredito que sou só uma parte da mudança. Cada vez mais os homens discutem seu novo papel na sociedade, as famílias percebem a urgência de não tercerizar a educação dos filhos para tablets e para a escola.

Na coluna “escrever com o coração”, que está de emocionar, diga-se de passagem, você conta as vezes em que pais chegaram até você para agradecer à sua mensagem. Qual a sensação de perceber o poder da escrita?

Recebo todo final de semana fotos da minha coluna no caderno. Pessoas que leem, se emocionam, compartilham a foto do jornal nas redes sociais. É um sopro de esperança, enche meu coração de alegria. Vivemos em uma época em que muitas das conversas nas redes sociais são agressivas, desrespeitosas. Poder falar de coisas positivas e receber feedbacks é emocionante. Recomendo, aliás. Se os hatter virassem lovers veriam como a vida pode ser mais leve.

Houve uma polêmica em relação a uma palestra sua no Dia da Mulher, em Porto Alegre. Muitas mulheres criticaram o convite por roubar o lugar de fala, já que era um dia em homenagem a elas. O que você achou e pensa sobre isso?

Recebi o convite para palestrar com renda revertida para uma ONG de combate ao câncer. Sempre faço palestras beneficentes e raramente digo não para uma oportunidade como esta. Minha irmã está com câncer de mama. Não pensei duas vezes. Quando postaram o anúncio da palestra, a data (8 de março) causou desconforto. É um dia de luta, não de homenagens. Cancelamos a palestra e devo palestrar em benefício da ONG em outra data, ainda este ano.

Qual o próximo passo na carreira? Podemos esperar mais um livro por aí?

Não tenho planos. Neste último verão passamos dois meses em Floripa, acompanhando o tratamento da minha irmã e indo à praia todos os dias. O próximo passo da minha carreira é poder fazer isso mais vezes, perto das minhas filhas, até ficar velho e morrer. Vai ter sido uma vida boa.

Serviço

Gravação do Especial “O Papai É Pop”
Onde: Teatro Carlos Gomes Endereço (Rua XV de Novembro, 1181, Centro – Blumenau)
Quanto: R$120 (inteira) e R$60 (meia-entrada), à venda no Blueticket.

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