Vire a maré contra o plástico: campanha com foco em sustentabilidade promove cuidado com os oceanos

Objetivo é estimular a diminuição do consumo de produtos plásticos que poluem os mares 

O conceito “ownership” é muito utilizado no mundo dos negócios. Em inglês, o substantivo significa “propriedade”, “posse”, “domínio” e, no ambiente corporativo, sugere a apropriação de um problema ou responsabilidade. Ou seja, tem a ver com entender que determinada tarefa é sua e que cabe a você trabalhar para alcançar o melhor resultado possível.

Estudos publicados pela ONG Greenpeace apontam que o equivalente a um caminhão de plástico é jogado nos oceanos por minuto, todos os dias. A estimativa é de que até o ano de 2050 exista mais plástico do que peixes nos mares do planeta Terra. A cultura de embalagens de uso único (copos, canudos, potes, pratos…) é insustentável. O plástico está impregnado em todos os níveis da cadeia alimentar marítima e acabando com a vida de peixes, tartarugas e golfinhos e inúmeros outros animais marinhos.

E o que o Greenpeace e o termo ‘’ownership’’ têm em comum? A resposta é uma equação simples. O nível do sentimento de responsabilidade pelo ambiente em que vivemos é diretamente proporcional às atitudes que são tomadas para preservá-lo. Chegou a hora de todos os cidadãos do mundo assumirem a responsabilidade pela crise marítima. É preciso entender que a tarefa de proteger o ecossistema deve ser compartilhada por todos e, por isso, é necessário um esforço conjunto para obter o melhor resultado possível.

O assunto é sério, mas as ações que precisam ser tomadas não exigem investimentos milionários, coletivos gigantescos ou a criação de novas ONGs. É claro que todas essas ações são importantes e ajudam mudar o cenário atual, mas ações simples, quando aderidas por todos, são essenciais para proteger o meio-ambiente.

Evento sem descartáveis

Com o objetivo de combater a quantidade de lixo nos oceanos do mundo, a ONU lançou em 2017 a campanha “Mares Limpos”. Essa ação tem sido apoiada por instituições públicas e privadas ao redor do mundo que pregam mudanças nos padrões de consumo. Um exemplo é a Volvo Ocean Race, que vai passar pelo Brasil, em Itajaí, e fazer da regata um evento sem descartáveis.

O principal problema trabalhado pela campanha é a quantidade de resíduos plásticos descartados. 720 milhões de copos são usados no Brasil. Quatro copos por pessoa a cada dia e, destes, apenas 3% são reciclados após o uso, apontam estudos realizados pela Associação Brasileira de Limpeza Pública (ABRELPE).

A Volvo Ocean Race criou uma cartilha com formas de evitar a poluição dos mares com o descarte de plásticos. Elas são fáceis e podem ser aderidas por qualquer um.

  • Não use canudos. Caso necessário opte por canudos de metal ou vidro;
  • Sacolas retornáveis são essenciais;
  • Opte por condimentos como ketchup e maionese em garrafas de vidro;
  • Compre comidas que não sejam embaladas em plástico;
  • Tenha sua xícara de café;
  • Caso você compre comida no restaurante para levar para casa, tenha seus recipientes de vidro ou outro material reutilizável a mão;
  • Não use tampa de plástico no seu café;
  • Evite comprar brinquedos plásticos,
  • Escolha alternativas às lâminas de barbear e escovas de dente  plásticas;
  • Use sabão em barra e não sabão líquido;
  • Crie ou faça parte de um grupo de limpeza de praias;
  • Tire lixo da praia toda vez que você for a uma;
  • Faça lobby político e crie grupos que advoguem por mudança;
  • Use lenços umedecidos biodegradáveis.

Na edição 2017-18 da regata profissional mais longa e difícil do mundo cada um dos 65 barcos da Volvo Ocean levará o nome da campanha “Turn the Tide on Plastic” (“Vire a maré contra os plásticos”), chamando atenção para a questão ao redor do mundo. A Vila da Regata, em Itajaí, estará montada dos dias 05 a 22 de abril de 2018. Os primeiros barcos chegarão no dia 08 de abril.

Internacionalista, é especialista em marketing digital, atuou como consultor em processos de conteúdo para empresas do Brasil, EUA, Europa, Austrália e África do Sul.

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