Sandro Clemes: arquitetura e design com causa e compromisso

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O valor da vida: kintsugi é a modo japonesa de reparar cerâmicas quebradas com uma mistura de cola e ouro (ou prata), evidenciando a história do objeto. Foto: theodisseyonline.com/divulgação

Poder consumir bens num mundo onde quase tudo custa bem mais que trinta dinheiros, certamente proporciona ao consumidor experiências significativas de conforto, bem-estar e fruição estética. Mas, as práticas refletidas de consumo são a cada dia mais relevantes se desejarmos uma vida melhor para além de nosso microcosmo pessoal. Conjugar qualidade, preço, responsabilidade social e ambiental são imperativos éticos para a cadeia industrial – E PARA NÓS. Na arquitetura, no design, na decoração, na casa e na rua, refletir sobre atos aquisitivos e em suas consequências faz com que tomemos decisões mais coerentes, que provavelmente resultarão em menos e melhores compras.

A BELEZA DA IMPERFEIÇÃO
Wabi-sabi é o conceito oriental que ensina o valor das marcas deixadas pelo uso e a história dos objetos. Rachaduras, desgastes, manchas tornam únicas as peças, precisamente o oposto do que é comum no ocidente, onde o novo e o intacto simbolizam cuidado e status, fazendo girar a avassaladora roda de produção e acumulação de bens. Preservar o que se tem, prestar atenção no estado das coisas que estão à nossa volta é reconhecer o valor tangível, mas também o imaterial, impresso nelas; entender que esses índices de avaliação podem se elevar por causa das impregnações simbólicas e afetivas das marcas do tempo é subverter a lógica perigosa do consumo desmedido e irresponsável.

Em Red Squares (2017), Carolina Bedoya costura um mosaico de panos descartados para desenhar uma tapeçaria sustentável. Foto: Divulgação

SEM MAIS DESPERDÍCIOS
Feiras de design voltadas ao mercado da arquitetura e da decoração têm, sim, como principal objetivo, estimular o mercado consumidor através de lançamentos de produtos – de milhares deles. Contudo, esses eventos, por vezes, contam com programas paralelos de mostras, exposições e discussões sobre temas importantes da vida contemporânea. No Salão do Móvel de Milão, 2018, na Itália, a companhia têxtil Eileen Fisher apresenta a instalação Waste No More que, em tom crítico, traz objetos de parede, estofaria e acessórios para casa, hospedagem e espaços públicos feitos com tecidos procedentes de roupas usadas descartadas e sobras da indústria da moda. Com curadoria de Lide Edelkoort e Philip Fimmano, o evento mostra possibilidades de um modelo circular de economia, em que o descartado se renova através do design. Para fazer pensar sobre o uso demasiado veloz de recursos naturais, o excesso de artigos descartáveis, o estímulo a práticas comerciais injustas.

Divulgação

AGENDA
Mostra Desterro Desaterro arte contemporânea em Santa Catarina
Quando: de 18 de abril a 22 de julho de 2018, de terça a domingo, das 10h às 21h
Onde: MASC – Museu de Arte de Santa Catarina (Av. Governador Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: gratuito
Classificação indicativa: livre

 

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