Sandro Clemes: cafeterias de Florianópolis unem arquitetura e design para proporcionar boas experiências

Nós, brasileiros, somos fãs de café. Somos o segundo maior consumidor mundial da bebida, precedido apenas pelos Estados Unidos. E as projeções da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) indicam uma tendência consistente de crescimento desse mercado nos próximos anos. As cafeterias são lugares onde buscamos pela bebida especialmente preparada. Mas, queremos mais que o café em si. É então que a boa arquitetura e o bom design são chamados para propor novas experiências aos nossos sentidos, contar histórias, despertar memórias e insights, fazer-nos sentir bem no lugar onde estamos. O método desse preparo inclui um conceito original de negócio, apuro técnico de projeto, sensibilidade, dedicação, muito trabalho e paixão pelo café. Que o bom aroma e a arquitetura nos inspirem. Confira cafeterias de Florianópolis que unem arquitetura e design para proporcionar boas experiências aos clientes:

SINTAXE ESPACIAL

Permeável: a relação entre interior e rua valorizada nas soluções projetuais do Arbor Café (Foto: Arbor/Divulgação)

A fachada de vidro com esquadrias negras foram usadas propositalmente para escurecer o interior. Dentro a combinação de placas cimentícias, madeiras claras e mobiliário com estruturas de vergalhão deixam o ambiente mais confortável. No projeto do Arbor Café, no centro da Capital, a interlocução entre o espaço público e o privado está presente, além da permeabilidade da fachada, também no mesão coletivo do térreo, nos grandes vazios das circulações e no sotaque urbano dos móveis soltos. Além de um cardápio com dezenas de preparações de café, os sócios Paulo, Simone e Fernando oferecem cursos sobre a bebida. Ah, e atenção ao item de primeira necessidade no mundo atual: as várias tomadas distribuídas em todas as bancadas, para ligar/carregar os gadgets.

LOFT

Cosmopolita e regional: décor de base neutra reúne peças de acervos pessoais e o expertise de artesãos ilhéus no novo Café Cultura (Foto: Café Cultura / Divulgação)

A primeira flagship store do Café Cultura ocupa uma área de 400m² no centro da Lagoa da Conceição. Referências à estética lofty, às casas de família e à cultura ilhoa se coordenam para despertar sensações de acolhimento e pertencimento aos visitantes. Os espaços estão repletos de objetos pertencentes aos sócios do empreendimento, em meio a sofás de couro, tapetes orientais e plantas. Luminárias pendentes executadas por artesãos da Capital usam sacas de café como principal matéria-prima. A notícia boa é que é pet-friendly, os animais de estimação têm espaço pensado para frequentar o local.

GABARITO

Frescor cool: madeira de reflorestamento, cores neutras e uma icônica estante-luminária no Bossa República. (Foto: Divulgação)

Linhas limpas que criam um eixo de ocupação ortogonal orientam o olhar no Bossa República, churreria e café que serve todas as refeições do dia, em Palhoça. Contemporâneo com perfume retrô, o espaço é marcado por uma leve e robusta estrutura metálica que abriga cubos luminosos de acrílico, nichos abertos e fechados que compõem uma original estante-luminária.

MOVIMENTO NATURAL

Passa-e-leva: o balcão branco do Leve Cafeína, emoldurado pelo “portico” de madeira da fachada, no qual já está fixado o cardápio da loja. (Foto: Divulgação)

A primeira cafeteria take-away (você compra seu café especial e acompanhamentos artesanalmente produzidos e leva embora, pois não há lugar para sentar) de Florianópolis fica no calçadão da Rua Felipe Schmidt, uma das principais vias de pedestres do Centro. Esse caráter urbano define a estética clean e amigável do exíguo corredor, que mescla madeira natural e preto na fachada, cerâmica branca e metal negro no interior.

CAPELA

Café-conforto: múltiplas referências e narrativas contadas com delicadeza no Empório Capella. (Foto: Divulgação)

Outrora uma capela, hoje um café. Na subida do morro que leva à Lagoa da Conceição, o Empório Capella, inaugurado em junho do ano passado, reúne cafeteria, bar e jardim em espaços de estética cozy e eclética, com elementos que vão do gótico ao nouveau, do barroco ao industrial. A passarela vai do estacionamento à edificação com alva fachada original em estilo germânico restaurada e segue junto à uma plantação de maracujás e jasmins. À noite é iluminada por mais de mil LEDs alimentados por energia solar. No interior, garimpos vintage reforçam o clima afetivo da composição, que harmoniza madeiras, ferro forjado e ladrilhos hidráulicos
mineiros com um teto negro.

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