Todos os tons e texturas da madeira

Natureza-viva: ergonomia, gesto artístico e respeito ao mundo natural marcam o mobiliário público criado por Hugo França. Foto: Hugo França / divulgação

Ideal lenhoso

São os resíduos florestais e os urbanos – árvores tombadas pela ação do tempo ou do gênero humano – as matérias-primas do trabalho de Hugo França, o porto-alegrense que cria esculturas mobiliárias que mesclam design e arte numa perspectiva ecológica.
As formas, buracos, rachaduras e marcas de queimada originais dos troncos são o ponto de partida para os gestos escultóricos que resultam em ergonômicos bancos para praças, parques e vias publicas.

Calor refrescante: no projeto de Amin Wendhausen Arquitetura, hall com banco e cabideiro em madeira natural que exalam um aconchego rústico e estão bem acompanhados da parede de tijolos maciços pintados e do piso em placa vinílica. Foto: Amin Wendhausen Arquitetura, Divulgação

Madeira Forever

Dos entalhes do clássico mobiliário francês concebido entre os séculos XIII a XVI até a madeira vergada característica do design escandinavo… Da delicadeza atemporal dos móveis do luso-brasileiro Joaquim Tenreiro até a força gestual da natureza revelada pelas esculturas de Hugo França… Das lâminas recompostas às madeiras preciosíssimas do francês Oscar Ono… Do artesanato mineiro ao estádio olímpico de Tóquio projetado por Kengo Kuma… A madeira é, praticamente, uma unanimidade. Todo mundo se sente bem na sua presença. Sempre foi assim, sempre será.

Madeira, porque sim

Use madeira, pois ela…

• É saudável, antialérgica e higiênica
• Promove conforto térmico e acústico
• É versátil quanto à aplicação em soluções construtivas e de mobiliário interno e externo
• É confortável ao toque e aos olhos
• É bela, apresentando muitas variedades de cores e padrões e permitindo diversos tipos de acabamento
• É de fácil manutenção
• É leve e de fácil manuseio, o que reduz o tempo de construção
• Diminui resíduos no canteiro de obras
• É sustentável por ser um material natural, reciclável e renovável
• Requer baixo consumo de energia para sua produção, muito menor do que materiais como tijolo cerâmico, concreto, aço e alumínio
• Quando certificada, durável ou de reflorestamento, contribui para a redução do efeito estufa, ao promover a renovação das florestas e a redução da emissão de CO2 na atmosfera.
• Apresenta excelente custo-benefício, dados os seus atributos de durabilidade, fácil conservação e multiplicidade de aplicações.
• Reduz o tempo de construção; promove a diminuição do tempo e de resíduos no canteiro de obra

Sente só: o banquinho Cala, do Estúdio Cruzeta, é pura madeira e tem um original assento bipartido com leve inclinação que assegura conforto. Foto: Estúdio Cruzeta, divulgação

Madeira boa

Madeira-addiction: integração de natureza e arquitetura no projeto do escritório Amin Wendhausen Arquitetura, que traz madeiras de origem controlada no pergolado e bancos de pinus e no piso de itaúba. Foto: Amin Wendhausen Arquittura, Divulgação

No Brasil, temos uma vasta diversidade de espécies botânicas que produzem belas e resistentes madeiras. Cumaru, cedro, freijó, angelim, ipê, roxinho, peroba, canela, sucupira… Não por acaso o mobiliário mais representativo da cultura brasileira, de norte a sul do país, é executado em “lenho”. Utilizando a madeira maciça como matéria-prima de suas criações, o arquiteto em formação Tiago Escher comanda, desde 2016, o Estúdio Cruzeta, em Florianópolis. O catálogo de peças do ateliê inclui cadeiras, bancos, mesas, aparadores, suportes de vasos e outros complementos para a casa. O design autoral de Tiago, que executa pessoalmente cada item, ganha corpo através de técnicas clássicas de marcenaria, e seus resultados aglutinam frescor e tradição, artesania
e apuro formal.

Madeira D.O.C

A madeira tem propriedades físicas surpreendentes que a tornam um material muito versátil. Flexível e resistente, termicamente confortável, moldável e esteticamente valorosa. Por sua origem, ela desperta nas pessoas uma sensação de conexão com o mundo natural, de pertencimento e acolhimento. Claro, a exploração desenfreada deste recurso ao longo de séculos já provocou a extinção de várias espécies. A necessidade constante de revisão de métodos produtivos e de práticas de consumo em relação ao uso das madeiras na arquitetura, no mobiliário e na decoração está posta. Recurso natural renovável e reciclável que é, a madeira acompanha a evolução de nosso jeito de habitar desde priscas eras. Seu consumo massivo, porém, interrompe o tempo real de sua gênese e maturação, e avança, inconsequente, sobre toda a oferta possível dessa matéria-prima. Conhecer a procedência das madeiras que compramos, seja para a construção civil, seja em móveis, objetos ou revestimentos, é importantíssimo numa vida contemporânea responsável.

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