Grupo da Capital vai representar o Brasil com dança russa na final do Torneo Universal Dance na Argentina

As meninas irão apresentar o espetáculo na final do Torneo Universal Dance na Argentina

Fotos: Ricardo Wolffenbüttel

Nos próximos dias a Rússia receberá a atenção de todo o mundo, mas a aproximação de Santa Catarina com o país que recebe a Copa 2018 se estreitou com a chegada da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, no ano 2000. Foi a primeira vez que a famosa escola de Moscou, em 224 anos de história, transferiu a outro país o método de ensino de balé que a tornou uma das instituições mais respeitadas do mundo.

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Não é somente pelo balé clássico que a Rússia é conhecida. As danças folclóricas são muito populares no país e se destacam pela plasticidade e perfeição de passos.

E é com a junção do clássico e do tradicional que um grupo de dança de Florianópolis está se destacando. Formado por onze bailarinas, entre 9 e 13 anos, o grupo irá representar o Brasil na final do Torneo Universal Dance, final sulamericana, na cidade de Córdoba, na Argentina, em novembro.

A seletiva que as classificou para a competição aconteceu na Capital catarinense, no início deste mês. Mas, essa não foi a primeira vez que o grupo apresentou a coreografia Dança Russa. Coordenado pela professora Victoria Pedace Scatena, formada na escola do Bolshoi, o grupo já apresenta este espetáculo desde o ano passado em mostras e competições. Formada no início do ano passado, o grupo foi idealizado pela paulistana de 23 anos que chegou em Santa Catarina aos 12 para ingressar na unidade da escola russa, em Joinville. São os ensinamentos aprendidos no Bolshoi que a professora repassa para suas alunas.

– Ganhamos outra competição com essa coreografia. Em novembro, ficamos em primeiro lugar no Encontro Catarinense de Dança, que aconteceu também aqui em Florianópolis – diz Vitória.

– Acredito que o principal ensinamento é a disciplina. Elas precisam se dedicar muito para conseguir seguir no balé. E esse grupo é muito disciplinado, embora sejam todas muito novas. Essa disciplina, assim como aprendi no Bolshoi, se estende em outras áreas da vida. É um comprometimento com tudo.

Seletiva
O grupo foi um projeto da professora, que há quatro anos leciona na Cenarium Escola de Dança, em Florianópolis. Percebendo o empenho de algumas alunas, Victoria organizou uma seletiva, na qual uma banca avaliadora selecionou as meninas com o melhor desempenho para formar o grupo Ballet Júnior Cenarium.

– Esse grupo tem uma carga horária de treinamento maior. Elas normalmente realizam a aula normal e depois ainda ensaiam as coreografias. É um treinamento bem intenso, são 3h30min, de segunda a sexta. E eventualmente aos sábados, véspera de apresentações.
A coreografia que as premiou na categoria dança folclórica, foi desenvolvida por Victoria para o evento de final de ano da escola. Como o tema era países, a bailarina resolveu homenagear a Rússia, cultura com a qual ela tinha certa aproximação, já que sua formação foi no Bolshoi.

Além de coreografar a Dança Russa, a professora ensaia com o grupo as coreografias Amigas de Clara e Bailarinas de Degas.

– Essas coreografias estamos apresentando há mais tempo, também já recebemos premiações com elas. Agora começamos também com apresentações solos, mas ainda não participamos de nenhum campeonato com eles.

Dedicação
O currículo de conquista para um grupo formado há apenas um ano e por meninas tão novas é fruto de muito esforço. Sofia, de 10 anos, já sonha em ser bailarina desde muito cedo, e se dedica para isso. A mãe Priscilla Marques Papalardo, comenta orgulhosa sobre o empenho da filha.

– Ela adora. Nunca é um esforço, ela faz dança todos os dias. Além do balé clássico, ela faz outras modalidades. Treina inclusive quando está com bolhas de sangue no pé.

A família está de mudança para o Rio de Janeiro, mas Sofia retorna para os ensaios e irá acompanhar o grupo na apresentação em novembro, na Argentina.

– Ela vai treinar com as meninas e vai com elas para competição. É merecimento dela.

Conheça algumas danças folclóricas russas
Troika: Nessa dança um trio formado por um homem e duas mulheres, imitam o empinar de cavalos puxando um trenó ou uma carruagem. O trio dança de mãos dadas e executam movimentos como a roda, caminhadas, e fazem com que um dos dançarinos passe por baixo dos braços dos outros dois. É uma dança cheia de vida e energia, que simboliza claramente o estilo de vida alegre dos russos.

Berioska: Mulheres trajadas com longos vestidos dançam utilizando o típico “passinho”, seus troncos ficam imóveis, os braços fazem movimentos suaves e seus pés se movimentam de maneira que elas parecem estar deslizando sobre o palco. A dança é inspirada nas camponesas russas. A coreografia leva o nome da árvore berioska, que se desenvolve nas regiões frias da Rússia. Por ser uma árvore esguia e de galhos flexíveis, é comumente comparada à mulher, com sua postura e delicadeza. Nesta dança as bailarinas levam em suas mãos um ramo da árvore e um lenço branco.

Kalinka: Kalinka é uma conhecida canção folclórica russa. Foi escrita pelo compositor Iván Petróvich Lariónov em 1860, sendo interpretada pela primeira vez em Sarátov como parte de uma obra teatral que ele tinha composto. Os cantores e bailarinos muitas vezes entram em uma frenética celebração de canto e dança enquanto representam esta canção. A dança em Kalinka é uma mistura do sapateado russo com muitos giros e movimentos ligeiros. Os grupos de dançarinos podem ser formados por casais ou apenas por mulheres que seguram um pequeno lenço nas mãos.