Loco por Vino: conferimos uma fazenda de jamón e provamos a verdadeira paella espanhola

Saindo de Madrid, fomos de trem até Sevilla, de onde saímos diretamente para a legendária cidade de Jerez de la Fronteira. Lá conhecemos os incompreendidos vinhos Sherry, e que surpresa!

O processo de produção e envelhecimento do Sherry ou Jerez somente pode ser feito numa única área conhecida como triângulo de Jerez, composto por três cidades: Jerez de La Frontera, Sanlúcar de Barrameda e El Puerto de Santa Maria. Feitos principalmente com as uvas Palomino e Pedro Ximenéz e seguindo o complexo sistema de “solera e criaderas”, provamos os fabulosos vinhos Sherry da emresa Lustau.

São vinhos fortificados e licorosos, produzidos com dois diferentes métodos de envelhecimento.


BIOLÓGICA – Onde uma camada de fermento natural, chamado flor, cobre o vinho com uma capa e o protege do oxigênio.

OXIDATIVA – Onde o vinho fica em contato com o ar dentro do barril, que tem capacidade para 600 litros porém é preenchido com somente 50o, deixando o vinho “respirar”.

Após classificado com o método de envelhecimento, o vinho inicia sua jornada através de um sistema chamado solera, onde é submetido, por no mínimo três anos, a sucessivas misturas (blends) e estágios de envelhecimento.

Os vinhos de Jerez basicamente possuem 8 diferentes estilos:

Fino – O tipo mais jovem e nobre. Apresenta o fenômeno da flor, normalmente são engarrafados com a idade entre cinco a oito anos, têm graduação alcoólica entre 15 e 18% e açúcar residual inferior a 5g/l. Sua cor é pálida, menos encorpado combinando muito bem com sushi.

Manzanilla – É o mais claro, seco e delicado de todos. Tem menos de 5g/l de açúcar residual e entre 15 e 19% de álcool. Conhecido por conter aromas do mar.

Amontillado – Praticamente um Fino envelhecido no qual a flor se dissipou. Isso ocorre naturalmente entre 8 e 12 anos de envelhecimento em madeira ou então a flor é ‘morta’, com fortificação acima de 16% de álcool, usando então as duas formas de envelhecimento, Biológica e Oxidativa. A cor varia de palha para âmbar, dependendo da idade que pode chegar até 60 anos em solera. O corpo é médio, tem menos de 5g/l de açúcar residual e teor alcoólico entre 16 e 22%.

Oloroso – Os vinhos envelhecem por oxidação e desenvolvem uma cor variando de âmbar a mogno. Lembram nozes, são mais encorpados com textura suave e teor alcoólico entre 17 e 22%. Naturalmente secos, são também disponíveis em um tipo mais adocicado.

Palo cortado – Um tipo raro que mescla as características do Amontillado e do Oloroso, muito valorizado. É seco e rico, com teor alcoólico entre 17 e 22%.

Cream – Um Amontillado ou Oloroso adoçado com uvas pedro ximénez ou moscatel. Doce, com açúcar residual entre 115-140g/l e entre 15,5 e 22% de álcool.

​Pedro Ximénez – Feito com uvas secas ao sol. Muito doce, com até 450g/l de açúcar residual e 15 e 22% de álcool.

Fotos: Loco por Vino

Saindo de Jerez, fomos diretamente ao Norte para a cidade de Huela, onde visitamos uma fazenda de jamón ibérico! Conhecer o processo de produção e ter uma degustação com vinhos locais que raramente são encontrados foi um privilégio.

Com o processo totalmente artesanal, deixando a natureza atuar no processo, o jamón fica com um sabor completamente diferente dos industrializados e vendidos em grandes escalas. ​O fungo, que cobre as patas e embutidos, absorve o ar ao seu redor e transfere sabor ao jamón, por isso a diferença de aromas das diferentes regiões. Quanto mais puro o ar e com árvores de qualidade ao redor, melhor a carne. Outra fonte de renda da fazenda está na venda da casca das árvores para fábricas de rolhas.

Antes de embarcamos para Barcelona, passamos por Valencia, onde degustamos a famosa Paella Valenciana, acompanhada de Sangria de Cava. Também visitamos a Catedral onde esta o Cálice de vinho mais famoso do mundo, o Santo Graal.

Próxima parada, Barcelona!