Adote o jejum existencial. Não para ficar magro, e sim para ficar leve

Foto: Arte ZH

Milhões de pessoas ainda sentem fome neste país, porém outros tantos milhões comem e ainda ficam acima do peso ideal. A fórmula para manter a boa forma não é segredo: alimentação balanceada + exercícios físicos. Mas, como se sabe, nada é tão simples, e mesmo quem não é gordo costuma penar para perder os famosos dois quilinhos extras – meu caso. Troquei o suco de laranja pelo suco de uva integral, tento evitar pão branco, procuro comer mais frutas e verduras, enfim, medidas paliativas que a gente adere quando o caso não é grave.

No momento, ando atraída pelo novo queridinho de quem ama dietas: o jejum intermitente, que consiste em passar 12, 14, 16 horas sem ingerir nada além de água. Não adote este jejum sem consultar antes um especialista. Estou trazendo o assunto porque sou das que acreditam que o corpo armazena nutrientes suficientes para manter nossa energia, mesmo sem a gente se alimentar por um longo período (volto a dizer, converse com um profissional) e também porque o tema serve de gancho para discutirmos outro jejum, e esse qualquer um pode começar agora mesmo. É o jejum existencial. Não para ficar magro, e sim para ficar leve.

As pessoas se empanturram de encrencas, sem levar em conta a inteligência emocional. Já ouviram falar vagamente a respeito, acham que todo mundo é beneficiado por ela, mas, na prática, continuam investindo no autoboicote, e dá-lhe vida pesada. Jejum é a solução. Jejum salva.

Passe 12, 14, 16 horas sem pensar que estão te perseguindo, sem fazer fofoca dos outros, sem criar confusão, sem levantar a voz, sem acreditar que é mais sabido que os demais, sem achar que o mundo lhe deve favores e reverências, sem chatear a humanidade. O que é um chato? Cada um tem uma definição. A minha: é aquele que acha que todos estão interessados no que, na verdade, só a ele interessa. Então, corte as minúcias, corte o egocentrismo, corte a soberba, corte a desconfiança, corte a brutalidade, corte a deselegância, corte a impaciência, corte a arrogância. O que sobra? Um cara querido, uma garota fácil de lidar, gente bem-humorada sem nariz empinado. O que sustenta essa gente? A autoestima. Ninguém precisa ser grosso para ser visto. Ninguém precisa ser exibido para ser amado.

Corte queixas, implicâncias e a tendência a rugir por besteiras. Não seja o terror das reuniões, o namorado estressado das festas, a sobrinha que faz longos discursos durante o churrasco, a vítima de sempre no grupo de whatsapp, o magoado eterno. Evite colocações inoportunas e não procure cabelo em ovo. Que ovo? Jejum! Por 12, 14, 16 horas seguidas, não crie caso. Duas vezes por semana, procure não ser tão pessimista, alarmista, ranzinza. Deixe o celular carregando em casa e vá dar uma volta a pé no quarteirão para descarregar-se. Emagrecer é difícil, perder peso não é.

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