JN 50 anos: relembre as cinco décadas de jornalismo do telejornal

Foto: TV Globo/Divulgação

*Por Júlio Boll

“O Jornal Nacional da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil novo, inaugura-se neste momento: imagem e som de todo o Brasil”. Com esta apresentação, Hilton Gomes, ao lado de Cid Moreira, estreou um dos telejornais mais respeitados de todo o país, no dia 1o de setembro de 1969. Exatos 50 anos depois, o JN iniciou um rodízio entre apresentadores de todas as afiliadas, aos finais de semana, para celebrar um dos marcos da televisão nacional.

Este clima de união de todos os Estados é o mesmo que promoveu a criação do programa. A ampliação da rede, graças à instalação de redes de micro-ondas pela Embratel, permitia a instantânea transmissão das imagens, o que estimulou a criação de um noticiário com informações dos quatro cantos do país. Em um primeiro momento, o então diretor de Jornalismo da Globo, Armando Nogueira, temeu pela qualidade da entrega, mas Walter Clark – um dos criadores do JN, que narra a experiência no livro O Campeão de Audiência (1991) –, foi muito claro em sua ponderação.

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“Nós vamos criar um grande impacto, Armando. Vai ser o primeiro jornal nacional do país, um estouro. Os problemas técnicos resolvemos com o tempo! Os caras mandam a matéria antes, você edita do jeito que quiser e depois exibe. Mas vamos pôr esse negócio para funcionar!”, narrou Clark no livro, ao lembrar uma das reuniões com Armando, no fim da década de 1960.

Ao longo dessas cinco décadas, o JN representou exatamente isso: apresenta a informação mais importante do dia, seja de onde for. Sempre com dois jornalistas na bancada (veja a linha do tempo na página seguinte), o telejornal também se preocupa em dar boas notícias. Em entrevista ao especial de 35 anos do noticiário, o atual âncora e editor-chefe William Bonner falou sobre a importância da variedade de conteúdo.

– Tem dia que realmente é difícil você fazer o Jornal, mas o que é possível fazer é você impor naquele cardápio uma ou duas coisas mais leves. (…) Porque elas existem. Ninguém aqui vai acreditar que, ao longo de 24 horas, dentro daquele cardápio de coisas mais importantes, só tenha tragédia e coisa ruim. Quer dizer, é uma forma de você se preocupar um pouco também em enxergar que há coisas boas, e dar todas as notícias – explicou o jornalista, formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), na emissora desde 1986.