Kiev, na Ucrânia, é o novo destino da moda na Europa

Foto: Arquivo pessoal

Quando falamos em Europa pensamos em Itália, Alemanha, França, Portugal… Pois a famosa “propaganda” não nos deixa ver a beleza de outros países, como por exemplo, a Ucrânia. Brasileiros e americanos que chegam pelo aeroporto internacional de Kiev, tem o direto de ficarem 30 dias de turismo, sem a necessidade de visto. Se a entrada não for por avião, o pedido de visto é necessário. Caso o período de estadia seja de até 48 horas, um visto de trânsito deve ser expedido. Note que Ucrânia não faz parte do tratado de Schengen, que abre as fronteiras entre os países Europeus, por um período de 90 dias.

Alguns fatores assustam os visitantes que pretendem conhecer a Ucrânia. A queda do voo MH17 da Malásia Airlines, derrubado por um lança mísseis ao leste do país, que matou 298 pessoas que estavam no Boeing, fez com que os EUA e alguns outros países, proibissem que seus aviões comerciais cruzassem o espaço aéreo ucraniano. O incidente aconteceu em uma pequena área de disputa que fica bem longe de Kiev.

Foto: Chernobyl-Tour.com

Ignorando a propaganda, aterrizamos em Kiev com um voo excelente que saiu de Vilnius, Capital da Lituânia — aliás outro lugar fantástico.

Sem saber, chegamos no dia da Independência do País, que é datado em 1991, juntamente com o fim da união Soviética, que foi um estado socialista que durou de 1922 a 1991, comandado por um partido comunista e com capital em Moscou.

O que vimos foi uma festa nas ruas, com direito a desfile do presidente, um povo patriota, lindo e feliz. Entre uma esquina e outra, igrejas, teatros, monumentos, monastérios, beleza para todos os lados.

Essa é a rua que vai fazer você perder algumas horas e gastar um dinheiro, principalmente se gosta de souvenirs, artes e antiguidades.

Foto: Arquivo pessoal

Nós achamos uma casa de antiguidades que vende artes sacras. O detalhe está em que as artes são todas originais e provenientes das igrejas locais, que foram fechadas devido ao regime comunista na antiga União Soviética, que pregava o Ateísmo. Com as igrejas fechadas, as artes caíram nas mãos de colecionadores e comerciantes que hoje vendem estas relíquias nas ruas de Kiev. Compramos uma imagem que data os anos de 1900.

Foto: Arquivo pessoal

No caminho, nos deparamos com um gramofone soviético, que vem em uma mala para viagem. Pronto, levaram meu dinheiro… Dica: Se for comprar algo mais antigo que 1910, precisa ter um documento da loja onde comprou. Não tínhamos e quase aprenderam o aparelho no aeroporto.

Foto: Arquivo pessoal

Na mesma rua está o restaurante mais famoso do país e que tenta conquistar a primeira estrela Michelin da Ucrânia. Se chama Kanapa, do chef Yaroslavl Artyuk. Provamos várias comidas típicas harmonizadas com vinho ucraniano, isso mesmo, a Ucrânia — assim como o sul da Russia — produz vinho.

​Que tal uma sopa de orelha de porco que é servida em um repolho?

Foto: Arquivo pessoal

Entre os vinhos tomamos alguns da marca Kolonist, a mais popular da Ucrânia, que produz 200 mil garrafas ao ano. Começando com um Chardonnay bem frutado, boa acidez, cítrico e produzido de uma forma que a barrica não influência muito no vinho. A fermentação parcial em carvalho e envelhecido apenas 6 meses em barricas francesas de 100 anos de uso. Para quem não gosta muito dos Chardonnay “melados” e amadeirados, é uma excelente opção.

E um bom estilo Bordeaux, com Cabernet Sauvignon e Merlot. A fermentação deste vinho é feita por maceração carbônica, 13.5% álcool e 9 meses em barricas francesas novas. Este 2013 tem um potencial de guarda de 7 a 9 anos.

Foto: Arquivo pessoal

Os vinhos na Ucrânia possuem um mercado bem estabelecido e uma história que data 400 anos antes de Cristo. Infelizmente no ano de 1986, 800km2 de vinhedos foram destruídos pela campanha Soviética contra o excesso de consumo de álcool.

Hoje, a Ucrânia exporta para vários países Europeus e América do Norte, tendo como uvas principais Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Chardonnay, Muscat, Pinot Gris, Traminer e Aligoté.

Existe também a produção de bons espumantes, chamados de Sovetskoye Shampanskove (champagne soviética) produzidos basicamente com Pinot Blanc, Chardonnay e Aligoté. Esta última é muito comum em Burgundy, onde produzem os famosos Crémant de Bourgogne.

Ficamos três dias em Kiev, suficiente, mas poderiam ser quatro. Em um destes dias, pegamos um tour para a famosa área “excluída”, Chernobyl.

Chernobyl voltou aos olhos do público após a série da HBO e de alguns documentários que mostram como a natureza é capaz de se recuperar.

O desastre nuclear que aconteceu em 26 de abril de 1986, no reator nuclear número 4, que faz parte da Chernobyl Nuclear Power Plant, perto da cidade de Pripyat, é considerado o pior acidente nuclear da história. Quase 70 mil pessoas evacuaram os perímetros da região, que tem previsão de estar livre de radiação em 2065.

Hoje existem tours que levam as pessoas dentro da área proibida. Medidores de radiação traçaram uma rota “segura” para o homem ficar um certo período de tempo.

Sugerimos que você pegue um tour privado ou de van, caso contrário, se for em grupos grandes, vai perder muito tempo no checkpoint (são dois) para entrar em Chernobyl. Passaportes são exigidos na entrada.

Atrás do monumento aos trabalhadores que ajudaram a estabilizar e limpar a área, está o reator de número 4, onde o acidente ocorreu. Ele é hoje chamado de sarcófago, pois foi enterrado para isolar a radiação.

Algumas medidas de segurança são necessárias para visitar Chernobyl. Bermudas, chinelo e mangas curtas são proibidos no passeio. Adicionais como máscara de radiação, botas, luvas protetoras e medidores de radiação, estão disponíveis no tour. Como a área é inabitada desde 1986, o maior perigo não é a radiação, mas sim a falta de manutenção na cidade, aumentando o cuidado onde se caminha e nos prédios que se pode entrar, pois as construções podem colapsar a qualquer momento.

Isto foi o que sobrou de um dos primeiros supermercados soviéticos.

A roda gigante de um parque de diversões, que jamais chegou a ser inaugurado, é um dos símbolos da cidade fantasma de Pripyat.

Outra estrutura que impressiona é o Duga Radar. Uma mega construção secreta que foi usada como proteção anti mísseis na era Soviética. A potência do radar era tamanha, que interferia em ondas de rádio em todo o planeta.

O almoço foi na cantina de Chernobyl.Ela foi construída após o acidente e toda a comida vem de Kiev, as batatas não são de solo radioativo, podem ficar tranquilos. Apesar de não ter o melhor visual, a comida é saborosa.

Depois do almoço, o tour continua mostrando antigas máquinas que ajudaram a limpar a cidade, outros prédios e inclusive pontos que passam a série da HBO.

Na saída da cidade você passa por medidores de radiação, e se tiver acima do limite, um oficial verifica onde está o foco (sapato, camisa, calçados). Detectado o “problema” o turista deve deixar a roupa afetada por lá mesmo. Nos passeios de um dia isso não acontece, pode acontecer com passeios de três a  cinco dias, onde o contato com a radiação é maior.

Foto: Arquivo pessoal

Se você não pretende ficar rolando no chão de Chernobyl, o passeio é seguro. A radiação de um dia que o turista é exposto (se andar na trilha e não tocar em tudo que vê), é equivalente a recebida em uma hora de voo em um jato.

Você terá a experiência de como estivesse dentro de um filme de Zumbis, estilo Walking Dead ou aqueles filmes pós apocalipse.

Mas o local não está morto! Aos poucos a natureza mostra seu poder de recuperação. Enquanto a área ainda levará décadas para poder ser habitada, Chernobyl é uma dos locais mais curiosos a serem visitados por turistas.

Vale a visita? Muito!!! Considero a cereja do bolo a uma trip em Kiev.

O hotel que ficamos em Kiev, extremamente Central, foi o Khreschtyk.

O aplicativo Uber funciona muito bem, apesar do táxi ser barato. Do aeroporto ao hotel, foram 35Km e saiu $20. Metro custa $0.35 dólares e é uma experiência interessante, por serem os mais profundos da Europa.

Se quiser um guia prático, baixe o app no site visitkyiv.travel e escolha uma das rotas de passeio que podem ser usadas no GPS, com áudio guia.

Dos países europeus, só nos falta conhecer Andorra, Bielorrússia e Moldova, e podemos falar com propriedade, Ucrânia merece sua visita!

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