Conheça Kisy Momoli, RP de alguns dos principais clubes de música eletrônica de SC

Há pouco mais de 10 anos, Kisy Momoli trocou um emprego estável na área da economia para trabalhar com festas

Kisy é uma das figuras mais queridas e profissionais da noite em SC. Foto: Rogério Amendola

Kisy Momoli chegou a cursar fisioterapia e a trabalhar no Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas, antes de ser relações públicas de um dos principais clubes de música eletrônica de Santa Catarina. Há mais de uma década, em uma época que poucos faziam isso no Estado, ela apostou na área, trocou o escritório pela noite, formou-se em marketing e virou referência. Dia desses, tomamos um café juntas e batemos um papo. Confira:

Como você começou a trabalhar na noite?

Trabalhava no Instituto Brasileiro de Economia, medindo indicadores econômicos. Era um emprego super sólido, com plano de carreira. Aí eu perdi meu pai e precisei me ocupar mais. Numas férias, fiz uma turma de amigas que trabalhava com promoção de eventos. Só que elas iam para as festas e às vezes não voltavam para trabalhar. Comecei a tapar furo delas como uma maneira de me distrair. Surgiu muito por acaso e eu fazia na amizade. E ali eu vi uma vocação. Eu já tinha uma tendência a me relacionar com o público, e isso voltou para a minha vida. Me chamaram para fazer a promoção de uma festa no Warung, eles gostaram e nunca mais saí. Isso foi em 2005. Aquela vida fora do escritório combinava bem mais comigo.

Como é o trabalho no antes e no depois da festa?

A gente realmente responde e faz um intercâmbio do clube e da festa com o público, o patrocinador, a imprensa, o influenciador. É vestir a camisa mesmo, daquilo que está ruim e que está bom. Porque uma coisa é levar gente para um lugar que todo mundo quer ir. E outra é levar para onde ninguém quer ir. Eu sempre assumi o papel de responder pelo evento e fechar o máximo de parcerias que pudesse. Minha relação com as marcas é de muitos anos, gosto de construir junto. E faço isso pela marca, não pela minha pessoa. Tem gente que gosta de ser uma figura que leva todo mundo, e eu nunca me identifiquei com isso. Não me considero uma influenciadora, mas tenho certeza que influencio musicalmente outras pessoas. Tenho credibilidade em indicar uma festa. E eu não consigo trabalhar com evento que não me identifico.

Imagino que você tenha já passado por algumas situações curiosas na noite.

Eu realmente tenho facilidade de lidar com o público porque sou muito paciente. Sou muito calma. A coisa que mais me incomoda, sempre vai ter, é gente que fica bêbada e é mal-educada com outras pessoas, principalmente com quem está trabalhando. Eu me posiciono mesmo, compro briga, se é grosso com segurança eu me enfio, sou até meio sem noção nisso. Mas não suporto porque quando a gente trabalha a gente vê quantas pessoas estão envolvidas naquilo, para um cara chegar bêbado e achar que porque ele tem dinheiro, é famoso ou perdeu a noção da vida, pode tratar as pessoas de qualquer jeito. Também percebo clientes que iam sempre nas festas, começam a namorar e somem. Depois voltam e a gente pensa: aconteceu alguma coisa. Tem que saber levar em equilíbrio, a noite não é uma inimiga. É só encontrar a pessoa certa para conviver e se divertir contigo ali.

E lista VIP? As pessoas te enchem muito para entrar nas festas de graça?

A cultura do VIP é uma cultura, né. Existe. Dizer que é uma coisa de Floripa ou de SC é chover no molhado. E uma festa que ninguém pede para ir não é uma festa boa, né? Festa que todo mundo quer ir, alguém vai pedir. Eu não sou dona das coisas, tem uma limitação do que eu posso oferecer ou não. Então não sofro para dizer não, e não enrolo as pessoas. Um bom cliente está nisso, ele tem que saber a limitação do evento e daquela pessoa. E também construir um relacionamento com quem está convidando e o evento. Ainda mais numa época que tudo é colaborativo. Se você gosta do evento, fala, ajuda, indica, e aí você vai estar no evento. É uma troca, como tudo. Mas o não tem que existir, senão o negócio não se sustenta. Quem me acompanha acha que é uma encheção de saco o VIP, mas é parte da profissão. Não me acho dona do negócio por estar convidando e poder dizer não ou sim.

Dentro desse limite, como você faz o mix de pessoas?

A festa só funciona se tiver um mix bem inteligente né. Tem que dar uma misturadinha nas tribos. Como qualquer festa, você começa pelos amigos, amigos dos amigos, e vai ampliando. Como qualquer coisa para a qual você vai convidar. Qual é o perfil que o contratante quer? Tem que ver as pessoas que têm proximidade com a marca. E um mix. Um mais famosinho, os normais, os fiéis, os que têm identidade com o som. Eu adoro montar mailing. É um desafio. Aí depois você vê o networking que vai rolando e várias parcerias sendo criadas ali.

E o fôlego para aguentar a noite?

Eu gosto quando amanhece. No início da festa eu estou muito tensa, envolvida, trabalhando. Quando paro e vejo que está todo mundo bem, tudo redondinho, aí eu relaxo e começo a curtir. Mas aí já é tarde. Quando eu era mais nova eu saía mais, hoje saio menos. Acabo mais indo nas festas que eu trabalho. E em shows, que gosto muito.

Com o tempo, você vai nas festas e não consegue mais pensar como alguém que não está trabalhando. Se o segurança está ali, se o banheiro está limpo, se tem fila no bar. Fora do país, quando não conheço ninguém, é outra coisa. Aqui estou sempre atenta no que está acontecendo. É automático.

Você gosta do after?

Eu prefiro after a esquenta. Nunca gostei muito de esquenta porque, para quem trabalha na balada, as pessoas já chegam muito alteradas. Gosto da festa depois mas tem que ser uma coisa sadia, e nem todos são. Hoje já não vou mais. Mas entendo as pessoas irem porque já fiz muito.

O Leo é parceiro (o apresentador Leo Coelho, marido de Kisy)?

Ele sempre foi envolvido com festas e coberturas de eventos. Mas não é tão baladeiro quanto eu. É interessante porque temos um mix bem bacana de pessoas para convidar para os eventos. Somos bem parceiros. Ele só não vai sempre nas festas porque não aguenta, ele tem que gravar. Meu trabalho é puro relacionamento com as pessoas. Ter que parar para explicar quem é aquela pessoa com quem estou falando não dá. Sou muito transparente. O Leo caiu do céu por entender. A gente realmente entende como isso funciona e isso é muito bom.

Leia mais:

De after da Pacha a local de casamento: relembre a história do Terraza

Aninha: “A música deixa todo mundo igual”

Warung: Gustavo Conti fala sobre o passado e o futuro do templo