Uma leitura cuidadosa da Bíblia em busca de “fakes”

Escritor de Santa Catarina foi parar no catálogo de grandes livrarias com obra que examina com rigor os relatos bíblicos

Foto Júnior Schmitt/Divulgação

Foram as lembranças religiosas dos tempos de infância que motivaram o advogado Horst Schadeck a escrever seu primeiro livro. O temor do inferno internalizado no subconsciente acabou por levá-lo a embarcar numa leitura exaustiva da Bíblia. Intrigado com os relatos, debruçou-se a buscar o que neles havia de oculto. Foram quase três décadas de estudos que resultaram numa obra no mínimo perturbadora.

Em “Juízo Final: Odisseia dos Deuses” o autor, que mora em Florianópolis, expõe contradições no livro mais lido na história da humanidade, mas deixa que o leitor faça o seu julgamento. Segundo Horst Schadeck é uma obra para ser lida por quem deseja realmente a verdade. Que liberta as mulheres de uma culpa milenar e coloca em xeque dogmas religiosos. E que foi escrita por quem e para quem valoriza o conhecimento acima de tudo.

Foto Júnior Schmitt/Divulgação

A sua obra desmente a Bíblia?
Não, eu apenas faço uma leitura neutra, de quem estudou o texto por muitos anos. Faço um desafio de ver o que é fake e exponho com naturalidade. O passado é cheio de fakes apesar do termo ser atual. Quem conta a história conta fakes. Eu parto do pensamento moderno, a ciência é o estalo inovador e hoje a humanidade está começando a pesquisar tudo, destruindo para reconstruir. É isso que permite o cirurgião afastar-se do que lhe disse o professor na faculdade e operar um coração de uma forma diferente, porque ele resolveu contestar e destruir uma verdade absoluta, salvando uma vida.

O livro coloca em xeque os dogmas religiosos?
Dentro do pensamento moderno nós temos que contestar tudo e todos, doa a quem doer. Olhar com atenção textos religiosos ou científicos. Se eu examinei este livro escrito por cinco pessoas e que atingiu mais de um bilhão de fieis (Bíblia) e descobri informações contraditórias não sou eu que tomo partido, mas sim o leitor. Eu só leio coisas que ninguém consegue ler. São coisas que qualquer criança que ler com atenção vai ver que não fecham, mas eu não posso dizer isso para um crente.

O senhor é ateu?
Acho que isso é irrelevante, eu constato que existe um ciclo em andamento dentro da evolução da espécie, nós estamos nos encaminhando para o fim deste planeta e do sistema solar previsto pelos cientistas. Para mim a verdadeira divindade se chama conhecimento. Eu não fico submetido a cientistas e religiões. Sei que sou um descendente dos primatas, com um cérebro maior.

De onde surgiu o interesse pelo tema?
Como toda criança eu tive ensinamentos religiosos que me trouxeram a obrigação de ter crença e que me impuseram o inferno se eu errasse, isso ficou no meu subconsciente me atemorizando até que eu percebi que ninguém falava nada contra ou sobre a Bíblia porque esse temor existia em todos os seres humanos. A partir daí eu fui pesquisar o que realmente escreveram essas cinco pessoas, uma leitura de fora, não me envolvo com a emoção que o texto traz.

Foto Júnior Schmitt/Divulgação

O Brasil é um país muito religioso. O senhor acha que os leitores estão preparados para sua obra?
Só aqueles que realmente querem o progresso, querem ser como Thomas Edison que descobriu a lâmpada. Tudo está sendo destruído para reconstruir melhor. Quem estiver disposto a encarar isso poderá usufruir da leitura que traz, inclusive, um certo desalento.

De que forma a obra liberta as mulheres?
A mulher desde os tempos judaicos era considerada um objeto. As mulheres são eternas vítimas. Eva já era a culpada de tudo, Joana d´Arc, entre outras. Esse conhecimento liberta as mulheres que tanto sofreram e que se livram agora das culpas a elas impostas durante milênios.

O seu livro foi publicado em Portugal e está presente no catálogo da grande maioria das grandes livrarias. A que o senhor atribui esta publicidade?
Confesso modestamente que não sei, nem sei se ele tem muita vendagem, escritor é o último a saber. Mas acredito nessa ânsia de conhecimento que todos nós temos. A ânsia que o ser humano tem hoje para ver o que é fake. Você não quer ser enganado. Por que não fazer então um exame da Bíblia? Dizem que existem mais de duas mil alterações. Eu trago o texto para que o leitor tire suas conclusões.

Leia também:

Um pedido de casamento surpresa mais de 30 anos depois

A aposta certeira de Nina Rosa nos gelatos veganos

VÍDEO: conheça os segredinhos do novo perfume Elysée Blanc