Confira 7 perguntas e respostas sobre lentes de contato

Embora bastante seguras, o mau uso pode acarretar problemas sérios, como perda de visão e até mesmo necessidade de transplante

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Todo cuidado é pouco na hora de comprar, manter e utilizar as lentes de contato. Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Por Camila Kosachenco

Usadas para corrigir ou tratar problemas na visão ou apenas para colorir os olhos, as lentes de contato fazem parte da realidade de aproximadamente 2 milhões de brasileiros, conforme estimativa da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato e Córnea e Refratometria – SOBLEC). Utilizadas em parte como alternativa aos óculos, também podem desempenhar um papel importante em alguns tratamentos de córnea.

Porém, embora bastante seguras, o mau uso pode acarretar problemas sérios, como perda de visão e até mesmo necessidade de transplante, alerta o médico oftalmologista Roberto Freda, coordenador da equipe de transplantes do Hospital Banco de Olhos. No rol dos erros mais comuns, estão dormir com as lentes, não fazer a higiene correta e extrapolar o tempo de uso indicado do produto. Com a ajuda de especialistas, tiramos dúvidas e apontamos os cuidados necessários da compra à utilização das lentes, confira:

Do que são feitas?

Divididas entre rígidas e gelatinosas, ambas podem ser usadas para tratar os quatro tipos de graus que existem: miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.

As rígidas, antigamente feitas de vidro, hoje, são confeccionadas com acrílico ou plástico. Apesar de servirem para corrigir erros refracionais, são mais indicadas para córneas irregulares e casos de ceratocone — quando a córnea fica pontuda, como uma bola de futebol americano.

Já as gelatinosas, além da correção, podem ainda atuar fazendo as vezes de curativos após ferimentos ou procedimentos na córnea.

— Após cirurgia para correção de grau com laser, pode-se usar lentes gelatinosas sem grau para proteger a córnea e ajudar na cicatrização — explica a médica oftalmologista do Instituto de Olhos Habeyche Cardoso, doutora Isabel Habeyche Cardoso, presidente da Sociedade de Oftalmologia do RS.

Todo mundo pode usar?

Normalmente, não há contraindicações de uso, no entanto, há algumas restrições. Conforme o médico oftalmologista Rodrigo Pegado, membro titular da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, lesões e úlceras na córnea são alguns dos impeditivos.

— Também evitamos em casos de pacientes que trabalhem em locais com muita exposição à sujeira e à poeira — alerta Pegado.

Pessoas que estejam com conjuntivite ou fazendo uso de colírios antibióticos ou anti-inflamatórios (aqui, excluem-se os lubrificantes) também devem evitar as lentes, destaca Isabel.

— Elas podem ser usadas desde que a pessoa tenha feito uma avaliação prévia. Também é importante ter acompanhamento ao longo do tempo e fazer as trocas programadas das lentes — lembra Freda.

E o olho seco?

Pegado afirma que quem sofre de olho seco severo não tem indicação para uso de lentes. Contudo, nos casos leves a moderados, Isabel diz que já há no mercado opções específicas para este tipo de paciente. Por isso, é fundamental consultar um médico antes de comprar as lentes.

Como comprar?

É fundamental adquirir uma lente de contato prescrita por um médico oftalmologista.

— Adaptação de lente é um ato médico. É ele quem vai escolher a melhor para cada caso, de acordo com a curva e diâmetro da córnea do paciente — diz Isabel.

Como cuidar?

Freda aponta a regra número um:

— As mãos devem ser lavadas com água e sabão antes de manusear as lentes.

Outro ponto destacado pelos profissionais é o uso de soluções específicas para higienizá-las. É proibido o uso de água de torneira ou soro fisiológico para limpar as lentes, pois eles não eliminam bactérias e proteínas que se formam na superfície das lentes.

Pode dormir com as lentes?

Embora algumas marcas sinalizem que o produto pode ser usado ao dormir, Isabel não recomenda o hábito:

— Isso diminui oxigenação do olho.

Dormir com as lentes pode ocasionar vermelhidão e a sensação de areia nos olhos.

Quanto tempo elas duram?

Tão fundamental como a higiene é respeitar o prazo de validade das lentes. Elas são comercializadas para uso de um dia, um mês ou um ano. Passar desses tempos estipulados pelo fabricante pode ocasionar alergias crônicas.

Além das lentes, o estojo onde elas são guardadas também tem prazo de validade.

— Na pior das hipóteses, deve ser trocado a cada três meses. É importante lavar, uma vez por semana, com uma escovinha em água corrente e com sabão — adverte Isabel.

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