Livro reúne correspondências dos 27 anos em que Mandela esteve encarcerado

As quase 700 páginas da obra reúnem cerca de 250 cartas, sendo 200 nunca divulgadas

Foto: Divulgação

Por Carlos Henrique Schroeder

Cartas da prisão (Todavia, 648 páginas, R$ 84,90) é uma obra histórica: a primeira – e única – coleção autorizada e autenticada de correspondências que abarca os 27 anos em que o ícone da luta pela igualdade racial e ex-presidente da África do Sul passou nas quatro prisões (duas de segurança máxima). Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918 em Mvezo, Transkei, África do Sul, e mudou-se para Joanesburgo em 1941, onde se tornou um dos principais nomes na luta contra o apartheid.

Madiba, como também era chamado devido ao seu clã, ou Tata (pai), lutou contra o regime segregacionista da África do Sul que foi instaurado após a vitória do Partido Nacional em 1948. Em 1962, ele foi condenado a cinco anos de prisão por incentivar greves e viajar ao exterior sem autorização do governo. Dois anos depois, novamente julgado, foi condenado à prisão perpétua por sabotagem e conspiração para que outros países invadissem a África do Sul.

Mandela foi solto apenas em 1990, devido à fortes pressões e sanções internacionais que acabaram inviabilizando o regime autoritário sul-africano e obrigou o país a passar por um processo de abertura. Em 1993 recebeu o prêmio Nobel da Paz e em 1994 tornou-se o primeiro presidente negro eleito na África do Sul. Morreu em 5 de dezembro de 2013, de causas naturais.

Com organização de Sahm Venter, prefácio de  Zamaswazi Dlamini-Mandela (neta do líder) e tradução de José Geraldo Couto, as quase 700 páginas da obra reúnem cerca de 250 cartas, sendo 200 nunca divulgadas, à esposa de Mandela, Winnie, sua família, apoiadores e autoridades. “Esta compilação respondeu muitas das perguntas que costumavam me desconcertar: Como meu avô sobreviveu a 27 anos na cadeia? O que o fez seguir em frente? Nas palavras dele podemos encontrar as respostas”, escreve sua neta no prefácio.

É um retrato íntimo de um ativista político que também era marido devoto, pai afetuoso, aluno dedicado (estudando atrás das grades para se formar em direito) e fiel amigo. Pai de cinco crianças quando condenado à prisão perpétua, suas cartas para a família se tornaram a única forma de criar seus filhos – principalmente pelo fato de que lhe eram negadas visitas até que seus filhos atingissem os 16 anos.

“Meu avô sempre nos lembrava de que não devíamos esquecer nosso passado ou de onde viemos. A sociedade democrática pela qual lutaram meu avô e seus camaradas foi conquistada depois de muito sofrimento e perda de vidas. Este livro é um lembrete de que poderíamos facilmente voltar àquele lugar de ódio, mas mostra também que a resiliência pode sobrepujar situações insuportáveis.”

O lançamento leva a chancela da Fundação Nelson Mandela (a organizadora do livro cobriu a luta antiapartheid por mais de 20 anos e atualmente é pesquisadora sênior na fundação). Em tempos de contínuo assassinato de reputações e desilusões políticas, um livro como esse e sobre uma pessoa como Mandela nos faz ainda acreditar na palavra humanidade.

Confira um trecho:

Trecho de uma carta para Winnie Mandela, de 16/07/1969, sobre quando lhe informaram que seu filho havia morrido:

Minha querida,

Esta tarde o oficial comandante recebeu o seguinte telegrama do advogado Mendel Levin: “Favor avisar Nelson Mandela que seu Thembekile faleceu dia 13 do corrente em razão de acidente de automóvel na Cidade do Cabo”. É difícil acreditar que nunca mais verei Thembi. Em 23 de fevereiro passado ele fez 24 anos. Eu o tinha visto no fim de julho de 1962, poucos dias depois de voltar da minha viagem ao exterior. Ele era então um rapaz vigoroso de dezessete anos que eu jamais poderia associar com a morte. Estava vestindo uma das minhas calças, que era um pouquinho larga & comprida demais para ele. O detalhe era significativo & me fez ficar pensando. Como você sabe, ele tinha uma porção de roupas, dava importância ao que vestia & não tinha razão alguma para usar minhas roupas. Fiquei profundamente comovido, pois os fatores emocionais subjacentes à sua ação eram muito óbvios. Nos dias seguintes minha mente & meus sentimentos ficaram agitados ao perceber o peso & a pressão psicológicos que a minha ausência de casa tinha imposto às crianças“.

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