Livro mostra como a indústria têxtil de Santa Catarina influenciou a forma de vestir dos brasileiros

Fundação Hermann Hering / Museu Hering

Fábrica têxtil em Blumenau na década de 1950 – Foto Fundação Hermann Hering/ Museu Hering, reprodução

Não importa o estilo, todo mundo tem uma peça de malha no guarda-roupa. Afinal, como sobreviveríamos ao calor tropical sem uma boa camiseta de algodão? No livro Arte e Técnica do Vestuário em Santa Catarina, lançado nesta segunda-feira em São Paulo, a jornalista e professora do curso de Moda da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Astrid Façanha, conta como os imigrantes europeus que fixaram residência aqui no Estado deram início ao segundo maior polo produtor e exportador da cadeia têxtil brasileira.

Foi em uma das regiões mais quentes de Santa Catarina, o Vale do Itajaí (mais especificamente Blumenau) que o underwear feito em malha virou “roupa de cima” e a camiseta foi seu principal ícone. As peças mais leves se popularizaram e passaram a ser usadas no trabalho e no dia a dia em todo o país. E hoje o Estado é o principal fabricante do tecido, com 36,8% da produção nacional.

— A imigração foi fundamental para estruturar as essa cadeia. Foram os imigrantes que mudaram a forma como a malha era usada. Na Europa se usava malha por debaixo da roupa, mas aqui era muito calor e a indústria percebeu que deveria mudar — explica Astrid.

Desde a camiseta ao modelo de negócio, Santa Catarina desempenha um importante papel no setor. De acordo com a pesquisa da autora, estão aqui 15,4% dos produtores, sendo que o Estado é capaz de fornecer desde a matéria-prima ao produto final. Esta cadeia foi o que chamou atenção de Astrid e a instigou a conhecer melhor a nossa indústria. Para contar a trajetória, o livro foi construído com relatos de profissionais que participam de diferentes setores da indústria, como empresários, costureiras, engenheiros e estilistas. Foram oito meses de entrevistas e pesquisas de campo.

— Santa Catarina tem como diferencial o fato de que podemos saber a procedência das peças, quem produziu em toda a cadeia produtiva. Isso me impressionou além do tamanho das empresas e como em algumas das cidades a maior parte das famílias trabalha nelas. Para elas, a empresa é uma segunda casa — completa Astrid.

Modelo de negócio

A capacidade de adaptação e renovação também provou ser um ingrediente importante para que o polo crescesse, segundo a autora. Na década de 1990, com a crescente importação de produtos dos Tigres Asiáticos pelo Brasil a indústria percebeu que precisava se modernizar para superar a concorrência. Com isso, passou a investir em tecnologia e a especializar a mão de obra. Este processo fez com que Santa Catarina formasse também um polo de formação de profissionais que atuam desde a criação.

— O Senai e a Udesc estão entre os principais formadores de mão-de-obra qualificada. O Senai forma em área importantes como engenharia de produção. E a Udesc tem o curso de moda que é referência no Brasil — afirma.

Outro ponto é o modelo de negócio. Quando o Real valorizou, as empresas notaram a chance de começar a abastecer o mercado interno. Assim, surgiram algumas das principais marcas catarinenses que atendem o varejo nacional. De fornecedoras de matéria-prima, passaram a imprimir seu estilo com identidade própria, o que refletiu no modo de vestir dos brasileiros. Anos depois, grandes grupos daqui começaram a comprar outras marcas de sucesso nacional, influenciando ainda mais a moda no país.

Produção e distribuição

Com tiragem de dois mil exemplares, Arte e Técnica do Vestuário em Santa Catarina será distribuído gratuitamente em virtude do patrocínio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e do Grupo Rovitex. Além disso, 1,6 mil livros estão destinados a escolas públicas, bibliotecas, universidades, museus e centros culturais. Também haverá versões em audiolivro, garantindo a acessibilidade, e online para download gratuito. Clique aqui para baixar. 

Serviço
Arte e Técnica do Vestuário em Santa Catarina, de Astrid Façanha, Editora The Way, 180 pgs.

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