Bósnia e Herzegovina: vinhos e histórias que tiram um sorriso do rosto

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Fotos: blog Loco Por Vino

Visitamos a famosa Sarajevo e no caminho… Campos minados.

Os países balcãs são marcados por ruínas militares, bunkers e prédios ainda afetados pelas guerras. Porém, na nossa passagem pela Bósnia, logo na entrada, encontramos placas de: Cuidado, campo minado! Welcome to Bósnia and Herzegovina.

Começamos o passeio por Trebinje, uma antiga cidade que fica pertinho da Croácia. Lá, buscamos pelo Monastério de Tvrdos e seus wine cellars.

Chegando ao monastério, os monges ficaram meio que nos olhando de lado… tatuagens, máquina fotográfica, sorriso no rosto… Porém, já estamos acostumados e fomos logo conversando e perguntando onde ficavam as adegas. Sem muito papo, eles apontaram para o local. Ok, obrigado!

Um senhor nos recepcionou, mostrou as instalações, falou do cuidado com os vinhos, os países que exportam e nos deu um tasting dos vinhos produzidos.

Tivemos o primeiro contato com a variedade local Žilavka, com sabor e aromas característicos de nozes.

Vinhos de ótima qualidade, porém, o clima é montado por você estar tomando vinhos em um monastério que foi construído pelo imperador Constantino e sua mãe Helena, figuras que mudaram a história do Cristianismo.

Saindo dali fomos a uma outra vinícola, muito bem conceituada no país, a Vukoje.

Visitamos as instalações da empresa que possui um restaurante com vista para a cidade e os vinhedos.

Fizemos a degustação acompanhada de um belo almoço.

Provamos três brancos e três tintos. Dentre os brancos, destaque para o feito com uva tinta, 100% Pinot Noir.

Já entre os tintos havia um belo exemplar de Shiraz. Sim, a Bósnia produz belos Shiraz, e foi a garrafa que escolhemos para levar pra casa. Também provamos dois tipos de Vranac, uma uva local, sendo um envelhecido em barrica.

De Trebinje passamos por Mostar, uma bela cidadezinha com um centro antigo e casas ainda cravejadas de balas.

Em Mostar, provamos a variedade branca mais famosa do país, a Zilavka. Considerada branca para qualquer prato, o vinho possui boa acidez e toque de nozes, reforçando nossa primeira impressão no Monastério.

Porém, sinceramente, gostamos mais da variedade Gracevina. O pessoal da Bósnia afirma que é nativa da região, no entanto, é a uva mais plantada na Croácia!

Para acompanhar o vinho pedimos o prato de carne mais famoso da região, o Cevapi. Até camisetas com esse nome eles vendem. É um pão servido com 10 “salsichas” feitas com carne moída, muitas vezes de vitela, e grelhadas. Servido com cebola, dá um belo sanduíche! O gosto da cebola crua dura uns dois dias na boca, mas vale a pena.

De Mostar seguimos, por belas paisagens, até a famosa Sarajevo. No caminho, em qualquer casa, você encontra ao menos um furo de bala ou bomba, é realmente impressionante… A cabeça não para durante a viagem, se conversa pouco e se pensa muito.

Chegando em Sarajevo encontramos uma cidade reconstruída, casas com menos aspecto de “queijo suíço”, porém muita história.

Os museus são parada obrigatória, muitas fotos e vídeos… Os famosos walking tours também são indispensáveis, principalmente porque é feito com locais, pessoas que viveram o dia a dia da guerra.

Para se ter uma idéia de como Sarajevo foi importante, o assassinato de Franz Ferdinand, na esquina que mostra a foto abaixo, foi o gatilho que desencadeou a primeira guerra mundial.

Enquanto comemorávamos a copa de 1994, 11 mil pessoas morriam em Sarajevo… Uma triste realidade que foge dos nossos olhos.

Ouvimos depoimentos de pessoas que estavam na guerra e é arrepiante. Falta de água, comida e luz levavam as condições de vida quase ao extremo. Hoje são felizes com o que têm, mesmo com quase 50% da cidade desempregada.

Vou colocar uma opinião própria… Se você ama seu filho, mande ele para Sarajevo ao invés da Disney quando tiver 15 anos, ele vai lhe agradecer no futuro e vai entender o quanto é rico, não precisando correr de atiradores para buscar água e comida.

Sarajevo é linda, muitos restaurantes com comidas típicas… Destaque para as carnes grelhadas, tortas salgadas com recheios de carne, frango, queijo ou espinafre e os docinhos de massa com recheio de nozes, pistacho, amêndoa…

Em Sarajevo, fizemos um tour pelos bares em busca da outra variedade famosa no país, só que agora a tinta Blatina. Fizemos um Bar Hop, ou seja, uma taça de vinho em cada bar.

Por problemas na fertilização, e algumas vezes devido às chuvas, esta variedade pode não produz frutos, são os chamados empty barrels.

A uva produz vinhos com características picantes, lembrando chocolate sem açúcar.

Esse é o visual das lojinhas no centro antigo de Sarajevo:

Ao sair do país, passamos pelo famoso túnel de Sarajevo, que serviu de rota para milhões de pessoas. O túnel passava por baixo de um aeroporto, ligando uma área de conflito da Bósnia a outra dominada pelas Nações Unidas. Foi usado para pessoas escaparem e para levar munição e suprimentos aos soldados.

Hoje o país está em paz, separado apenas pela religião, com maioria muçulmana, seguido por ortodoxos, católicos e pessoas que não seguem nenhuma das anteriores (3% da população), o que significa uma leve exclusão da sociedade.

Para se ter uma ideia da influência religiosa no poder, foi imposta a liberdade religiosa no país, porém, quem fosse muçulmano pagaria menos impostos e teria salários melhores. O resultado é que mais de 60% do país aderiu à religião.

Na foto abaixo, uma foto de um cemitério muçulmano sem cruzes nos túmulos.

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