Catarinense Luiz Gustavo Zago é uma das atrações do Jurerê Jazz Festival

Luiz Zago
Luiz Zago

Florianópolis é novamente palco do Jurerê Jazz Festival, um dos eventos de música instrumental mais respeitados do Brasil. O Festival, que segue até o próximo dia 13 de maio, traz grandes nomes do gênero. A extensa programação conta com mais de 100 atividades, sendo a maior parte gratuita. Para as apresentações pagas, como a de Luiz Gustavo Zago e da Orquestra Buena Vista Social Club, sócios do Clube NSC e acompanhante têm 20% DE DESCONTO no valor do ingresso.

A programação será dividida em três palcos: Jurerê Open Shopping, onde ocorrem os shows gratuitos, além de Il Campanário e P12, que recebem os shows com ingresso. Entre os destaques do palco aberto estão a banda Blues Etílicos, no dia 12 de maio, às 20h30min. Já o hotel Il Campanário será o endereço de workshops, do evento Clube do Jazz e das Jazz Sessions que receberão artistas da música instrumental nacional. Para encerrar a ampla programação, um dos maiores nomes da música latina, o Buena Vista Social Club, sobe ao palco do P12 no dia 13 de maio.

Esta edição aposta na inovação e nas novas linguagens musicais, valorizando a nova geração que atualiza o Jazz e também o mantém vivo. O catarinense Luiz Gustavo Zago é um desses nomes. Ele estará no Il Campanário, no sábado, 5 de maio. Considerado um prodígio da música catarinense, Zago incorpora em sua música uma multiplicidade com bagagem de referências que o destacam no cenário da música no Estado. Por e-mail o artista falou sobre a democratização do som instrumental, seu novo álbum e sua apresentação no evento. Confira:

Qual a importância de eventos como o Jurerê Jazz, que retiram a música instrumental dos grandes auditórios e levam para a rua?
Luiz Gustavo Zago: Acho que nos dias de hoje, em que vivemos um excesso de informação e de produção intelectual, fica difícil escolher o que vemos e o que não vemos. O papel de um festival como esse é promover uma curadoria, um olhar, reunir essas produções e proporcionar o máximo de exposição possível para atingir novas pessoas. E assim, ir para a rua, buscar desmistificar a ideia que o senso comum tem do jazz como algo sofisticado, só para iniciados. A ideia é botar o bloco na rua de forma organizada, com divulgação maciça. Isso é muito legal pois cria acessos. E, mais que tudo, hoje no Brasil ainda precisamos fazer com que as pessoas acessem os produtos culturais. Independente do nível socioeconômico, há muita gente que está despertando agora para esse negócio de sair de casa não apenas para jantar, mas para ver um show, uma peça, uma exposição, um programa além do entretenimento. Por isso é muito importante mesmo ir pra rua.

Sua apresentação no Jurerê Jazz terá referências em que nomes do jazz?
Olha, cada vez mais o meu trabalho se pauta pela multiplicidade. Há sete anos escrevo e toco arranjos para espetáculos da Camerata Florianópolis, e desde então venho colaborando com artistas como o Lenine (com quem também venho trabalhando regularmente desde 2015), Dazaranha, Zeca Baleiro, Expresso Rural, Toquinho, Paulinho Moska e outros. E venho aprendendo muito com essa galera toda. Então, nesse espetáculo do Jurerê Jazz o que se vê são muitas dessas influências. Os nomes do jazz em quem mais tenho prestado atenção ultimamente são justamente artistas que souberam incorporar linguagens diferentes no seu som, como um Brad Mehldau que toca Radiohead ou Jimmy Hendrix no seu repertório. São coisas que ele ouve constantemente e traz para música dele. Um Avishai Cohen, que soube também conciliar a música da sua origem, que é Israel, no Oriente Médio, em seu trabalho. Isso para mim renova o jazz e o mantém vivo. Eu também sempre preciso me renovar para me sentir vivo. E isso é muito positivo.

Foto: Felipe Carneiro

O que você acha do título de prodígio da música em Santa Catarina?
Olha, fico honrado mesmo. Assim, como diria Gilberto Gil, “quem manda é a deusa música”. Eu sempre tive uma torcida muito grande, desde a faculdade, por parte dos colegas. Logo que comecei a trabalhar, sempre fui muito inquieto e todo mundo teve uma resposta muito positiva com meus trabalhos, com cada novo desafio que eu pegava. O que entendo disso é que o que deve prevalecer é o respeito por essa deusa música, que é muito maior que qualquer pessoa e qualquer artista. Estamos na função de correr atrás do belo, da emoção, do sentimento e da troca de energia entre as pessoas. Grandes compositores, instrumentistas e artistas fizeram um longo e lindíssimo caminho nessa busca, e cabe a geração que está fazendo isso agora corresponder e cuidar bem desse legado, sempre pensando para frente.

A sua interpretação e incorporação da sonoridade são características marcantes nas suas apresentações. Como acontece essa entrega?
Eu realmente me entrego a esse estado de arte, esse estado de criação de forma incondicional. É como se me desligasse temporariamente da realidade, é algo que me alimenta. Tanto é que sempre acabo me “arriscando” muito em cada show, me deixando levar por ideias que vem no momento, e às vezes acabo esbarrando numa nota, tropeçando de leve na técnica para dar vazão a essa ideia, essa intuição que não estava programada. Mas não troco esse salto no abismo por nada, acho que é o grande barato da minha música. É onde me sinto mais corajoso.

Quais seus próximos projetos para a música catarinense?
Bem, agora estou terminando meu novo álbum, que se chama MoMeNTuM. Foi um processo bem interessante, comecei a ensaiar as músicas e fazer alguns shows antes de gravar, meio que num processo inverso. Acabei iniciando uma nova formação, trabalhando com os músicos Richard Montano e Tie Pereira, que entenderam bem a sonoridade que eu queria trazer para esse novo trabalho, pois traz referências de todas parcerias que eu tenho desenvolvido nos últimos anos, seja com Camerata Florianópolis, com Lenine, Zeca Baleiro, Dazaranha, Expresso Rural, Paulinho Moska, Toquinho. Essa mistura de influências de universos diferentes é que norteia esse meu novo trabalho. Ele de jazz tem a formação, com trio de piano baixo e bateria, alguns improvisos. Mas a sonoridade que influenciou é do rock, do pop, da trilha sonora, da música minimalista. Tem sido uma aventura. E enfim, vou lançar uma campanha de crowdfunding em junho/julho para poder finalizar este projeto. Vou lançar CD, DVD, clipe. Um monte de coisa. Jazz em geral não trabalha com clipe, é uma coisa que estou absorvendo do universo pop mesmo. E a intenção é lançar em mais cidades brasileiras, buscar uma presença mais forte no cenário nacional. Essa é a minha batalha deste e do próximo ano. Fora isso, estou montando um projeto para gravar Tom Jobim com inúmeros convidados para cantar, sempre na sonoridade de piano e voz. Será um fruto de todas essas parcerias e aventuras musicais, visitando o meu herói, o grande Tom Jobim, a quem interpreto há quase 25 anos, desde que aprendi a tocar instrumentos. Acaba sendo uma dupla celebração para mim, seja das parcerias e também desse retorno ao início e sua inspiração. Ainda teremos novidades sobre isso, estou muito animado em promover encontros inusitados.

Programação Gratuita
Todas as apresentações ocorrem no palco principal do Floripa Jazz Festival localizado no Jurerê Open Shopping: Av. dos Búzios, 1800 – Jurerê Internacional

05/05 (Sábado)
17h – Diogo Nestor
18h30 – Trio Mnesa

06/05 (Domingo)
17h – Fábio Carlesso
19h – Glauco Solter & Convidados

11/05 (Sexta-feira)
19h – Otávio Marcolla
20h30 – Mustache Maia e Gabriela Maia

12/05 (Sábado)
17h30 – Marzio Lenzi Trio
19h – Headcutters
20h30 – Blues Etílicos

13/05 (Domingo)
17h – Emília Carmona

Programação paga com 20% de desconto pelo Clube NSC
05/05 (Sábado)
21h – CLUBE JURERÊ JAZZ com LUIZ GUSTAVO ZAGO
Local: IL CAMPANARIO Av. dos Búzios, 1760 – Jurerê Internacional
Ingressos: www.ingressorapido.com.br

Foto: Felipe Carneiro

13/05 (Domingo)
14h às 22h – FESTA DE ENCERRAMENTO com BUENA VISTA SOCIAL CLUB
Local: P12 – Jurerê Internacional
Ingressos: www.ingressorapido.com.br
A programação completa (sujeita à alteração) está disponível no site: www.jurerejazz.com

 

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