Mãe é lembrança de quem a gente é. Mãe não devia morrer nunca. 

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Me conhece mais do que eu mesmo. Quer café? Quer um sanduíche? Quer sentar? Quer uma almofada? Quer uma coberta? Não quero, mãe. Não se preocupe comigo. Passam minutos e vem o café, mesmo assim. Seguido de uma almofada na cadeira. Afinal, um sanduíche não faria mal. Obrigado pela coberta está perfeita, mãe.
Se está na minha casa arruma tudo o tempo todo. Lava a louça, organiza os livros, abre as janelas. Seria uma sugestão de que minha casa está bagunçada? Dorme em qualquer lugar, não se preocupe com a mãe. Acordará cedo. Passará algum tempo no celular. Nos encaminhará mensagens que considera importantes. Os vídeos que nossas mães nos mandam são declarações de amor, testes pra saber se temos tempo livre ou estamos trabalhando demais.
Quando não quer preocupar os filhos, mãe esconde as doenças. Se os filhos estão muito sumidos, as doenças começam a aparecer; um telefonema interrompido por tosse, uma dor nas costas, está na hora de visitar a mãe.
Mãe é tarô, bola de cristal. Mãe é mar calmo em um mundo inexplicável. Mãe é mapa. Mãe é um abajur aceso na escuridão. Mãe é Barsa, é Wikipédia. Mãe é personificação do altruísmo. Toda mãe é uma mártir potencial. Mãe é confort food. Mãe é igreja, confessionário. Mãe é lembrança de quem a gente é. Sempre conosco, mesmo que seja só na memória. Mãe não devia morrer nunca.
Mãe prevê o futuro. Sabe quando teremos frio. “Leva uma blusa”, ela avisa. Ignoramos, mãe está sempre preocupada demais. Quando o vento nos pega desprevenidos lembramos que ainda somos crianças. Seremos sempre crianças precisando de conselhos. Seremos sempre crianças precisando de colo e abraços. Seremos sempre crianças. Precisaremos pra sempre de nossas mães.
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