Mamografia: qual é a idade certa para começar?

Mamografia - Foto Tyler Olson, shutterstock.com

Ministério da Saúde defende a realização da mamografia a partir dos 50 anos, mas há especialistas que divergem desta recomendação – Foto Tyler Olson, shutterstock.com

Por Camila Kosachenco

O tema gera debates e levanta dúvidas. O Ministério da Saúde prevê a realização da mamografia sem necessidade de requisição médica apenas para mulheres na faixa dos 50 aos 69 anos, mas há divergências. Há especialistas que defendem que o exame de imagem seja feito antes.

O assunto é mesmo polêmico, afirma o mastologista Antonio Frasson, do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einsten, de São Paulo. Ele entende que, por questões financeiras, o governo federal precisa delimitar o público-alvo. Frasson estimula, no entanto, que o cuidado geral com a saúde, incluindo checkups em diversas áreas, comece cedo:

– Uma coisa é política pública.

O governo tem um valor limitado e precisa definir como distribuir os recursos. Outra é a pessoa que vai pagar o próprio exame. São dois cenários diferentes. Dentro desta instituição, onde percebemos que 49% das mulheres com câncer de mama têm menos de 50 anos, recomendamos que os exames comecem aos 40.

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a recomendação de fazer o exame regularmente somente após os 50 anos está embasada em comprovações científicas que apontam mais vantagens do que riscos para essa população.

– Estudos demonstram que mulheres com menos de 50 anos assintomáticas podem descobrir lesões que não causariam danos, e o exame poderia trazer mais malefícios do que vantagens. A mamografia pode apontar um falso positivo que, para ser ou não confirmado, precisa de procedimentos invasivos e que causam dor. Existem diversas evidências científicas de que os ganhos de fazer a mamografia de rastreamento são maiores em pessoas acima dos 50 – argumenta Beatriz Kneipp, tecnologista da Divisão de Detecção Precoce e Apoio a Organização de Rede do Inca.

O TelessaúdeRS, projeto de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFRGS, emitiu uma nota em que defende a posição do Ministério da Saúde e da SES.

“O cuidado integral das mulheres não deve ser restrito à solicitação de mamografia para rastreamento. A equipe da atenção primária deve fornecer orientações sobre prevenção do câncer de mama, manifestações clínicas da doença, bem como riscos relacionados ao rastreamento (como o sobrediagnóstico e sobretratamento)”, diz parte do texto.

Doença está chegando mais cedo

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos. Ruffo de Freitas Junior, presidente do Conselho Deliberativo da SBM, se baseia em dois grandes estudos, um inglês e outro canadense, e na mudança da faixa etária da doença para embasar o posicionamento das entidades.

– Dizer que não tem benefício entre os 40 e 49 anos não dá. Temos números e evidências que mostram que o exame reduz a mortalidade – afirma Freitas Junior.

Ele cita uma pesquisa inglesa que comparou mulheres que fizeram o exame a partir dos 40 com aquelas que iniciaram aos 50. O levantamento mostrou redução de 17% na mortalidade entre as que passaram pelo procedimento antes do indicado pelas autoridades de saúde locais.

– Outro grande motivo para começar nessa faixa etária é que tem aumentado a proporção de mulheres que começam a ter a doença mais cedo. Há 15 anos, a prevalência era a partir dos 50.

Nessa última década, a frequência de casos dos 40 aos 49 é a mesma, o que reforça a importância da mamografia nesse período – completa o especialista.

Antes dos 50 anos

Quem não recomenda
Ministério da Saúde, Inca, Secretaria Estadual da Saúde e TelessaúdeRS preconizam a mamografia bianual entre os 50 e 69 anos para mulheres que não tenham nenhuma suspeita da doença. Aquelas com histórico familiar de câncer de mama ou ovário têm risco aumentado para a doença, por isso, precisam de acompanhamento médico individualizado e, se for requisitado, devem realizar o exame.

Por quê?
Acreditam que, antecipando o exame, as chances de submeter as mulheres a procedimentos desnecessários ou tratamentos agressivos são muito altas. Isso porque, muitas vezes, as alterações identificadas no exame podem nunca se desenvolver. Outro argumento é de que 30% dos tumores descobertos antes dos 50 anos têm evolução lenta.

Quem recomenda
Sociedade Brasileira de Mastologia, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos de idade.

Por quê?
Houve aumento no número de mulheres na faixa dos 40 aos 49 anos com câncer de mama na última década. Também se baseiam em estudos científicos que apontam redução da mortalidade entre as pacientes que iniciaram o exame aos 40. Se, por um lado, 30% dos tumores diagnosticados antes dos 50 anos têm evolução lenta, outros 30% crescem rápido e são muito agressivos, diz o mastologista Antonio Frasson. Ele lembra, também, que evidências apontam que, em mulheres mais jovens, os tumores tendem a ser mais agressivos.

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