Empresárias lançam marca para mulheres empoderadas

 Dani Vanzuita (esq.) e-Gabi Vanzuita (dir.)  – Fotos Marco Favero, Diário Catarinense

Em uma série de reportagens, contamos histórias de empreendedores do Vale do Itajaí que fugiram dos clichês e, com isso, estão renovando uma das regiões que mais cresce em Santa Catarina.

Emponderadas e plenas

Estar no lugar certo e na hora certa é o que se costuma dizer, obviamente, em relação ao sucesso de uma ideia. As irmãs Gabi e Dani Vanzuita, 30 e 38 anos, respectivamente, estavam cansadas das mudanças administrativas na empresa da família, produtora de roupa de cama, outra característica da indústria têxtil local.

Quando uma figura masculina assumiu o comando do negócio, as duas, que desde sempre tiveram uma vontadezinha de criar uma marca, não se sentiram intimidadas. Sentiram uma oportunidade de mudança de rumo. Enquanto isso, lá por 2013, o mundo já fervilhava em debates sobre feminismo e igualdade de gêneros.

Não Sou Obrigada

Dispostas a ter o negócio próprio, as irmãs compraram tecido e, inicialmente, lançaram uma linha de camisas xadrezes. Mas queriam mais. Foram em busca de consultoria e de um coach.

— A gente pode dizer que estava, neste momento, até fragilizada, tentando se encontrar, mas, de repente, a gente virou um mulherão. A nossa marca não foi programada para ser feminista, as coisas foram acontecendo — lembra Gabi, formada em Moda.

A camiseta com a frase Não sou Obrigada foi o que deu o start. As irmãs criaram um manifesto a favor das mulheres, dos negros, dos gays, escreveram uma carta a próprio punho, como fazem até hoje, e enviaram para 17 influenciadores digitais. Então, a 787 Shirts ganhou fama.

Celebridades digitais como Magah Moura, Ju Romano, A Adotada e Bruna Vieira postaram o presente. Daí, bem, daí nós sabemos o que isso gera. Milhares de curtidas e um WhatsApp que não parava de receber encomendas.

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Gabi Vanzuita (esq.) e Dani Vanzuita – Fotos Marco Favero/Diário Catarinense
— Chegou uma hora que decidimos fazer um site, uma plataforma pronta, custou R$ 400 divididos em duas vezes. No começo, a gente pensou: “nossa, a gente tá em casa e não precisa fazer nada”. Não parava de entrar pedido – fala Dani, sentada em uma das mesas do espaço que elas alugaram para administrar e expandir os domínios. Claro que não a realidade não é essa, é preciso muito suor e disposição para, além da administração, mostrar o dia a dia no Stories do Instagram, afinal, foi ali que elas ganharam espaço.

Moda plus size

Se não bastasse as frases de impacto e atuais – Girl Power e Plena estão entre as prediletas -, as blumenauenses atenderam outro tipo de mulher, aquelas que se encaixam no setor plus size. Das camisetas, elas partiram para os moletons, maiôs, a linha fitness.
— Começamos do P ao G. Mas aí ganhamos um outro público, que estava carente de moda. E não separamos, é a mesma coisa, tudo o que a gente produz também é plus size — comemora a caçula. Na grade a numeração vai até o G6.
A falta de cachê também ajudou na composição de todo o conceito:
— As modelos são mulheres reais. A gente não tinha dinheiro para pagar modelo, mas a gente nunca curtiu a amiga muito magra, com cabelão, não tinha a ver com a gente — encerram, enquanto posam para as fotos com suas criações.