Marca catarinense aposta em fios orgânicos e de reciclagem de garrafas pet para produzir t-shirts 

Foto: Agencia Donaire, divulgação

Muito se fala atualmente em propósito, nas mais variadas áreas de atuação. Na moda, grandes marcas e influenciadores levantaram a bandeira da sustentabilidade como propósito. E é justamente nesse pilar que a marca de roupas L’Essere, catarinense de Balneário Camboriú, lançou a sua coleção de camisas e t-shirts.

— A marca possui uma identidade e propósito claros, que estão em criar e produzir peças clássicas, básicas e atemporais, elegantes e sofisticadas, com impacto relevante para o consumidor e para a sociedade. Isso é possível porque fazemos o que acreditamos, e a sustentabilidade é uma dessas crenças. Tanto que nos levou a usar o slogan ‘Despertar para o amanhã’— explica modelista a diretora criativa da marca, Nancy Bortolini.

O diferencial do produto​

O valor agregado dos produtos advém das matérias-primas naturais, orgânicas e sustentáveis, como o modal, o linho, o algodão orgânico e as fibras provenientes da reciclagem da garrafa PET. Confira como cada um deles é produzido.

Algodão

A matéria-prima natural mais usada no setor têxtil. Sendo assim, o algodão tradicional é cultivado em lavouras extremamente agressivas ao ambiente, aos animais e aos agricultores, devido ao uso exagerado de agrotóxicos. Por sua vez, o algodão orgânico é uma solução para diminuir o impacto ambiental. O seu cultivo preserva a saúde do solo, descarta o uso de fertilizantes e pesticidas sintéticos, diminui o consumo de água e proporciona condições mais justas e seguras de trabalho.

Poliéster de PET

O poliéster reciclado é uma fibra química feita a partir de PET – poliéster reciclado de garrafas plásticas – resultando numa menor emissão de carbono, que é 75% mais baixa do que o poliéster virgem. O processo requer de 33 a 53% menos energia que poliéster convencional, além de impedir que as garrafas PET tenham como destino os aterros sanitários. Quando uma garrafa pet é retirada do meio ambiente, evita-se a degradação deste material por, no mínimo, mais de 100 anos. Outro benefício é que as roupas criadas a partir de poliéster reciclado podem ser recicladas outras vezes, permitindo minimizar o desperdício, dentro de um circuito fechado. Tem-se aí um passo na busca por soluções cada vez mais eficazes e conscientes quanto o assunto é sustentabilidade.

Modal

A fibra do modal é de origem vegetal. Ela é extraída da faia, árvore cultivada em florestas renováveis na Áustria, que dispensa sistemas de irrigação no cultivo, dependendo somente das chuvas. A faia é extremamente resistente a pestes, o que não causa danos ao meio ambiente, pois não faz utilização de pesticidas. Usa, no entanto, uma tecnologia que combina a neutralidade na emissão de dióxido de carbono a um processo de produção livre de cloro. O modal é uma fibra térmica, ou seja, é fresca no verão e aquece no inverno, pela sua enorme capacidade de transpiração. É ainda considerado a seda botânica, por ser puro e conferir brilho natural. A malha de micro modal possuí maciez extraordinária, causando a sensação de “pele sobre pele” e fluidez.

Linho

O linho é de origem vegetal. A sua fibra é extraída da linhaça, planta conhecida pelo consumo dos seus grãos. Para produzir o tecido de linho, apenas as melhores fibras são usadas, mas outras partes não são desperdiçadas, e é por isso que o tecido de linho é ecológico e a planta é muito apreciada. O linho é biodegradável, durante a produção, além de dispensar o uso de inúmeros fertilizantes e consumir menos água que o algodão, não queima CO2 (gases de efeito estufa). A malha de linho é uma matéria-prima extremamente refinada e sofisticada, transparece brilho e dá sensação de leveza, frescor e maciez.

Industria da moda é a segunda que mais polui

Como já referido, os materiais são apenas uma parte de todo o conceito de sustentabilidade. Afinal, para ser sustentável dentro da indústria é preciso levar em conta a durabilidade, a reutilização de produtos e a reciclagem.

— A indústria da moda é a segunda que mais polui o meio ambiente, esgota os recursos naturais e traz problemas ao bem-estar dos trabalhadores. Acredito que toda a ação em favor da sustentabilidade, mesmo que pequena já faz a diferença. Se nós primeiro como consumidores, olharmos para o nosso mundo e nos preocuparmos com o meio ambiente, vamos buscar ter consciência dos produtos que estamos consumindo e a maneira como foram produzidos, relacionado ao conceito de ser e não apenas ter, e que incentiva a consciência ética — comenta Nancy, que na carreira de modelista atuou por mais de 20 anos nas principais marcas de roupas brasileiras como TUFI DUEK, Forum, Triton, Colcci, Coca-Cola, Sommer, Malwee e Dalmar.​

Quando coloca-se que o consumo consciente também é uma forma de se preocupar com o meio ambiente, faz sentido pensar em peças chamadas de clássicas, que trabalham com um design atemporal, e por isso têm maior longevidade.

— Escolhemos as peças básicas porque elas permanecem no nosso guarda-roupa uma estação após a outra. Mesmo com as mudanças das tendências de moda, podemos usar com segurança. Isso é também é sustentabilidade. E para que elas possam ser usadas muitas vezes é importante escolher cores mais básicas, com uma matéria prima qualidade, estar atento ao caimento e ao conforto — finaliza Nancy.

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