Piangers: aos dois anos, Aurora já acenava para cachorros na rua

Foto: Tai Jyun Chang, Divulgação

Foto: Tai Jyun Chang, Divulgação

Hoje uma senhora passou por mim na praia e gritou: “Sou fã da Aurora!”. As pessoas são suas fãs, Aurora. Acho que é por causa do seu jeito alegre, sempre sorrindo, da simpatia em acenar para todos. Isso vem de quando você era ainda mais nova, com um ou dois anos você já acenava para cachorros na rua. Com três anos você fazia amizade com todos os mendigos do bairro, conversava demoradamente sobre os objetos que eles tinham amontoados em cima do cobertor no chão. Eu queria apressar o papo, meio por receio do que poderia surgir daquela amizade, meio porque eu chegaria atrasado pra te deixar na creche.

Acho que as pessoas são suas fãs porque você está sempre se divertindo. Acho isso incrível e não sei de onde você puxou. Acorda dando risada, toma café da manhã com entusiasmo, vamos andando até a escola com alegria. Se eu faço uma piada você ri alto, se te carrego no colo você comemora, se encontra uma joaninha no meio do caminho fica deslumbrada. Você, aos cinco anos, ainda acredita nas coisas mais fantásticas.

Como aquela vez que fomos em um parque com dinossaruros de plástico gigantes e você disse que achava que eram dinossauros de verdade que aceitaram trabalhar no parque em troca de comida. Como a história do lobo bom que a minha mãe conta e, sempre que vocês vão até o bosque do prédio dela, o lobo deixa alguns doces pra você. Como quando eu esqueci de trocar seu dente que caiu por uma moeda, você acordou e disse: “Olhem só. Eu ganhei o meu próprio dente!”. Você é uma menina feliz, Aurora.

Uma vez me disseram que eu mudei depois que você chegou. Que minha primeira filha era mais séria e racional – como eu – e por isso eu não tinha mudado muito com a chegada dela. Mas que quando você chegou eu fiquei mais doce e deslumbrado. Acho que isso aconteceu mesmo. Você gosta de cócegas e andar pela rua saltitando de mão dadas. Você me chama de seu herói, você diz que sou a pessoa mais legal do mundo. Não tem como não ficar doce e deslumbrado com essas coisas, Aurora. Você é um sopro de esperança em um mundo duro. Você conversa com todos sem julgamento ou medo. Seus olhos brilham com as coisas mais comuns da natureza. Você se diverte com as coisas mais triviais.

Neste verão estou te contando uma história infinita sobre um lagarto que vimos aqui no terreno da frente do prédio. Ele morava com a família em um buraco e ficou amigo de um sapo. O sapo ganhou uma capa que dava a ele super poderes. Os dois fizeram corridas, festas de reveillon, entregaram brinquedos de natal e organizaram apresentações em zoológicos. No episódio de ontem eles perderam a voz e tiveram que se apresentar apenas batendo palmas. Sempre que digo: “Continua amanhã” você diz que eu contei muito pouco, que quer mais. É uma história que nunca vai terminar, Aurora.

Assim como a nossa.

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