‘O samba paga as minhas contas’, diz Maria Rita que faz show nesta sexta na Capital

Cantora apresenta hoje, em Florianópolis, as canções de seu último álbum, Amor e Música, com repertório 100% dedicado ao gênero musical

Maria Rita
Foto: divulgação

Uma noite de muito samba é o que Maria Rita promete para hoje, quando aterrissa em Florianópolis para apresentar a turnê Amor e Música. O show marca a estreia do projeto +Música, que trará para o palco da Fields grandes nomes da MPB e do samba. Para a apresentação, sócio do Clube NSC e acompanhante têm 25% de desconto na compra do ingresso antecipado na loja da Blueticket.

Neste trabalho, 100% dedicado ao gênero musical, Maria Rita traz 12 canções de autoria de compositores renomados, entre eles, Davi Moraes, Moraes Moreira, Carlinhos Brown, Zeca Pagodinho e Marcelo Camelo. Transitando pelo samba cadenciado e o de quadra de escola, com canções que cantam o amor e a saudade, o novo disco traz um fio condutor nítido para Maria Rita: a composição Amor e Música, de Moraes Moreira.

O show, que tem direção e produção da própria cantora, reúne também suas músicas mais antigas como Bola Pra FrenteÉO Homem FalouO Bêbado e a EquilibristaO show Tem que ContinuarTá Perdoado e Vou Festejar.

Para deixar a noite ainda mais especial, quem fará a abertura do show é o Cores de Aidê, banda de samba-reggae formada somente por mulheres e que, através de suas danças e composições, abordam o respeito e o direito pela liberdade.

Por e-mail, Maria Rita falou sobre seu momento de pertencimento ao mundo do samba. Confira:

Como foi o processo criativo de Amor e Música?

O show e o álbum têm um processo meio maluco. Já aconteceu de eu entrar no estúdio com uma imagem na cabeça e sentir que estava fazendo a trilha sonora dessa imagem. Durante a gravação do disco Samba Meu foi assim. Mas as coisas também vão se adaptando, mudando aqui e ali, nunca é exatamente igual ao que nasceu na minha cabeça. Para esse show da turnê “Amor e Música” não foi assim. A imagem veio bem depois do disco já pronto. Foi um processo lento, mas que veio com força e entendi para onde tinha que ir com isso.

Como foram as parcerias para compor esse novo trabalho e a escolha de repertório?

As parcerias do disco são com amigos do meu dia a dia e elas aconteceram naturalmente. Alguns me mandaram as músicas e falaram “grava porque quero ouvir na sua voz”. Para outros eu liguei perguntando se tinham alguma música para mim. O critério para montar o repertório do disco teve muito a ver com a emoção – eu não tinha uma proposta clara na cabeça, um tema específico. Eu tinha na cabeça as músicas que eu gostaria que entrassem no álbum, caso de Amor e MúsicaReza e várias outras. Então, basicamente avisei aos amigos que estava escolhendo repertório e eles mandaram o que tinham. Algumas foram escritas pensando em mim, o que muito me honrou e facilitou a escolha.

Samba Meu foi seu primeiro álbum afirmativo no samba, dez anos após o seu lançamento. Agora, com Amor e Música, se sente imbuída nesse sentimento de pertencimento ao samba?

Com certeza. O sentimento de pertencimento começou em 2007.  Hoje, com três discos exclusivos só de samba, sinto que a paixão foi solidificada. Eu vivo de samba, pago minhas contas com ele e me considero sambista sim! Bato no peito para defender e falar da minha história!

É no samba onde fica mais à vontade?

Sim, é o gênero musical que que me deixa mais plena, relevante e completa enquanto cantora. O samba tem desafios melódicos, essa coisa de cantar uma tristeza, um desamor, mas regado a alegria. O samba tem felicidade, uma batida alegre que tem profundidade, mas não é tão óbvia. Ele me apresenta desafios, mas, mesmo assim é onde me sinto mais feliz e à vontade.

Hoje, aos 40 anos, que dica você daria para a Maria Rita que começou a carreira aos 24 anos?

Eu diria para ela se preocupar menos com a carreira, tirar férias uma vez ao ano e se permitir ser irresponsável vez ou outra.

Qual a responsabilidade de uma intérprete que carrega o DNA de Elis Regina?

Desde muito cedo tive que aprender a separar os papéis – a filha da Elis que sente saudade do que não foi e a filha “curadora” da “marca” Elis Regina. De certa forma, carrego os aprendizados desse exercício comigo pra sempre. No entanto, reconheço que, no início da minha carreira, resisti à proximidade com a minha mãe por julgar um caminho muito fácil, óbvio, ofensivo e preguiçoso. Não é a minha fibra.

Quais as suas principais referências na música?

Minhas maiores referências são Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, Sombrinha, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Clara Nunes, minha mãe, Paulo Cesar Pinheiro, Diogo Nogueira – que está fazendo um trabalho muito incrível -, Pretinho da Serrinha. Além deles, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, que são da nova geração, mas que carregam o samba com uma paixão que é bonito de ver.

Agende-se

Maria Rita – Amor e Música

Quando: Hoje, abertura da casa às 21h (Cores de Aidê: 22h /Maria Rita: 23h)

Quanto: a partir de R$ 90 (mezanino). Sócio do Clube NSC e acompanhante têm até 25% de desconto na compra do ingresso antecipado na loja Blueticket do Beiramar Shopping (Rua Bocaiúva, 2.468, Centro).

Onde: Fields (Avenida Paulo Fontes, 1.250, Centro, Florianópolis).