Talento e visão: entenda como Mário e Monalisa construíram uma das marcas mais importantes do mundo

Fundador e diretora criativa da Carmen Steffens querem triplicar o número de lojas

Foto Vanessa Pinho/Divulgação

Quando Mário e Monalisa começaram a namorar, isso há mais de 25 anos, não tinham ideia de que juntos construiriam um império. Presente em 19 países com 560 lojas, a Carmen Steffens é hoje uma marca reconhecida mundialmente. Está nos principais centros de moda, caiu no gosto de celebridades, fatura mais de R$ 1 bilhão por ano e vê seu valor multiplicar mesmo em tempos de crise.

Os números chamam atenção pela grandiosidade, mas Mário quer ir muito mais longe. Da mesma forma que resolveu criar uma fábrica inspirada nas melhores grifes italianas quando era dono de um curtume em 1993, agora ele planeja abrir 100 lojas por ano e chegar a 1.500 até 2035. O objetivo é figurar entra as 50 marcas mais importantes do mundo.

Além de uma gestão agressiva, Mário é o tipo de empresário movido também pela emoção. A marca leva o nome de sua mãe. A esposa Monalisa, que palpitou lá no início sobre o design dos produtos, logo se transformou em diretora criativa, ou como ele mesmo admite, é responsável pelo DNA da marca. É ela quem cria, ao lado de outras 10 estilistas, os produtos que se transformam em sonho de consumo assim que chegam às prateleiras. No último fim de semana eles estiveram em Florianópolis a convite do Empreende Brazil, um dos maiores eventos de empreendedorismo do país, e bateram um papo comigo.

Vocês unem gestão e criatividade. Esse é o segredo do sucesso?
Mário: Um estilista sozinho não vence e um gestor sozinho não vence, então a gente une competências e sinergia para fazer o melhor. Eu diria que uma empresa tem vários pilares para o sucesso. O primeiro é a criatividade e a Monalisa é o DNA da Carmen Steffens. Esse é o pilar mais importante, porque para vender um produto ele tem que ter beleza, conforto. O segundo pilar é ter uma fábrica diferenciada. Nós criamos uma fábrica com padrão da Itália, que produz pequenos volumes, grande diversificação, com alta qualidade e preço honesto. E o terceiro pilar é o varejo, que nos dá acesso ao consumidor final oferecendo não um produto, mas uma experiência. Nossas lojas possuem identidade, nosso franqueado compra o mix ideal que reflete o momento Carmen Steffens, o que é muito diferente de comprar sapato, roupa e bolsa. Além disso, você tem que ter uma área comercial muito forte. Eu tenho hoje oito pessoas só na área de expansão, e capacidade financeira pra ter a melhor fábrica e investir no futuro da empresa.

A ideia é expandir quanto?
Mário: A partir do ano que vem, vamos voltar a abrir 100 lojas por ano. Nos últimos três anos, em função da crise, não abrimos tanto. Em 2018, vamos abrir 23 lojas. Até começamos bem, mas veio a greve de caminhoneiros, Copa do Mundo, eleição… Temos um plano para entre 2030 e 2035 ter 1.500 lojas em 35 a 40 países. Hoje nós entendemos que estamos entre as 250 marcas mais importantes do mundo e queremos estar entre as 50 mais, e a única do Hemisfério do Sul.

Qual a aposta para manter esse crescimento?
Mário:  Você tem que pensar na satisfação do seu cliente, que é a alma do negócio. Ano que vem vamos investir na fábrica 4D, porque tenho certeza que hoje perco 25% das vendas por falta de tamanho de sapato e roupa em loja. A ideia é começar a vender por aplicativo, onde você entra, compra e, no máximo em 10 dias, o produto está na sua casa, até porque eu também tenho dificuldade de estocar para 560 lojas todos os tamanhos. A fábrica 4D permite você em 10 dias fabricar e entregar o produto para o consumidor. Quero começar ano que vem porque ninguém gosta de perder 25% do potencial de venda nem que a cliente saia infeliz da loja. Esse é o espírito do negócio.

Como estilista da marca, como você faz para se reinventar ao longo dos anos?
Monalisa: Primeiramente o segredo é amar o que você faz, isso faz bastante diferença, e muita criatividade todo dia, com foco. É um trabalho árduo.

Ainda criam várias coleções por ano?
Monalisa:  Sim, são 11 coleções por ano, e nessas coleções a cada mês você tem um lançamento dentro da loja.

O Mário palpita no estilo?
Mário: Não, 99% é ela, dou um ou outro pitaco que ela aceita às vezes, outras não.
Monalisa: Ele palpita na hora do custo (risos). Eu falo que estilo não combina com custo, você tem que criar independentemente disso, mas ele é focado em ser o melhor e estar dentro do mercado. Hoje eu já estou um pouco mais enquadrada nisso.

Onde busca as referências?
Monalisa: Em viagens internacionais, desfiles internacionais, e no meu feeling, o gosto pessoal, faço muito o que eu gostaria de usar e sempre penso no consumidor final, o que minha cliente gostaria de usar. A gente pensa muito no momento que a pessoa vai viver.

Qual o perfil da mulher Carmen Steffens?
Monalisa: Uma mulher mais ousada, que gosta de um produto exclusivo, de se sentir única, empoderada, esse é o DNA da Carmen Steffens. Hoje temos dois estilos dentro da loja, a mulher fashion, que representa 50% da nossa coleção, e a mulher clássica moderna, aquela que não usa muita cor, estampa, mas gosta de um produto diferenciado.

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