Marrocos, Portugal e Espanha em uma travessia de 16 dias pelo Atlântico

Fotos Loco Por Vino, arquivo pessoal
Cruzamos o Atlântico, de Fort Lauderdale a Barcelona, a bordo do cruzeiro Emerald Princess. Nesse transatlântico, passamos pela ilha da Madeira, a terra natal de CR7, as “calientes” Cadiz e Málaga, na Espanha, e a linda Marrakesh, em Marrocos.
A melhor forma de viajar para a Europa, se você tiver tempo, são os cruzeiros de reposição, que saem dos EUA a caminho do verão Europeu. Muitas vezes, esses cruzeiros saem por menos da metade do preço de uma passagem aérea e incluem muita diversão.
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Com muitas atrações, ótimos vinhos e muita comida, você nem vê o tempo passar.

Mas balança muito? Fica enjoado? Raramente! Em 16 dias quase nem sentimos que o barco saia do lugar.

O destaque para o Princess Emerald são as degustações de vinhos considerados Premium. Estes eventos são oferecidos durante o cruzeiro, custam $39 dólares e você prova desde Veuve Clicquot, ao aclamado Cabernet Sauvignon Caymus, da Califórnia.

O barco também oferece um bar especial para os amantes dos vinhos, chamado Vines, com uma carta ampla que engloba vinhos brancos, como o francês Chablis e tintos, como os famosos Pinot Noir de Burgundy.
Uma visita a Bridge, ou cabine de comando, é sempre interessante. É fantástico entender com o capitão como tudo funciona e escutar relatos que vão desde piratas a resgates de passageiros que caíram do navio.
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Nossa primeira parada foi após seis dias no mar, quando chegamos na ilha de São Miguel, em Açores. Como sou de Florianópolis, foi um prazer visitar as ilhas de onde saíram nossos colonizadores.

O visual de Punta Delgada, onde está o porto de São Miguel, lembra muito o centro histórico de Florianópolis.

Os azulejos são tradição de Portugal e podem ser vistos em várias esquinas.
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Açores possui muitas águas termais com cheiro de enxofre, que é parada obrigatória para quem quer dar uma relaxada.
O ponto principal a ser visitado na ilha são os lagos Sete Cidades, onde se pode encontrar visuais como estes:
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O prato principal da ilha é o cozido, que é feito em fornos públicos embaixo da terra. Desde restaurantes a famílias locais, qualquer um pode colocar suas panelas nos fornos e preparar o seu cozido.

A ilha de São Miguel está na rota de muitos cruzeiros. Um cozido, bacalhau e estas vistas podem ser uma bela experiência para suas férias.

Lembrando que esses cruzeiros transatlânticos são apenas de ida, a volta deve ser por avião, afinal os navios só regressam da Europa ao final do verão.
A próxima parada foi a maravilhosa ilha de Madeira, onde fomos recebidos por dois casais Portugueses, que moram na ilha, e que conhecemos no cruzeiro anterior quando fomos ao Panamá. São nossos amigos Paulo, Miguel, Mafalda e Claudia.

Aliás, temos grandes amigos que fizemos durante nossas aventuras em navios. A experiência de conhecer pessoas de varias partes do mundo é uma das atrações dos cruzeiros.

Não existe nada melhor do que conhecer uma cidade com locais. Então, anotem as dicas…

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Logo no porto já se percebe quem é a figura principal de Madeira… A ilha é terra natal de Cristiano Ronaldo.
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A primeira parada foi a vila de pescadores Câmara dos Lobos, um dos primeiros assentamentos que existiu na ilha, em torno de 1430. Tem esse nome pois seus descobridores, quando chegaram ao local, notaram que a região estava repleta de lobos marinhos.
Pertinho dali, se chega ao Miradouro Cabo Girão, de onde se pode tirar boas fotos do segundo precipício mais alto do mundo.
 
Que tal uma parada na beira da estrada para tomar a Poncha? Essa bebida típica chegou ao Brasil como sendo a caipirinha. Eles usam a aguardente (cachaça) sem passar por carvalho, açúcar e limão ou outras frutas como a tangerina ou o maracujá. Porém, cuidado com a Poncha, vá devagar!
Mas o melhor ainda estava por vir… Da outra vez que visitamos Funchal, focamos no famoso vinho Madeira.

Desta vez, nossos amigos nos levaram a uma vinícola no meio de um vale, escondida do outro lado da ilha, onde provamos vinhos locais, peixe-espada negro e a famosa espetada, que é o churrasco tradicional de Madeira.

Imaginem ser recebidos por locais, com comida típica e vinhos produzidos por eles próprios.

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Espetada de carne…
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Vinhos locais com destaque para o verdelho, alta acidez e muita, mas muita salinidade, captada pelas vinhas devido a proximidade ao mar e pelo caminho criado pelo vale, que traz a maresia direto aos vinhedos.

Outra surpresa foi o Rosé de cor intensa, seco, feito com a variedade Aragonez, conhecida também como a famosa Tempranillo espanhola.

E que tal um Touriga Nacional/Aragonês, não filtrado e envelhecido em barricas Francesas novas? Eles têm.

Touriga Nacional é considerado o que Portugal tem de melhor para alguns viticultores, e vem crescendo entre vinhos da região do Douro e Dão.

Quem gosta de um vinho encorpado, seco e de uma variedade indígena portuguesa, deve provar esta “resposta” de Portugal, aos Cabernet Sauvignon franceses.

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De sobremesa, um bolo de queijo local, o tradicional bolo de mel, e um doce de maracujá, estas sim provadas com um bom vinho Madeira.
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A quinta do Barbusano possui um solo pedregoso, com boa drenagem, as plantas estão em sistema latada, a 280 metros de altitude, em um vale que desemboca no mar. O resultado são exemplares fantásticos, produzidos por um dos pioneiros na produção do chamado vinho de mesa da ilha de Madeira.
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Foi uma experiência inesquecível, com direito a banho de mar, passeio de cachoeira e a descobertas de fantásticos vinhos, que vão além dos tradicionais Madeira.

Existem coisas que os livros não nos contam, somente indo in loco para entender.

Fomos extremamente bem recebidos por este povo acolhedor e pela vinícola Barbusano, que deve ser parada obrigatória em sua visita a ilha de Madeira.

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