Masc celebra 70 anos com exposições, performances e instalações

Arte Aborígene - Visitante observa as obras dos artistas aborígenes. Foto: Emmanuelle Bernard

Visitante observa as obras dos artistas aborígenes que integram a exposição O Tempo dos Sonhos. Foto: Emmanuelle Bernard

O Museu de Arte de Santa Catarina – Masc, uma das instituições de arte mais importantes do Brasil, celebra 70 anos em 2018. Para marcar a data, o museu inaugura nesta quarta-feira (18), às 19h, três grandes exposições no Centro Integrado de Cultural, na Capital. Desterro Desaterro – arte contemporânea em Santa Catarina é uma coletiva com artistas de diferentes gerações. O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália é um projeto que traz ao Brasil a coleção mais diversificada e vigorosa da tradição artística contínua mais antiga do planeta. Já o Projeto Armazém – O mundo como armazém terá obras de 300 artistas. A programação é gratuita e aberta ao público e também conta com performances e instalações.

As mostras ocuparão um espaço que vai da ala Sul, onde está localizado o próprio Masc, à ala Norte – o espaço Lindolf Bell foi até revitalizado para receber a celebração. Estão previstas outras exposições comemorativas ao longo do ano e até 2019.

Hoje o Masc conta com 1800 obras no acervo. A maior parte são produções das décadas de 1940 e 1950, incluindo obras importantes para a história da arte brasileira. O acervo foi enriquecido com obras de artistas revelados pelo Salão Victor Meirelles, concurso criado em 1993 e cuja última edição foi em 2008.

Saiba mais sobre as mostras

Desterro Desaterro

É um encontro de figuras pertencentes a diferentes gerações que entendem o território da arte vinculado a percursos, trajetos e envolvimentos mútuos. Serão 80 artistas no total, entre eles nomes expressivos para a arte catarinense, como Fernando Lindote, Franzoi, Clara Fernandes, Elke Hering, Berenice Gorini, Paulo Gaiad, Raquel Stolf, Yftah Peled, Walmor Corrêa e Gabriela Machado. Entre os emergentes, nomes como Audrian Cassanelli, Sonia Beltrame, Cyntia Werner e Daniele Zacarão. Assinada pelo curador do Masc, Josué Mattos, a mostra propõe reflexões sobre a produção artística contemporânea.

Projeto Claraboia

Projeto de comissionamento a artistas contemporâneos recebe, em sua quinta edição, o legado de proposições do professor e artista Zé Kinceler (1961-2015) e o grupo por ele formado em 2011, o Coletivo Geodésica.

Dupla do O Tropicalista. Foto: Mariana Boro

Floresta Inventada

Projeto O Tropicalista ocupará a antessala do museu, numa iniciativa inédita no Masc, com a instalação temporária Floresta Inventada. A dupla formada por Marcelo Fialho e Marco D. Julio propõe a criação de uma paisagem inventada – para melhor descrever a instalação, é interessante remeter ao território criativo que os artistas compartilham como morada, estúdio, laboratório, espaço expositivo, lugar de conversas e encontros. Um pequeno jardim incrustado no concreto, em pleno centro de Florianópolis, em que as muitas plantas se emaranham sobre móveis, objetos, esculturas, têxteis e papeis que cobrem as superfícies do chão ao teto. Parte deste acervo dos artistas será transportada para o espaço do Masc, assim como materiais e plantas coletados durante as andanças da dupla pela cidade.

O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália

O espaço Londolf Bell receberá a mostra O Tempo dos Sonhos, projeto que traz ao Brasil obras que compõem o acervo são de artistas renomados, como Rover Thomas, Tommy Watson e Emily KameKngwarray, entre outros, que já tiveram os seus trabalhos expostos no MoMA e Metropolitan (Nova Iorque), Bienais como a de Veneza, São Paulo e Sidney, entre outros eventos. A artista Emily KameKngwarray (1910-1996) é uma das estrelas da mostra. Mulher, negra, começou a pintar aos 79 anos de idade e é considerada pela crítica uma das maiores pintoras expressionistas do século 20.

A programação prevê também uma imersão na obra de Ivens Machado, escultor, gravador e pintor de Florianópolis que morreu em 2015. Quatro obras do artista — duas marcantes do começo da carreira, nos anos 70, e duas dos últimos anos de vida — estarão em exibição na sala de vídeo.

Performance Jardim de Passagem marca a abertura da exposição Desterro Desaterro

Foto: Tiaraju Verdi

Em um ponto de ônibus, no Córrego Grande, uma pessoa aguarda normalmente a chegada do coletivo. Ela carrega um vaso de plantas e embarca rumo ao TITRI, às 18h19. Tudo seria absolutamente rotineiro se a ação não fosse repetida em cada parada do trajeto, quando mais pessoas adentram o transporte, todas com mais vasos de plantas em mãos. E assim formam juntas um verdadeiro jardim em pleno deslocamento. Chegam à linha final e de lá caminham até o Masc. Trata-se da performance Jardim de Passagem, de Teresa Siewerdt, artista que nasceu em Rio do Sul e fixou endereço há alguns anos em São Paulo. A ação está conectada a outra instalação que ocorre dentro da coletiva Desterro Desaterro Jardim sem Governo será semeado pelos intérpretes, a partir das 19h, no terreno a céu aberto bem ao lado da recepção do museu. Na instalação, Teresa sugere um novo cultivo. Ela deixará no espaço ferramentas – como pá, enxada, regadores – à disposição dos visitantes que desejarem cuidar do jardim. É bem-vindo também levar plantas para semear no terreno, ou até mesmo transportar alguma para casa.

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