Jovem de São João Batista desenvolve matriz de bordado em braile

A ideia de peças bordadas para pessoas com deficiência visual surgiu quando ela recebeu uma encomenda inusitada

bordado braile
Foto: Arquivo pessoal

A jovem moradora de São João Batista, Sabrina Picolo Leopoldino, de 24 anos, que trabalha há pouco menos de um ano com bordado, desenvolveu uma matriz para bordar em braile — sistema de leitura tátil para deficiente visual — com intuito de promover a inclusão social. A ideia de peças bordadas para pessoas com alguma deficiência visual surgiu quando ela recebeu uma encomenda do pastor da igreja que frequenta.

— Não era uma ideia, era um trabalho normal. Eu faço toalhas bordadas. Eu participo todo mês de uma vigília em São José, numa casa de apoio social, a Bom Samaritano, sou evangélica e o pastor me pediu para fornecer umas toalhas bordadas para ele dar de presente para os pregadores e cantores convidados de janeiro. Mas ele me pediu uma quantidade maior para também revender. Nessa negociação eu me comprometi em fazer mais duas toalhas de banho para o pregador e outra para o cantor. Quando me avisaram que seria o Claiton Queiroz (ele não tem o globo ocular) eu pensei: como eu vou dar uma toalha bordada para um deficiente visual?.

Depois de receber a encomenda, a jovem foi atrás de matrizes para produzir o bordado, mas não encontrou nada pronto disponível. Foi então que teve a ideia de desenvolver o recurso.

— Eu procurei se existia alguma coisa em braile para bordar, como eu sou programadora de matriz. Eu fiquei um mês procurando o que fazer e não achei nada. Daí eu fui atrás do alfabeto braile e desenvolvi o meu com vários pontos diferentes. Ponto duplo, ponto cheio para dar um volume para ficar mais fácil a leitura.

A ideia já foi registrada, a matriz do bordado já está sendo vendida para outras empresas que trabalham com isso e Sabrina também colhe os frutos da repercussão de seu trabalho. Ela já recebeu várias encomendas e também está desenvolvendo uma linha de produtos com mensagens em braile motivacionais.

bordado braile
Foto: Arquivo pessoal

— Eu pretendo continuar a produção e já tenho pedidos para serem entregues. Já fiz um novo bordado em braile, com uma frase simples, mas que faz todo sentido: “Um aviso, você é lindo”. É legal para eles saberem que eles são lindos, quero que eles se sintam assim. Quero fazer frases motivacionais.

Sabrina que já havia trabalhado em 2013, por apenas 15 dias, em uma fábrica de bordado. Voltou a trabalhar com isso no ano passado.

— Eu era auxiliar de veterinária, depois comecei a ajudar minha mãe que já trabalhava com costura. Ela já tinha comprado uma máquina de bordado, mas ainda não tinha usado. Como eu já sabia mexer em alguns programas de computador, eu comecei a fazer com ela. Começamos juntas em um quarto, depois passamos para a sala, depois outra sala e inauguramos a nossa loja em outubro.

A jovem comemora a repercussão de sua ideia e já planeja aumentar sua confecção.

— Hoje eu tenho uma máquina caseira, ainda não é industrial. Mas quero logo conseguir ter várias.

bordado braile
Sabrina com a mãe na frente da loja de bordados que abriram em outubro de 2018. Foto: Arquivo pessoal

Sabrina já foi convidada para participar da cerimônia de premiação de um campeonato de xadrez para deficientes visuais na cidade de Itajaí, que será realizado em março. Ela recebeu uma encomenda de toalhas bordadas que seriam entregues aos vencedores, mas comovida com a causa, ela resolveu apoiar o campeonato e ofereceu seu serviço gratuitamente.

Com toda a divulgação que sua criação ganhou, a jovem recebeu uma ajuda de uma grande marca que irá fornecer linhas e produtos para Sabrina confeccionar os bordados em braile.

Leia também: 

Conheça a cafeteria de Santa Catarina em que todos os funcionários têm a Síndrome de Down

Movimento nas redes sociais pede mais empatia a crianças com deficiência

Lucca Koch: Bordados e referências à religiosidade dominam desfile de abertura do Minas Trend