Memória do Box: até o Bandido da Luz Vermelha quis trabalhar conosco

Foto: Divulgação

No final da década de 1990, recebi um telefonema de um homem com a voz nervosa que falou o seguinte: “Beto, desde que eu saí de lá, o meu sonho é trabalhar no Box 32. Eu tenho 30 anos de experiência e além de tudo, sou mais famoso do que você”. Curioso, perguntei: “quem é você que além de ser famoso quer trabalhar aqui?”. Ele respondeu: “meu nome é João Acácio Pereira da Rocha, mas fiquei famoso com o nome de Bandido da Luz Vermelha”. Sabendo que ele foi o bandido mais famoso do Brasil, respondi que estava com a equipe completa e agradeci. E ele respondeu: “vou te visitar para conhecer o local do meu futuro emprego”. E não é que ele apareceu? Todo vestido de vermelho, de bermudas, com uma camiseta e uma gravata com nó no pescoço, dizendo-se pronto para trabalhar. Conversei com ele umas duas horas. Graças a Deus foi embora, pensando que um dia seria chamado.

Por utilizar uma lanterna vermelha nos seus crimes, a imprensa o apelidou de “Bandido da Luz Vermelha”, em referência ao notório criminoso americano Caryl Chessman, que tinha o mesmo apelido. Era fascinado pela cor vermelha. Dizia que era a cor do diabo. Cometeu oficialmente 88 crimes, incluindo homicídios e latrocínios. Depois de condenado a 352 anos de prisão, cumpriu 30 anos e foi o brasileiro que mais tempo ficou preso na história. Era natural de Joinville, onde retornou em 1997 e morreu em 1998.

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