Memória do Box: Lurdes da loteria, inesquecível e gratificante relembrar

Foto: Arquivo Pessoal

Com o mesmo penteado amparado por uma redinha, o que lhe dava uma aparência ortodoxa e sempre bem vestida, Lurdes era querida por uma multidão de admiradores. Dependendo do traje que você estava, ela saudava dizendo: vai uma loteria federal hoje doutor, engenheiro, deputado, mestre, jornalista e assim por diante. Vendeu seus bilhetes por mais de 20 anos entre a rua Felipe Schmid e o Mercado Público, que frequentava diariamente. Sofria de epilepsia e quando sentia os primeiros sintomas, corria para o Box 32, onde eu já providenciava uma cadeira para ela sentar e segurava para que ela não caísse no chão. Alguns minutos depois, se recuperava, agradecia e continuava o seu trabalho.

Lurdes morava sozinha em uma casinha de madeira no final Costeira do Pirajubaé, aqui na Ilha. Dormia sempre com uma vela acesa na cabeceira da cama, que lamentavelmente acabou incendiando a sua morada e levando a alegria da Lurdes para sempre, na década de 1990.