Memória do Box: o presidente, o pata negra e eu

Foto: Arquivo pessoal

Em outubro de 1996, em Florianópolis, a então RBS, promoveu o encontro de marketing do Mercosul, onde reuniu o presidente do Paraguai, Juan Carlos Wamosy, o da Argentina, Carlos Menem e o do Brasil, Fernando Henrique Cardoso. Convidado por Pedro Sirotsky, preparei e servi um coquetel em uma sala reservada para os três, onde o único estranho era eu.

Terminada a conversa, corri para o lado de fora, onde já havia deixado pronta uma mesa com farto coquetel para servir as demais autoridades presentes. O grande destaque da mesa era o presunto ibérico Pata Negra — um pernil suíno, que é alimentado com castanhas — considerado o melhor do mundo. Ele estava ali de propósito, porque sabíamos da atração que o presidente Fernando Henrique tinha por ele.

Após comer muitas fatias finas, o presidente Fernando Henrique perguntou-me se havia mais uma peça inteira para ele levar para Brasília. Sempre previdente, eu tinha levado uma de reserva, que o Pedro Sirotsky imediatamente pediu que eu desse de presente para ele.

Feliz, o presidente pediu-me para entregar a peça ao diplomata que chefiava a sua missão aqui, para que este levasse o presunto para o palácio do Alvorada. Aí começou a parte mais hilariante: O diplomata disse que o presunto não iria entrar no avião presidencial, e eu respondi na tampa: É mais fácil o senhor não entrar, mais que este presunto vai chegar lá, vai. Arrogante e sem me dar bola, o diplomata e a comitiva partiram para o aeroporto. Como aqui se faz, aqui se paga, o presidente na hora de subir as escadas do avião, perguntou para o diplomata: Onde está o meu presunto Pata Negra? E ele respondeu: Presidente, “esquecemos” o presunto no local. Irritado, o presidente determinou que ele voltasse ao meu encontro no CIC – Centro Integrado

de Cultura, para buscar o presunto. O avião presidencial atrasou a saída em mais de uma hora, para que fosse satisfeita a gula do nosso presidente. Que o presunto foi, foi. Após alguns anos, encontrei-me com o presidente Fernando Henrique, no restaurante Sete Portas, localizado no velho porto da cidade de Barcelona, na Espanha, onde relembramos esta história e demos boas risadas.

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