Memórias do Box: os galos de Meyer Filho

Dizia que se inspirava no planeta Marte. Era o que fazia todos os dias antes de ir embora

Foto: Arquivo pessoal

Querido e bem humorado, o artista plástico Meyer Filho (1919-1991), maior pintor de galos do Brasil, bebia duas cervejas todos os dias e, depois, pedia para eu ligar para o filho Paulinho vir buscá-lo. Em uma destas vindas, trouxe com ele a sua maleta com tintas e pincéis e perguntou se poderia pintar a porta do nosso freezer. Respondi que seria uma honra. A bela obra de arte ficou pronta em 30 dias. Além da assinatura em forma de galo, e a data de 04.08.1990, colocou também o telefone do artista, na época 22-3131.

Dizia que se inspirava no planeta Marte. Era o que fazia todos os dias antes de ir embora. Pedia para que eu não deixasse ninguém falar com ele, abaixava a cabeça sobre os braços e dizia: “vou dar uma chegada em Marte e já volto”. Contava sempre que foi aposentado do Banco do Brasil com 35 anos de serviço, sem nenhuma promoção por merecimento e que, durante o horário de expediente, pintou 35 mil galos nas bobinas da máquina registradora. O galo abaixo continua exposto no Box 32, no Mercado Público de Florianópolis.

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