Memórias do Box: Aldírio Simões, o rei dos manés

Foto Divulgação

Nascido perto do Rio do Brás, em Canasvieiras, o jornalista Aldírio Simões era o maior conhecedor da alma dos ilhéus. Era grande amigo do poeta Zininho – compositor do Rancho de Amor a Ilha. Moravam no mesmo prédio, onde ele convenceu a construtora para dar o nome do poeta ao residencial, o que acabou acontecendo.

Na sua coluna Domingueiras, publicadas no extinto jornal O Estado, contava os “causos e ocasos” que colhia visitando todos os cantinhos e principalmente os bares por onde passava todos os dias para beber uma cachacinha. Dizia que o Mercado Público era o escritório dele. Com o seu programa na TV chamado Bar Fala Mané, entrevistava as figuras folclóricas. Música também era o forte do seu programa, principalmente samba e pagode, que ele adorava. Publicou vários livros e lançou o primeiro Dicionário da Ilha, onde tive participação, anotando no meu balcão as frases de autênticos manés, que quem é de fora não entende nada do que estão falando. Foi um sucesso.

Criou o Troféu Manezinho da Ilha, com concorrida premiação anual, onde destacou todos os personagens importantes para a cultura local. Antes do troféu, chamar alguém de mané era pejorativo, após, motivo de orgulho. Por onde ando, vejo a presença do Aldírio em todos os lugares. Partiu em janeiro de 2004, e levou com ele a alma da cidade.

Mais Memórias do Box:
Memórias do Box: pintor Meyer Filho um frequentador assíduo
Memórias do Box: uma mesa cheia de histórias