Memórias do box: Quando Astor Piazzolla aprendeu a fazer caipirinha

Astor Piazzolla apareceu sozinho em 1988, num final de tarde, de boné, despretensioso e tímido. Pediu uma caipirinha e, após alguns goles, repetia sem parar: que buena caipirinha. Começou a conversar comigo, eu não tinha a menor ideia de quem se tratava. De tanto elogiar, perguntei se ele gostaria de aprender a fazer a caipirinha. Surpreso, topou na hora, passou para o meu lado do balcão e aprendeu.

Minha sucessão de surpresas começou no dia seguinte, quando ele voltou com outros músicos do grupo. Eles não acreditavam que Piazzolla aprendera a fazer caipirinha, num boteco de Mercado. Coloquei Piazzolla novamente para dentro do balcão e disse: vamos fazer caipirinha para eles. Beberam várias. Antes de sair, me presenteou com dois ingressos: muito prazer, meu nome é Astor Piazzolla.

Quase desmaiei. Fiquei na primeira fila do teatro. Após o “bis”, me chamou, apertou a minha mão e disse: “que buena caipirinha”. No maior jornal da Argentina, o Clarín, o destaque foi: ele ensinou Piazzolla a fazer caipirinha.