Menopausa: os 50 anos são os novos 30

Foto: Pexels/Reprodução

Acompanhando o aumento da expectativa de vida das mulheres brasileiras, escolhi o assunto menopausa para esta quinzena. Muitas são as especialidades médicas que necessitam mergulhar nesse tema, porque ele não envolve apenas alterações ginecológicas, mas sim cardiovasculares, ósseas, endócrinas.

A menopausa é o fim dos ciclos menstruais e decorre da diminuição da função ovariana, com consequente queda na produção hormonal.

A terapia hormonal é considerada o tratamento padrão ouro para mulheres menopausadas e sintomáticas que, logicamente, não tenham contraindicação para o uso. Ela engloba o uso de estrogênios isolados ou associados a progesterona e/ou testosterona, dependendo do caso e da avaliação médica. A reposição da testosterona na menopausa é bem estudada na literatura cientifica e compõe o arsenal medicamentoso de tratamentos, caso seja necessário, diferentemente das outras fases da vida da mulher onde, via de regra, não existe indicação ao uso da testosterona.

Entre os principais sintomas sofridos pelas mulheres nessa fase destacam-se: as ondas de calor e os fogachos que afetam cerca de 60% das mulheres em diferentes intensidades. Destacam-se também o ressecamento vaginal, as infecções urinárias e a atrofia vaginal decorrentes da queda do estrogênio, repercutindo em quadros crônicos como dor pélvica, infecção urinária de repetição, dor na relação sexual e isolamento social.

As alterações de humor e de sono associadas às mudanças corporais e metabólicas configuram o panorama dramático das mulheres com sinais e sintomas menopáusicos,
levando-as à consequências importantes na saúde mental e bem-estar.

Vale ressaltar que a mudança do estilo de vida, alimentação, atividade física, meditação e leitura são comprovadamente benéficas para melhora dos sinais e sintomas menopáusicos, mas, podem não ser suficientes para tratar todas as mulheres afetadas.

A terapia hormonal na menopausa também reduz o risco de fraturas osteoporóticas, reduz o risco de câncer de cólon, o ganho de peso e acúmulo de gordura abdominal, além da redução de eventos cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

O tratamento da mulher na menopausa deve obedecer a um momento ideal, a chamada janela de oportunidades, e não deve ser maior a 10 anos após o diagnóstico. Entre as principais contraindicações ao uso de hormônios, o câncer de mama merece destaque. Mas, o passado de trombose, o câncer de endométrio e o sangramento uterino sem causa diagnosticada também devem ser lembrados.

É necessária uma consulta médica especializada, exames complementares específicos e uma orientação ideal sobre o tratamento, o benefício esperado e os efeitos adversos possíveis, não esquecendo da manutenção do acompanhamento médico durante o uso. Quando adequadamente indicada, a terapia de reposição hormonal pode ser o divisor de águas na qualidade de vida das mulheres vivendo a menopausa.

 

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Dra. Luisa Aguiar
Luísa Aguiar da Silva Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela AMB Especialista em Uroginecologia pela Unifesp Professora da disciplina Materno Infantil da Universidade do Sul de Santa Catarina Proprietária junto com a Dra Raquel Aguiar – minha mãe – da Clínica Urogine