Minha Mãe é uma Peça: Como o espetáculo que começou com R$ 3 mil conquistou o Brasil

Em entrevista, Paulo Gustavo fala sobre peça que chega a Florianópolis em outubro. Sócio do Clube NSC e acompanhante têm 50% de desconto

minha mae é uma peça
Foto: Divulgação

Paulo Gustavo, um dos grandes nomes do humor nacional dos últimos tempos, chega a Florianópolis em outubro. Refletindo o sucesso que teve em todo o país, o monólogo Minha Mãe É Uma Peça já está com quatro sessões com poucos ingressos ainda disponíveis, que serão vendidos apenas 30 dias antes do espetáculo. As apresentações acontecem em 5 e 6 de outubro, no Teatro Ademir Rosa (CIC), às 19h e às 21h30min. SÓCIO DO CLUBE NSC E ACOMPANHANTE TÊM 50% DE DESCONTO nos ingressos.

Carismático, Paulo agrada por seu jeito de fazer graça. Preocupado com questões ligadas ao humor depreciativo e vexatório, o ator se compromete a levar leveza e diversão para seu público. A veia cômica já o acompanha há mais tempo, antes mesmo dessa discussão do politicamente correto no humor.

Em entrevista à revista Versar feita pelo Whatsapp no intervalo das gravações do filme Minha Vida em Marte – longa que é uma continuação de Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou, em parceria com Mônica Martelli – o ator conta como começou sua trajetória no humor, sua preferência por atuar no teatro, as redes sociais como instrumento de trabalho e muito mais. Confira:

paulo gustavo
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Você vê no humor uma válvula de escape para coisas ruins que vivemos e vemos todos os dias?

A comédia é um respiro na vida das pessoas. Eu acho que nesse dia a dia corrido que a gente vive – com todos os problemas, que todo mundo tem – a comédia é um momento de descanso e de respiro. Traz uma leveza para vida que é muito boa, é ótima. Arrisco dizer que o gênero é o mais procurado por isso. Eu como ator, por exemplo, no teatro e na televisão, e principalmente no teatro, acredito que a comédia é a melhor maneira de sobreviver dessa profissão. Os espetáculos são sempre os mais lotados e eu me sinto até um privilegiado com isso.

Discriminação oculta no humor depreciativo. Como você trata esse assunto e de que forma se preocupa com isso?

Esse humor depreciativo e preconceituoso me preocupa muito. Todo texto que eu recebo, eu fico atento, principalmente nos textos que não são meus. Os meus eu não me preocupo tanto porque eu sou um cara bem criterioso, dificilmente vou falar ou fazer alguma piada preconceituosa, ou fazer esse humor depreciativo. Os textos de Vai que Cola e da Vila – são dois programas do canal Multishow – são escritos por 15 autores, daí quando eu pego eu passo um pente fino para tirar o que geralmente vem de equivocado, e sempre vem. Então as vezes a gente precisa ajustar, adaptar e concertar. Me preocupo muito com isso, sempre. Não é o meu humor, não faço esse humor que discrimina e diminui. Eu posso até tocar em um assunto mais complicado, mas eu busco prestar bastante atenção porque as vezes escapa uma piada ou outra que a gente não percebe. É uma coisa que eu coloco sempre em discussão quando estou escrevendo: “será que não estou sendo preconceituoso em falar isso?”, “será que falando isso as pessoas não vão interpretar outra coisa?”, “como a gente pode falar de forma mais clara?”. Então isso é algo que estou sempre buscando nos meus roteiros.

Além de ser uma forma de manter um contato direto com seu público, as redes sociais são também uma forma de entregar conteúdo de uma forma diferente. Hoje você vê suas redes como um produto profissional?

Hoje em dia, com essa era da internet, muita coisa a gente faz por ela. Não só nas redes sociais. Fazemos as compras, pagamos as contas… acho que nós, artistas, usamos muito mais, eu particularmente uso bastante. Eu alimento meu Instagram, Facebook, brinco no Snap, brinco no stories. E hoje em dia, por exemplo, quando fechamos uma campanha de publicidade, as redes sociais já estão inclusas na negociação. E o número de seguidores interfere nisso. Isso já está incluso no trabalho e faz parte do mercado, faz parte da nossa vida profissional.

O humor é muito espontâneo e tem o tempo certo. Para você que faz TV, teatro e cinema, como é trabalhar com esses fatores? É diferente em cada meio?

Eu amo fazer humor, eu adoro fazer TV, teatro e cinema, mas se precisar escolher um dos três, com certeza, é o teatro. São três coisas completamente diferentes. No teatro a gente interpreta para o público. No cinema e na TV a gente interpreta para a câmera, não tem o feedback imediato, é totalmente diferente. A gente fica preocupado com a luz, a câmera, e em todo o vai e volta. No teatro é aquela coisa ao vivo, a energia é outra, a resposta é outra, mas é o que eu mais amo fazer. Eu sou um ator de teatro, eu vivo disso. Nunca parei. Toda minha agenda tem que conciliar com o que tenho para fazer no teatro. Eu amo fazer humor, é uma coisa natural minha, eu tenho essa sensibilidade, esse dom. Eu sempre enxergo as situações de forma bem-humorada, já colocando uma lente de aumento em tudo. E sempre fui assim, desde criança. Sempre que contava uma história ou alguma situação, os meus amigos falavam: “ah, o Paulo Gustavo aumenta”. O povo morria de rir na hora e a história não era nada daquilo que eu tinha contado, eu já tinha aumentado e dado aquele colorido bem-humorado, transformado uma história qualquer em uma coisa engraçada. Então chegou um dia que resolvi fazer teatro e profissionalizar esse meu talento.

Teatros sempre lotados, sessões extras, um terceiro filme já em andamento. Qual o segredo do sucesso de Dona Hermínia?

A Dona Hermínia não tem muito segredo, ela é amada pelo público porque é a mãe de todo mundo, né? Ela é uma mãe protetora, cuidadosa, guerreira, batalhadora, que ama os filhos e aquela família. Mas é uma família que também não é perfeita, assim como a de todo mundo. As pessoas se identificam. O filme fala sobre o dia a dia, sobre aquela relação mãe e filho, sobre amor, generosidade, parceria, família e as relações familiares, e acho que esse assunto é que interessa todo mundo. Por isso, a Dona Hermínia faz tanto sucesso. É também uma personagem que eu faço há muitos anos, então eu já me apropriei dela, é como se fosse uma outra pessoa mesmo, e não fizesse parte de mim. Eu sou muito orgulhoso dessa personagem. Estou preparando o terceiro longa – Minha Mãe é uma Peça 3 – para o ano que vem e, se Deus quiser, vai dar certo. Este ano estou focado no longa Minha Vida em Marte, que é meu filme com a Mônica Martelli, que eu estou protagonizando e que estreia em dezembro, dia 27. Estamos aqui gravando e muito felizes por isso.

Sucesso em todo o país, Minha Mãe é uma Peça chega pela primeira vez em Florianópolis, e já está com sessões lotadas. Porque o público daqui demorou tanto tempo para receber seu espetáculo?

Eu não sei como essa peça nunca foi para a cidade de vocês, porque eu já fui várias vezes, eu tenho amigos aí. Eu sou completamente louco com essa coisa de data e local, não sei porque não foi, mas talvez até eu tenha ido e você que não está lembrando – vou te fazer esse desafio: “Será que a gente nunca foi?”. Impossível, eu devo ter ido com o
Hiperativo ou com outro espetáculo. Mas que bom que estou indo agora, estou muito feliz de estar aí com vocês.

Curiosidades

Em 2006, Paulo Gustavo decide montar sozinho o seu próprio espetáculo, o monólogo Minha Mãe É Uma Peça. Com poucos recursos, R$ 3 mil viabilizados por uma “vaquinha” feita pela família, mas convicto de que a história que Dona Hermínia tinha para contar falaria a muita gente, Paulo convence o Teatro Cândido Mendes (RJ) a ceder um espaço em sua pauta. Convida João Fonseca para dirigi-lo e Nelo Marrese para o cenário.
Ambos acreditam no projeto e de pronto aceitam o desafio. Foi dada a largada! Em pouco tempo, o espetáculo se torna burburinho na cena carioca, o boca a boca se ocupa da divulgação e as sessões vão se esgotando com uma antecedência cada vez maior. Sessões extras passam a ser uma constante, já fazendo parte da agenda do teatro, até que chega o momento em que o Cândido Mendes, tão acolhedor e berço de tantos espetáculos de sucesso, fica pequeno para o espetáculo e a peça ganha a estrada.

Serviço

Minha Mãe É Uma Peça

5 e 6 de outubro
(19h e 21h30min)

Onde: Teatro Ademir Rosa (CIC) – Avenida Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica – Florianópolis

Ingresso: As vendas pelo site da Blueticket já estão esgotadas. Por determinação do CIC uma porcentagem de ingresso obrigatoriamente deverá ser vendida 30 dias antes do espetáculo. Serão 100 ingressos no valor de R$ 180, COM DESCONTO DE 50% PARA SÓCIO DO CLUBE NSC E ACOMPANHANTE, disponíveis nas bilheterias do Teatro Ademir Rosa (CIC), Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) e Teatro Pedro Ivo, a partir do dia 5 de setembro – vendas realizadas no dinheiro ou débito.

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